UOL Notícias Internacional
 

11/03/2007

Existe uma desconfortável aliança entre muçulmanos negros e imigrantes

The New York Times
Andrea Elliott
Sob o domo cintilante de uma mesquita em Long Island, centenas de homens sentavam de pernas cruzadas no chão. Muitos eram médicos e engenheiros nascidos no Paquistão e Índia. Trajando calças cáqui, camisas pólo e túnica de seda, eles pareciam nervosos e cochichavam.

Algo se encontrava entre eles e o jantar: um visitante do Harlem viria pedir dinheiro.

Um homem negro alto com uma barba levemente grisalha finalmente entrou na sala, com seu guarda-costas logo atrás. Vestindo um manto bordado e um chapéu que combinava, ele pegou o microfone e começou a falar sobre um grupo diferente de muçulmanos, os milhares de afro-americanos que descobriram o Islã na prisão.

"Nós todos somos irmãos e irmãs", disse o visitante, conhecido como imã
Talib.

Os homens observavam. Para alguns deles ele parecia um ser de outro planeta. Ao voltar seu olhar para eles, o imã teve uma sensação semelhante. "Eles vivem em outro mundo", ele disse posteriormente.

Apenas 45 quilômetros separam a mesquita de Talib, no Harlem, do Centro Islâmico de Long Island. As congregações que servem -afro-americanos na mesquita da cidade e imigrantes do Sul Asiático e os descendentes de árabes nos subúrbios - representam as maiores comunidades muçulmanas nos Estados Unidos. Por décadas, estes dois mundos muçulmanos permaneceram praticamente separados.

Mas, recentemente, os dois grupos uniram forças. Os muçulmanos negros
começaram a orientar os imigrantes sobre como montar uma campanha de direitos civis. Os muçulmanos nascidos no exterior estão dando aos
afro-americanos papéis de liderança em algumas de suas maiores organizações.

"Esta é uma nova experiência na história do Islã", disse Ali S. Asani, um professor de estudos islâmicos da Universidade de Harvard.

Antes dos ataques terroristas de 11 de Setembro, Talib tinha apenas uma
ligação distante com o Centro Islâmico de Long Island. De passagem, ele
conheceu Faroque Khan, um médico de origem indiana que ajudou a fundar a mesquita, mas os dois tinham pouco em comum.

Khan, 64 anos, é um pneumologista gentil que coleciona antiguidades chinesas e aprendeu esqui nas encostas de Vermont. Ele é um americano de primeira geração.

Mas na turbulência que se seguiu ao 11 de Setembro, o imã e o médico se
viram inesperadamente aliados. "Quanto mais separados permanecermos, mais alvos nos tornaremos", disse Khan.

Após Talib ter falado na mesquita naquela noite, ele se sentou no chão ao lado de Khan, que vestia um blazer. Enquanto ambos comiam espetinhos, o presidente da mesquita, Habeeb Ahmed, corria. Os membros da congregação tinham doado US$ 10 mil à mesquita de Talib.

"Alhamdulillah", disse o imã. Louvado seja Deus.

Nunca Talib tinha arrecadado tanto para seu grupo em uma única noite. George El Khouri Andolfato

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