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10/03/2007

Representantes de países vizinhos chegam a Bagdá buscando a paz para o Iraque

The New York Times
Alissa J. Rubin

em Bagdá
Em uma vitória simbólica para o Iraque, representantes dos países vizinhos, bem como de potências mundiais, estão se reunindo aqui para discutir como poderiam ajudar a estabilizar este país repleto de problemas.

O encontro, marcado para este sábado (10/3), se constituirá em uma rara oportunidade para que o Irã e os Estados Unidos sentem-se à mesma mesa. A Síria, um outro alvo freqüente da animosidade norte-americana, também participará.

Mas em um nível mais prático, o encontro é mais importante para o Iraque, um país que se encontra à beira do caos e que precisa desesperadamente da ajuda de todos os seus vizinhos. "Existe atualmente um reconhecimento maior dos perigos inerentes à grave situação do Iraque", afirmou em uma entrevista o ministro iraquiano das Relações Exteriores, Hoshyar Zebari.

Referindo-se aos países vizinhos, ele disse: "Caso eles não façam mais - e até o momento eles têm sido expectadores, afirmando: 'Deixem que os norte-americanos se virem' -, a conseqüência será o fracasso do Iraque. Isso significaria um alastramento dos problemas pela região, caos, sectarismo, terrorismo e tráfico de drogas. Esperamos algumas ações, e não palavras, e tampouco apenas uma declaração de solidariedade e apoio", disse Zebari.

A disposição de todos os vizinhos iraquianos de virem até Bagdá, uma cidade que é alvo de uma operação militar em grande escala, com a chegada de milhares de soldados extras norte-americanos e iraquianos, sugere que eles ouviram a mensagem de Zebari. Ele tem solicitado incessantemente essa reunião desde o verão passado.

Com a participação de 16 países e organizações, este será o maior encontro de países estrangeiros no Iraque desde uma reunião de cúpula de membros da Liga Árabe em março de 1990, realizada poucos meses antes da invasão iraquiana do Kuait.

"A reunião indica que todos os participantes reconheceram que não têm interesse na desagregação do Iraque, na sua divisão ou na sua desintegração, que resultaria em um Estado fracassado", afirma Joost Hiltermann, diretor do escritório do Grupo de Crises Internacionais em Amã, na Jordânia.

Armamentos e combatentes entram no país principalmente a partir da Síria e do Irã. A Jordânia e a Síria abrigam quase dois milhões de refugiados iraquianos que cruzaram as fronteiras. A Arábia Saudita e a Jordânia, países com populações preponderantemente sunitas, estão preocupadas com a influência crescente do Irã, que é majoritariamente xiita, no Iraque e no resto da região.

Mas pode-se atribuir em parte aos países de maioria sunita a culpa pela situação. Após a derrubada de Saddam Hussein pelas forças lideradas pelos Estados Unidos em 2003, eles relutaram em manifestar publicamente apoio a Bagdá durante a ocupação que se seguiu. O Irã preencheu esse vácuo. "O Irã foi o primeiro país a enviar uma delegação ao Iraque", afirmou Zebari. "Isso aconteceu à época do Conselho de Governo".

Esse conselho foi o grupo de governo apoiado pelos Estados Unidos e formado durante os estágios iniciais da ocupação. Zebari disse que muitos dos representantes só chegariam no final da sexta-feira. Os iranianos, porém, chegaram na quinta-feira.

Zebari e outras autoridades iraquianas dizem esperar que a reunião seja um primeiro passo no sentido de persuadir os Estados Unidos e o Irã, os dois países que têm maior influência no Iraque, a começarem a trabalhar em conjunto. Até o momento ambos preferiram trocar farpas, não perdendo a oportunidade de lembrar um ao outro que contam com a capacidade de tornar a vida do oponente desagradável.

"Esperamos que norte-americanos e iranianos possam conversar", disse o vice-primeiro-ministro Barham Salih. "O diálogo é sempre útil. Não queremos que o nosso país seja uma carta que atenda a outros interesses. A estabilidade do Iraque deve ser a questão central".

Zebari disse que serão disponibilizados salões, além do salão principal, para que os dois países possam conversar reservadamente. A agenda da reunião prevê um discurso de abertura por parte do primeiro-ministro iraquiano, Nouri Kamal al-Maliki, e a seguir uma sessão a portas fechadas durante a qual cada país terá a oportunidade de fazer comentários. Após o almoço haverá uma outra reunião a portas fechadas de todo o grupo.

Oficialmente o nível da reunião é de vice-primeiros-ministros, sendo que a maioria dos países enviará os seus embaixadores no Iraque para representá-los. Mas muitos países também estão enviando autoridades mais graduadas, e Zebari anunciou que "visitantes de alto nível" de vários países comparecerão.

A delegação dos Estados Unidos incluirá David Satterfield, o principal conselheiro sobre o Iraque da secretária de Estado Condoleezza Rice, e o embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Zalmay Khalilzad. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também participará do encontro.

Para Bagdá e Washington, um dos objetivos primários da reunião é permitir que o Iraque se afirme como um protagonista em pé de igualdade com os seus vizinhos. Até recentemente o Irã vinha tratando o Iraque mais como um cliente, e as relações entre o Iraque e a Síria têm sido marcadas pela frieza.
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