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24/02/2007

Chávez encerra semana movimentada de ajuda aos vizinhos latinos

The New York Times
Simon Romero

em Caracas, Venezuela
O presidente Hugo Chávez se encontrou nesta sexta-feira (23/2) com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, para discutir uma série de programas de assistência venezuelanos, concluindo uma semana incomumente frenética de esforços para ampliar sua influência política e econômica em partes da América Latina.

No coração de muitos dos acordos fechados nesta semana - com Nicarágua, Equador e Argentina - está o uso pela Venezuela dos lucros obtidos com a alta dos preços do petróleo, assim como às vezes suas próprias reservas e exportações de petróleo, para erguer seu perfil regional.

Chávez está usando a receita do petróleo da Venezuela, avaliada em mais de US$ 50 bilhões por ano, para combater a influência dos Estados Unidos e de organizações multilaterais como o Fundo Monetário Internacional.

A ajuda venezuelana para a Nicarágua caiu do céu para Ortega, o ex-líder guerrilheiro sandinista que foi eleito presidente no ano passado. A Venezuela já concordou em perdoar mais de US$ 30 milhões da dívida nicaragüense, em fornecer mais de duas dúzias de usinas geradoras para aliviar a escassez de eletricidade e em abrir uma agência do banco de desenvolvimento da Venezuela em Manágua, para oferecer empréstimos a juros baixos para pequenas empresas.

A Venezuela também está considerando a construção de uma refinaria de petróleo na Nicarágua e um oleoduto cruzando o país, indo do Caribe ao Pacífico, para transportar o óleo cru venezuelano para refinarias na China e Japão, parte de um esforço para evitar a exportação de petróleo para os Estados Unidos. "A Nicarágua pode esquecer seus problemas de combustível", disse Chávez durante uma recente visita a Manágua.

As negociações com a Nicarágua foram precedidas nos últimos dias por uma oferta da Venezuela de US$ 500 milhões em ajuda financeira ao Equador, onde o governo do presidente Rafael Correa está considerando esforços para renegociação de parte de sua dívida externa.

Na sexta-feira, Rafael Ramírez, o ministro da energia da Venezuela, esteve no Equador para a chegada de um navio-tanque venezuelano transportando 220 mil barris de óleo diesel, parte de um acordo de swap (troca) visando poupar ao Equador milhões de dólares em moeda estrangeira.

No início desta semana, o governo de Chávez disse que fornecerá US$ 135 milhões em financiamento para uma cooperativa de laticínios argentina. A Venezuela e a Argentina também disseram que criarão um banco de desenvolvimento regional e promoverão uma emissão conjunta de US$ 1,5 bilhão em títulos.

Os títulos visam oferecer à Argentina uma alternativa ao fundo monetário e dar aos investidores na Venezuela uma forma de adquirir títulos denominados em dólar em um momento em que cresce a procura pela moeda no país.

Em outros lugares, a Venezuela revelou como lida com países com governos que criticam Chávez. A Venezuela fechou na semana passada uma fábrica de alumínio na Costa Rica com 400 funcionários, depois que Oscar Arias, o presidente da Costa Rica, criticou o poder recentemente expandido de Chávez para governar por decreto.

Chávez disse nesta semana que o fechamento da fábrica não foi político, mas em comentários aos repórteres ele acrescentou que alguns líderes latino-americanos "tentam obter aplauso de Washington para que possam ser convidados ao rancho no Texas".

Em um acordo nesta semana fora da América Latina, a Venezuela concordou em oferecer um desconto no transporte de combustível no valor de US$ 32 milhões por ano para Londres, uma das cidades mais ricas do mundo. Em troca, Ken Livingstone, o prefeito esquerdista de Londres, concordou em abrir em Caracas um escritório de consultoria de planejamento urbano para as autoridades venezuelanas presas em congestionamentos de trânsito.

O acordo com Londres foi amplamente criticado na Venezuela, onde adversários políticos de Chávez questionaram por que um país em desenvolvimento estava subsidiando as tarifas de ônibus de uma cidade emblemática da prosperidade dos países ricos industrializados.

"É uma estratégia vitória-vitória, que se encaixa na estratégia de integração", disse o ministro das Relações Exteriores, Nicolas Maduro, "e no caráter do governo bolivariano do presidente Hugo Chávez".
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