UOL Notícias Internacional
 

13/03/2007

No México, Bush busca reforçar aliança desconfortável

The New York Times
James C. McKinley Jr.

em Mérida, México
Apenas poucos dias antes da chegada do presidente Bush, nesta segunda-feira (12/3), para negociações bilaterais, o Ministério das Relações Exteriores mexicano enviou uma nota diplomática furiosa aos Estados Unidos para um assunto tão frívolo que era quase cômico.

A nota se queixava de que agentes da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos tinham cruzado a fronteira e avançado alguns metros México adentro para apagar um incêndio no mato, que estava se espalhando rapidamente. "Mesmo em situações de emergência, as autoridades mexicanas devem ser notificadas imediatamente, sem exceção", dizia a nota.

O incidente ilustra quão sensíveis se tornaram as relações entre os Estados Unidos e o México durante a presidência de George Bush e indica para a dificuldade que o presidente enfrentará, à medida que tenta nesta visita ressuscitar o que muitos mexicanos consideram uma parceria moribunda.

O relacionamento praticamente estagnou nos últimos anos, à medida que Bush fracassou em cumprir a promessa de uma mudança nas leis de imigração para permitir mais trabalhadores convidados, enquanto os conservadores em seu partido buscam medidas mais duras para controlar a fronteira, entre elas um muro gigante. O sentimento antiamericano é alto aqui, com mais da metade de 1.000 pessoas entrevistadas em uma recente pesquisa da "BBC" dizendo que consideram a influência dos Estados Unidos no mundo como principalmente negativa. A margem de erro era de 2,8%. "Muito do que meu presidente buscará em Mérida é um senso de propósito renovado", disse um alto diplomata mexicano.

Para os Estados Unidos, há mais em jogo nas negociações com o presidente Felipe Calderón, um defensor conservador do livre comércio, do que o possível progresso em uma antiga lista de atritos entre os dois vizinhos: o tráfico de drogas, barreiras comerciais, segurança na fronteira e migração ilegal.

Também está em jogo se Calderón estará disposto ou poderá se tornar um contrapeso pró-americano a Hugo Chávez, o líder populista de esquerda da Venezuela, que está usando a riqueza do petróleo de seu país para minar a influência americana na América Latina.

Mas por motivos político, Calderón está relutante em se tornar o porta-estandarte anti-Chávez em público. Ele disse em uma recente entrevista para a agência de notícias "The Associated Press": "Eu não estou interessado em assumir com Bush um papel neste assunto".

Seus assessores disseram que ele deseja se reabilitar com os antagonistas dos Estados Unidos, Cuba e Venezuela, assim como com o restante da América Latina. "Os Estados Unidos terão muito que fazer para reconquistar o respeito na América Latina", ele disse.

Ainda assim, Calderón continua sendo o melhor candidato dos Estados Unidos no momento para forte aliado na América Latina. Gordon D. Johndroe, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, disse que o propósito principal da visita de Bush ao México foi "demonstrar apoio e confiança na agenda estabelecida pelo presidente Calderón".

"Ele é certamente um importante líder regional que está fazendo as escolhas políticas certas", disse Johndroe.

Um problema para Bush é que ele é um presidente "pato manco" (enfraquecido) enfrentando um Congresso controlado pela oposição. Ele parece ter pouco a oferecer a Calderón além de um aperto de mão e uma foto diante de ruínas maias, disseram analistas políticos.

O presidente mexicano adoraria ver aprovado um projeto de imigração abrangente, que permitiria que mais migrantes trabalhassem temporariamente nos Estados Unidos e que ofereceria cidadania a muitos dos 6,4 milhões de trabalhadores ilegais que já estão lá. É improvável que Bush possa lhe dar isto agora, dadas às divisões dentro de seu próprio partido em torno da questão e a proximidade da eleição presidencial, disseram analistas políticos. George El Khouri Andolfato

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