UOL Notícias Internacional
 

10/03/2007

Enquanto Bush inicia sua visita à América Latina, Chávez tenta ofuscá-lo

The New York Times
Jim Rutenberg, em São Paulo

e Larry Rohter, em Buenos Aires, Argentina
O presidente Bush iniciou sua visita de uma semana à América Latina por São Paulo, Brasil, na sexta-feira (9/3), prometendo ajuda para criação de empregos, mas acabou disputando a atenção com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que chamou a visita americana de um ato de imperialismo, acrescentando: "Gringo, vá para casa!"

Caetano Barreira/Reuters 
Em coletiva com Lula, Bush disse que dobrou a ajuda à região para US$ 1,6 bilhão por ano

"Eu não acho que a América recebe crédito suficiente por tentar ajudar a melhorar a vida das pessoas", disse Bush, falando em uma coletiva de imprensa conjunta com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas enquanto Bush apresentava tal argumento, Chávez liderava um comício "antiimperialista" no qual atacou o que chamou de hipocrisia e ganância americanas. "Eu acredito que o principal objetivo da viagem de Bush é tentar limpar a barra do império na América Latina", disse Chávez no comício em Buenos Aires, Argentina, na outra margem do Rio de Prata de Montevidéu, Uruguai, a próxima parada de Bush. "Mas é tarde demais."

Bush iniciou sua turnê - a mais longa viagem à América Latina de sua presidência - concluindo um acordo com Lula para aumentar o desenvolvimento de etanol como uma importante alternativa para o petróleo.

A influência de Chávez na região deriva da riqueza do petróleo da Venezuela, que ele está usando para formar uma coalizão de partidos esquerdistas, antiamericanos. Em uma entrevista para um popular programa matinal de televisão na Argentina, Chávez tratou o plano do etanol como "uma loucura". Ele acusou os Estados Unidos de tentarem "substituir a produção de alimento para animais e seres humanos pela produção de alimento para veículos, para sustentar o modo de vida americano".

Funcionários do governo Bush buscaram minimizar Chávez, argumentando que sua influência é exagerada pela imprensa e notando que pesquisas sul-americanas o mostram com índices de aprovação tão baixos quantos os de Bush. Bush até mesmo se recusa a mencionar seu nome. Mas mesmo buscando evitar Chávez, a viagem de Bush parece voltada a combater a mensagem antiamericana venezuelana, cujos sinais eram visíveis em toda parte.

A polícia entrou em choque com milhares de manifestantes, muitos carregando cartazes chamando Bush de assassino e fascista. Um grupo de sacerdotes maias na Guatemala disse na sexta-feira que "purificará" um local sagrado dos "maus espíritos" após ele ser visitado por Bush.

Dois helicópteros pairavam sobre a longa comitiva de carros de Bush na sexta-feira, e seu hotel foi cercado por atiradores militares e outros agentes de segurança, enquanto os manifestantes queimavam uma bandeira americana perto do hotel.

O comício em estádio com Chávez foi patrocinado por grupos sindicais com laços com o governo peronista da Argentina, e uma facção das Mães da Praça de Maio, um grupo de direitos humanos liderado por Hebe de Bonafini. (Ela expressou satisfação com os ataques do 11 de Setembro, dizendo que os americanos mereciam provar de seu próprio remédio, além de recentemente ter feito comentários anti-semitas).

Mesmo o partido de Lula apoiou as pessoas que faziam protestos contra a visita de Bush ao Brasil. Bush pareceu incomodado quando um repórter brasileiro perguntou se ele concordava que "os Estados Unidos realmente deram as costas à América Latina". "A caracterização de que demos as costas não é apoiada pelos fatos", disse Bush, parecendo irritado, com os ombros rijos e endurecendo sua voz. "Pode ser uma percepção, mas os fatos contestam isto e este é um motivo para minha vinda."

Ele acrescentou: "Minha viagem é para explicar o mais claramente que posso que nosso país é generoso e compassivo, que quando vemos pobreza, nós nos importamos; que quando vemos analfabetismo, nós queremos fazer algo a respeito".

Em um país com um presidente esquerdista em uma região onde a filosofia esquerdista está em ascensão, especialmente entre os pobres, Bush se referiu repetidamente aos esforços americanos para tratar da crescente diferença entre as classes econômicas da região.

Em uma coletiva de imprensa com Lula, ele destacou que dobrou a ajuda à região para US$ 1,6 bilhão por ano - apesar de que o número cairá para US$ 1,5 bilhão no próximo ano fiscal. Bush descreveu os recursos como "dinheiro para justiça social" que no final ajudam aos pobres.

Falando sobre o acordo do etanol, declarou: "Quando se busca superar a dependência de petróleo, você se torna dependente das pessoas que cultivam a terra". Ele acrescentou que "a distribuição de riqueza, a distribuição de oportunidades aos agricultores, particularmente os menores produtores rurais em nossos respectivos países, permitirá que a economia tenha uma fundação mais firme".

Segundo o acordo do etanol - assinado pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, e pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, mais cedo na sexta-feira - os Estados Unidos e o Brasil compartilharão tecnologia para aumentar a produção de etanol e promover seu desenvolvimento em outros países latino-americanos e caribenhos.

O presidente brasileiro foi pego no meio da briga entre Chávez e Bush, equilibrando seu desejo de expandir o comércio com os Estados Unidos e permanecer fiel à aliança comercial latino-americana do Mercosul, que conta com a Venezuela, entre outros países, como membro.

Em seus comentários iniciais ele empenhou sua fidelidade a uma América do Sul integrada, parecendo enviar uma mensagem de que a briga de Bush com Chávez não tem nada a ver com ele. "Nós respeitamos as opções políticas e econômicas de cada país" na região, ele disse.

Lula disse ter esperança de que os Estados Unidos trabalhem com ele para concluir a rodada de Doha das negociações da Organização Mundial do Comércio, que teve início há mais de cinco anos no emirado do Qatar, no Golfo Pérsico, mas entrou em colapso em julho passado, devido aos desacordos em torno de subsídios agrícolas e reduções de tarifas. George El Khouri Andolfato

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