UOL Notícias Internacional
 

25/02/2007

Duas vidas entrelaçadas pela guerra iniciam uma longa e árdua recuperação

The New York Times
C.J. Chivers

The New York Times
O suboficial de 3ª classe da Marinha, Dustin E. Kirby, cujos esforços para salvar um marine ferido no Iraque, em outubro, e se recuperar de um ferimento causado por um atirador, no Natal, tiveram cobertura do "The New York Times", voltou para casa, na Geórgia, e espera se recuperar plenamente, disseram ele e sua família.

Ele voltou escoltado por uma guarda de honra da polícia no início deste mês, após sua alta do Centro Médico Naval Nacional, em Bethesda, Maryland, e quatro operações durante cinco semanas hospitalizado.

Kirby, 23 anos, foi atingido por uma bala no lado esquerdo do rosto enquanto estava próximo de um bunker no teto do Posto Avançado Omar, uma posição do Corpo de Marines em Karma, uma cidade na província de Anbar.

Seu ferimento foi uma mistura de azar com um dose impressionante de sorte.

A bala, que ele disse ser um projétil de 7,62 mm para atravessar blindagem, foi disparada por um rifle estilo Dragunov a uma distância de 350 a 550 metros e atravessou sua cabeça e saiu pela bochecha. Na sua trajetória, ela não atingiu seu cérebro, coluna ou veias e artérias importantes, ele disse.

Imediatamente após o impacto da bala, Kirby permaneceu consciente e podia andar. Ele se comunicava por escrito. Mas sua condição deteriorou, disseram ele e oficiais de seu batalhão, por causa da perda de sangue e pelo trauma no céu da boca e na base do crânio.

Apesar dos oficiais da unidade para a qual foi designado, o 2º Batalhão, 8ª Marine, terem pensado inicialmente que ele tinha perdido a capacidade de falar, após as cirurgias ele recuperou uma voz que está apenas ligeiramente sem clareza. "Eu estou melhor do que muitas pessoas esperavam", ele disse por telefone de Hiram, Geórgia.

Kirby foi designado como médico de trauma para a companhia de armas do batalhão. No início de novembro, ele foi tema de um artigo que descreveu seu trabalho e orações para salvar a vida de seu amigo, o cabo interino Colin Smith, um operador de metralhadora em torre de veículo, que foi baleado no crânio por um atirador em Karma, em outubro passado.

Smith, 19 anos, está recebendo tratamento e terapia intensiva no Centro Médico de Assuntos dos Veteranos, em Minneapolis. Seu pai, Bob Smith, disse por telefone que apesar do prognóstico para seu filho ser incerto, ele obteve progresso significativo.

A bala que atingiu Smith, do mesmo tipo que atingiu Kirby, destruiu as regiões superiores de ambos os lobos frontais do cérebro. Mas desde que seu quadro médico foi estabilizado e ele iniciou uma série de terapias, ele começou a caminhar com ajuda e com um andador, a sorrir, imitar sons e repetir as palavras que ouve, disse seu pai.

Bob Smith também disse que seu filho reconhece parentes e está de bom humor, freqüentemente rindo, brincando e piscando os olhos.

"A essência dele está lá", disse Bob Smith. "Nem sempre é fácil para ele se comunicar, mas está lá."

Devido ao dano nas áreas do cérebro que controlam a fala, disse Bob Smith, não se sabe quão plenamente Colin Smith recuperará sua capacidade de conversar. De forma semelhante, ele tem um movimento extremamente limitado no lado direito do seu corpo. Ainda é cedo demais para prever quanto movimento e força retornarão.

"Você nunca sabe quando o processo de cura estacionará", disse Bob Smith, mas ele acrescentou: "É possível vê-lo melhorar diariamente".

A terapia e tratamento de Kirby são menos extensos. A bala arrancou sete dentes, o lado direto de seu maxilar inferior, vários nervos e uma parte de sua língua. Também despedaçou parte da área inferior do crânio, perto do céu da boca.

Os cirurgiões reconstruíram seu rosto com osso e pele de uma de suas pernas, ele disse, e fixaram os tecidos danificados com 14 placas de metal.

"As placas são do tipo que segura tudo junto e permite que se regenere como era", ele disse.

Ele espera enfrentar ainda mais três ou quatro operações nos próximos seis meses, e precisará de terapia para recuperar plenamente sua fala.

Sua mãe, Gail Kirby, disse que o prognóstico dele é bom e que a atitude dele também é boa. "Na primeira consulta com o terapeuta de fala local, ele entrou e disse, 'Supercalifragilisticexpialidocious'", ela disse, usando a palavra que ficou famosa ao ser dita por Julie Andrews em "Mary Poppins". "Então ele disse: 'Pronto. Posso ir agora?'"

Kirby disse que pretende voltar ao serviço ativo quando seus médicos autorizarem e que espera se tornar um instrutor em uma escola militar, treinando outros militares em serviços médicos em combate.

Enquanto os dois continuam sua convalescença, o batalhão deles concluiu seu serviço no Iraque e saiu do país pelo Kuwait. Os últimos membros voltara, para sua base doméstica, o Campo Lejeune, na Carolina do Norte, em 21 de fevereiro. Kirby disse que espera se juntar novamente a eles.

Bob Smith disse que o sargento do pelotão do seu filho planeja visitá-lo em março.

Em Hiram, Gail Kirby disse que por ora está grata pelo fato de seu filho estar em casa.

Por meses, ela disse, ela mal conseguia dormir e checava constantemente suas mensagens de e-mail, notícias do Iraque e sites na Internet que monitoram as baixas americanas no Iraque.

"Agora posso simplesmente entrar na sala e vê-lo", ela disse. George El Khouri Andolfato

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