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26/02/2007

Software de piratas, BitTorrent consegue trabalho em Hollywood

The New York Times
Brad Stone

Em San Francisco
Os estúdios de Hollywood estão começando a trabalhar com um de seus maiores tormentos: a BitTorrent, rede pioneira de programas P2P, peer-to-peer, tecnologia que permite a troca de arquivos entre computadores.

Na segunda-feira, a empresa, cuja tecnologia provocou uma onda de compartilhamento ilegal de arquivos na Internet, planeja apresentar a BitTorrent Entertainment Network em seu site, BitTorrent.com. A loja de mídia digital oferecerá cerca de 3.000 filmes novos e clássicos e milhares de programas de televisão, assim como milhares de jogos para PC e vídeos de música, todos disponíveis legalmente para compra.

A programação vem dos estúdios, incluindo 20th Century Fox, Paramount e Warner Brothers, que anunciaram anteriormente sua intenção de trabalhar com a BitTorrent. Também há uma nova parceira: a Metro-Goldwyn-Mayer, que participará disponibilizando cem filmes no site de seu acervo de 4.000 filmes.

"Alguém já disse que é preciso abraçar seu inimigo", disse Doug Lee, vice-presidente executivo da divisão de novas mídias da MGM. "Nós gostamos da idéia de termos milhões de usuários mundialmente. Este é um terreno legítimo, potencialmente fértil, para nós."

A loja BitTorrent funcionará de forma ligeiramente diferente do que suas concorrentes de mídia digital como a iTunes Store, da Apple, e o serviço Xbox Live, da Microsoft. A BitTorrent irá misturar os downloads gratuitos dos uploads de vídeo dos usuários com as vendas de conteúdo profissional. E apesar de que venderá cópias digitais de séries como "24 horas" e "Bones" por US$ 1,99 o episódio, ela apenas alugará filmes. Assim que os filmes estiverem no PC, eles expirarão 30 dias após a compra ou 24 horas após o comprador começar a assisti-los.

Novos lançamentos como "Superman - O Retorno" custarão US$ 3,99, enquanto filmes antigos como "Cães de Aluguel" custarão US$ 2,99. O conteúdo dos estúdios pode ser assistido no Windows Media Player 11 da Microsoft. Ele é protegido pelo software antipirataria da Microsoft, que impede os usuários de assistirem os filmes alugados em mais de um PC ou de enviá-los para outros pela Internet.

Ashwin Navin, o co-fundador e presidente da BitTorrent, disse que a empresa possui o direito de permitir aos usuários a compra de cópias digitais de filmes, mas os estúdios queriam cobrar preços altos demais para a maioria dos consumidores. "Nós não achamos inteligente mostrar os preços atuais para os usuários", ele disse. "Nós queremos distribuir serviços com preços bem acessíveis."

A BitTorrent, que fica em San Francisco e conta com 45 funcionários, enfrentará desafios significativos ao tentar conquistar um espaço do mercado emergente de download digital. A Apple é a maior presença entre as lojas de mídia legítimas pela Internet. O iTunes, que já vendeu mais de US$ 1 bilhão em música digital, vende filmes da Walt Disney e Paramount e programas de todas as principais redes de TV.

Outros que estão ingressando no campo nascente são Walmart.com, MovieLink.com (de propriedade de quatro estúdios) e Amazon Unbox, que anunciou recentemente uma forma para usuários do TiVo baixarem filmes para seus televisores em vez de assisti-los nas telas menores dos computadores.

Michael McGuire, um vice-presidente da firma de pesquisa Gartner, disse que tanto o BitTorrent quanto seus rivais enfrentam o mesmo desafio: "Eles precisam fazer com que os consumidores vejam isto como uma forma melhor e mais confiável de assistir um filme do que alugar um DVD".

Também há a economia ilegal do conteúdo pirateado, cujo tamanho torna minúsculo o das lojas de mídia online legais. A Motion Picture Association of America, a entidade setorial que representa os estúdios, disse que um milhão de filmes são adquiridos diariamente de forma ilegal usando tecnologia BitTorrent. O software tem código-fonte aberto, de forma que versões dele, assim como sites de Internet que oferecem filmes pirateados, são mantidos por empresas não afiliadas à BitTorrent.

Bram Cohen, o co-fundador e executivo-chefe da BitTorrent e inventor da tecnologia, disse que a nova loja oferecerá uma alternativa atraente ao sistema ilegal. "Eu acho que os consumidores desejam uma boa experiência", ele disse, "e a primeira parte disto é tornar o conteúdo que desejam disponível legalmente".

Mas ele acrescentou que o software antipirataria que protegerá os arquivos na nova loja, que os estúdios insistiram em incluir, tornará a experiência mais desajeitada para os usuários. "Nós não estamos contentes com as implicações de interface para os usuários" do gerenciamento digital de direitos (digital rights management ou DRM), disse Cohen. "É uma coisa infeliz. Nós realmente gostaríamos de nos livrar disto tudo."

A loja da BitTorrent terá algumas vantagens sobre suas concorrentes legais. Sua tecnologia P2P introduzida por Cohen em 2001 funciona pegando pedaços de arquivos grandes de usuários de computador próximos que dispõem do arquivo, permitindo downloads mais rápidos.

Em um teste da nova loja BitTorrent, baixar o filme "X-Men 3" levou duas horas com conexão de Internet de banda-larga. Baixar o mesmo filme pelo Walmart.com levou três horas. E os downloads BitTorrent teoricamente se tornarão mais rápidos à medida que mais pessoas se cadastrarem, já que as cópias digitais se originarão dos computadores mais próximos cujos proprietários compraram o filme, em vez de um servidor central.

A empresa, que recebeu próximo de US$ 30 milhões em capital de investimento, espera usar sua loja de mídia para demonstrar como sua tecnologia é eficaz para transferência de arquivos grandes pela Internet. Ela deseja vender a tecnologia para outras lojas de mídia e para os próprios estúdios.

Os estúdios esperam que o novo BitTorrent refreie a troca ilegal de seu conteúdo. Thomas Lesinski, presidente da Paramount Pictures Digital Entertainment, disse esperar que a loja conquiste os jovens acostumados à troca gratuita de arquivos. "Nós vemos isto como um primeiro passo no mundo peer-to-peer, para tentar atrair as pessoas para o conteúdo legítimo", ele disse.

Os executivos da BitTorrent dizem que não podem impedir o download ilegal no mundo da troca de arquivos. Mas eles citam estudos internos que dizem que 34% dos usuários do BitTorrent pagariam por conteúdo se um serviço legal, abrangente, estivesse disponível.

Tal grupo claramente não inclui Aaron, um programador de 36 anos de San Francisco que não quis que seu nome inteiro fosse usado porque ele e sua esposa usam regularmente o BitTorrent para baixar música, filmes e programas de TV ilegalmente.

Após experimentar uma versão teste da loja BitTorrent legal, ele disse que ela não o persuadiu a abandonar a seleção ilimitada de conteúdo e a liberdade de desfrutar dos sites BitTorrent gratuitos.

"O triste é que não se trata de dinheiro", ele disse. "Eu não estou interessado em alugar um filme. Eu quero tê-lo. Eu quero portabilidade total. Eu quero poder dar uma cópia para meu irmão. A convergência digital deve tornar coisas como estas mais fáceis, mas o DRM as torna mais difíceis." George El Khouri Andolfato

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