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08/03/2007

Rei da Jordânia pressiona os EUA a exercerem um papel maior no esforço pela paz

The New York Times
Helene Cooper

em Washington
Nesta quarta-feira (7/7), o rei Abdullah 2º da Jordânia fez um apelo passional para que os Estados Unidos assumam a liderança na busca da paz entre árabes e israelenses, dizendo ao Congresso americano que sem progresso nesta questão, nenhum dos outros problemas do Oriente Médio será resolvido.

"Sessenta anos de expropriação palestina - 40 sob ocupação - um processo de paz que avança e pára, tudo isto deixou um legado amargo de decepção e desespero em todos os lados", ele disse em um discurso perante uma sessão conjunta do Congresso.

Ele notou que seu pai, o rei Hussein, viajou para Washington em 1994, quando a Jordânia e Israel assinaram um tratado de paz, e discursou ao Congresso em uma aparição conjunta com o primeiro-ministro israelense da época, Yitzhak Rabin.

"Treze anos depois tal trabalho ainda não foi concluído", disse Abdullah. "Até que seja, nós todos corremos risco. Nós todos corremos o risco de sermos vítimas de maior violência resultante das ideologias do terror e ódio."

Abdullah pediu para uma demonstração por parte dos Estados Unidos de uma maior preocupação com o povo palestino - um tema raramente ouvido nos corredores do Congresso. Ele recebeu apenas um tímido aplauso em resposta, e alguns legisladores pró-Israel foram rápidos em despejar água fria na idéia de que o futuro dos palestinos se encontra no coração da turbulência no Oriente Médio.

Ele está em Washington para cinco dias de encontros com várias autoridades, incluindo o presidente George Bush. "Apesar de ter apropriadamente pedido pela retomada do processo de paz no Oriente Médio, ele foi bastante desequilibrado na identificação dos obstáculos ao processo de paz", disse o deputado Steve Israel, democrata de Nova York, em uma declaração. "Eu esperava ouvir um discurso sobre o Iraque; em vez disso, eu fiquei incomodado ao ouvir a sugestão de que o fato de sunitas e xiitas estarem assassinando uns aos outros ser de alguma forma culpa dos israelenses."

O discurso de Abdullah ocorre em um momento em que o governo Bush - e a secretária de Estado, Condoleezza Rice, em particular - indicou uma nova disposição de buscar uma iniciativa de paz entre árabes e israelenses, um projeto do qual o governo se esquivou nos últimos seis anos.

Apesar do discurso de Abdullah ter sido ostensivamente direcionado ao Congresso, as autoridades árabes disseram que seu verdadeiro público também incluía Bush. "As pessoas da região ainda consideram os Estados Unidos como a chave para a paz, o país mais capaz de aproximar os dois lados, os responsabilizar e tornar um acordo justo uma realidade", ele disse.

"Este não foi um discurso normal", disse James Zogby, presidente do Instituto Árabe Americano, que assistiu ao discurso de Abdullah da galeria da Câmara. "Ele apresentou um desafio moral e político ao Congresso." Mas, acrescentou Zogby, "alguns fugirão dele".

O deputado Tom Lantos da Califórnia, o presidente do Comitê de Relações Internacionais da Câmara, participou de um almoço com Abdullah e com líderes do Congresso após o discurso. Lantos disse em uma entrevista posterior que preferiu os comentários privados do rei durante o almoço do que o discurso público, que ele se queixou de estar cheio de "chavões".

O pedido por uma nova iniciativa de paz, disse Lantos, "é um tanto irrealista em um momento em que o elemento dominante na área palestina não reconhece a existência de Israel". George El Khouri Andolfato

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