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03/03/2007

Canção de banda israelense contra a guerra pressiona botões de concurso pop

The New York Times
Steven Erlanger

em Jerusalém
O Concurso Musical Eurovision, evento anual que prova que a cultura popular européia pode se levar tão a sério quanto a variedade americana, criou um mini-escândalo próprio. Na quinta-feira (1/3) houve a sugestão que os organizadores talvez proíbam a concorrente israelense deste ano, "Push the Button", pelo que chamaram de mensagem política inadequada.

A mensagem da música tal como é parece ser um apelo banal e perfeitamente compreensível de não ser incinerado por uma bomba nuclear nas mãos de um lunático.

Mas quando grupo israelense punk chamado Teapacks a interpreta, acrescenta um grau de ironia à banalidade, com letra indubitavelmente imortal como:

"Não quero morrer; quero ver as flores desabrocharem
Não quero explodir, e não quero chorar
Quero me divertir muito, sentado ao sol
Mas ainda assim -ele vai apertar o botão."

"Ele" não é especificado, mas alguns dos organizadores do concurso deste ano aparentemente temem que a banda possa estar se referindo ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

"Está absolutamente claro que esse tipo de mensagem não é apropriado para a competição", disse Kjell Ekholm, organizador do concurso e representante da rede transmissora YLE, da Finlândia. "Teremos todos os líderes de delegações aqui em Helsinque na semana que vem, e tenho certeza que falaremos desse caso". Ekholm disse à Reuters que a rede recebeu "muitas mensagens eletrônicas reclamando" da música.

Os israelenses estão cada vez mais obcecados com os esforços do Irã em enriquecer o urânio, cuja intenção poucos duvidam ser de fabricar uma arma nuclear. E Ahmadinejad deixou claras muitas de suas opiniões sobre Israel.

Ainda assim, a banda nega ter o Irã especificamente em mente, apontando para um verso mais generalizado que poderia ser aplicado para todo o "eixo do mal":

"Há alguns líderes loucos que se escondem e tentam nos enganar
Com um desejo demoníaco, tecnológico de fazer mal
Eles vão pressionar o botão
Pressionar o botão, pressionar o bo, pressionar o botão."

Certamente ninguém jamais acusou Ahmadinejad, famoso por negar o Holocausto e desejar que Israel seja tirado do mapa, de tentar esconder-se ou enganar alguém.

Kobi Oz, vocalista do grupo, disse ao jornal israelense Maariv: "A canção tem uma frase que fala de 'alguns líderes loucos', mas não mencionamos nomes. O Estado de Israel já passou por tanta coisa que pode rir do terrorismo. Os israelenses escolheram a música porque essa é a melhor forma: não ter medo, rir na cara deles."

Oz canta em hebraico, inglês e francês com sotaque israelense. Sob as regras do concurso, "Push the Button" foi escolhida pelos telespectadores israelenses como a concorrente israelense, depois de uma apresentação ao vivo na televisão. Os outros membros do Sindicato Europeu de Transmissoras, que inclui quase todas da Europa, Rússia, Ucrânia, Turquia, Egito, Marrocos, Jordânia e Israel - escolheram igualmente seus representantes por voto nacional, e a final muito anunciada deste ano será em Helsinque, no dia 12 de maio (o site oficial tem uma contagem regressiva do concurso).

O vencedor é determinado por um sistema complicado, sob o qual cada nação participante conduz sua própria votação por telefone, mas os ouvintes não podem votar na música de seu próprio país.

As músicas devem ser originais e seguir certos critérios. Há um Grupo de Referência Eurovision, que inclui o produtor do programa do ano, produtores anteriores e um membro do Sindicato Europeu de Transmissoras, para resolver controvérsias e decidir questões de originalidade.

O concurso foi iniciado em 1956 com a intenção de unir o continente no auge da Guerra Fria e foi a fonte de muitas músicas execráveis, assim como de algumas revelações, como o sueco Abba e Celine Dion, que concorreu pela Suíça. Apesar de o programa ser transmitido em muitas nações e ter servido de modelo para programas como "American Idol", gerou pouco interesse nos EUA.

Ainda assim, é considerado um dos eventos não esportivos mais assistidos do mundo e também é transmitido pela Internet.

Os irlandeses venceram o concurso mais freqüentemente do que qualquer outra nação - sete vezes - e foram seguidos dos franceses, que venceram cinco vezes. Israel venceu três vezes - em 1978, 1979 e 1998 - a última vez com um desempenho de um transexual que se chama Dana International.

O Irã, entretanto, não é membro do Sindicato Europeu de Transmissoras e, portanto, não terá uma chance de cantar ou votar. Deborah Weinberg

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