UOL Notícias Internacional
 

15/03/2007

Hillary Clinton diz que manterá algumas tropas no Iraque além de 2009

The New York Times
Michael R. Gordon e Patrick Healy

em Washington
A senadora Hillary Rodham Clinton prevê que "as forças armaras, assim como uma missão política" permanecerão no Iraque, e diz que, se eleita presidente, ela manterá uma força militar reduzida, mas significativa, naquele país para combater a Al Qaeda, impedir a agressão iraniana, proteger os curdos e possivelmente apoiar as forças armadas iraquianas.

Stephen Crowley/The New York Times 
Ao contrário do que tem dito em campanha, Hillary defende permanência dos EUA no Iraque

Em uma entrevista de meia hora em seu gabinete no Senado, na terça-feira (13/3), Hillary Clinton disse que a força militar americana reduzida que ela manteria ficaria fora das ruas de Bagdá e não mais tentaria proteger os iraquianos da violência sectária - mesmo se mergulhasse em uma limpeza étnica.

Ao esboçar como lidaria com o Iraque como chefe de Estado, Hillary articulou uma posição mais cheia de nuances do que a que apresentou em seus eventos de campanha, nos quais tem apoiado a meta de "trazer as tropas para casa". Ela disse na entrevista que ainda há "interesses de segurança nacional vitais no Iraque" que exigiriam a continuidade da presença de tropas americanas.

A segurança dos Estados Unidos seria minada caso partes do Iraque se transformassem em um Estado fracassado "que serve como uma cultura de rebeldes e da Al Qaeda", disse Hillary Clinton. "Está bem no coração da região do petróleo", ela disse. "Está em oposição direta aos nossos interesses, aos interesses dos regimes, aos interesses de Israel."

"Então caberá a mim tentar imaginar como proteger estes interesses de segurança nacional e continuar retirando nossos soldados desta guerra urbana, que eu considero um fracasso", acrescentou Hillary. Ela se recusou a estimar o número de soldados americanos que manteria no Iraque, dizendo que buscaria o conselho dos oficiais militares que executariam a estratégia.

Os planos de Hillary Clinton possuem algum risco político. Apesar de ser extremamente crítica da forma como o governo Bush conduz a guerra, alguns democratas liberais nutrem profundas suspeitas das intenções dela no Iraque, dado que ela votou em 2002 pela autorização do uso da força lá e, diferente de alguns de seus rivais pela indicação democrata, não pediu desculpas por tê-lo feito.

Também é provável que a proposta de Hillary Clinton provoque debate entre especialistas militares. Alguns especialistas em contra-insurreição dizem que o plano é irrealista porque os iraquianos dificilmente fornecerão dicas úteis sobre a Al Qaeda em caso de uma menor interação entre as tropas americanas e a população iraquiana, assim como o fim de seus esforços para proteção dos bairros iraquianos.

Mas um ex-funcionário do Pentágono argumentou que tal abordagem minimizaria as baixas americanas e tornaria politicamente mais fácil sustentar uma presença militar de longo prazo, que poderia impedir a disseminação do combate por toda a região.

Hillary disse que votará a favor da resolução democrata sobre o Iraque que atualmente está em debate no plenário do Senado, que estabelece uma meta de retirada das forças de combate até 31 de março de 2008. Ao ser questionada sobre a consistência de seu plano com a resolução, Hillary e seus assessores disseram que é consistente, notando que a resolução também pede a permanência de "um número limitado" de soldados no Iraque para proteção da embaixada americana e outras pessoas, para treinar e equipar as forças iraquianas e conduzir "operações específicas de contraterrorismo".

Com muitos eleitores democratas nas primárias a favor de uma retirada total do Iraque, Hillary parece estar tentando equilibrar seus próprios interesses políticos de curto prazo com a necessidade de reter certa flexibilidade para lidar com as complexidades do Oriente Médio. Como outros candidatos democratas, ela pede pela participação do Irã e da Síria nas discussões e pediu para o presidente Bush reverter seu aumento de tropas.

Mas apesar de Hillary ter criticado o reforço de tropas de Bush como uma escalada da guerra, ela disse na entrevista que "nós estamos fazendo isto, e dificilmente poderemos impedir". "Eu torço para que tenha alguma chance de sucesso", ela disse sobre o plano de Bush, "mas acho que é mais provável que a violência antiamericana e a violência sectária apenas se deslocarão de um lugar para outro, como no antigo "Whac a Mole" (jogo de bater na toupeira que sai da toca). Limpe alguns bairros em Bagdá e então terá que ir a Ramadi. Limpe Ramadi, então talvez volte a Fallujah".

Hillary Clinton deixou claro que acredita que o próximo presidente provavelmente enfrentará um Iraque ainda atormentado por violência sectária e ocupado por um número considerável de tropas americanas. Os prováveis problemas, ela disse, incluem a continuidade dos desentendimentos políticos em Bagdá, os rebeldes sunitas, os agentes da Al Qaeda, a ansiedade turca em relação aos curdos e o esforço para "impedir o Irã de cruzar a fronteira e ter influência demais dentro do Iraque".

"As opções que alguém enfrentará não são nem boas e nem ilimitadas", ela disse. "E do ponto de vista de onde estou no momento, eu posso dizer, na ausência de um esforço diplomático muito vigoroso na frente política e na frente regional e internacional, eu acho improvável que será herdada uma situação estável."

Na trilha de campanha, Hillary prometeu repetidas vezes conduzir a guerra a um final se os combates ainda estivessem em andamento no momento em que assumisse a presidência. "Se nós no Congresso não encerrarmos esta guerra antes de janeiro de 2009, eu, como presidente, encerrarei", ela tem dito.

Na entrevista, Hillary sugeriu que é provável que o combate entre os iraquianos continue por algum tempo. Em termos gerais, sua estratégia é abandonar o esforço militar americano de deter a violência sectária e se concentrar em tentar impedir que o conflito se espalhe pela região, encolhendo e redistribuindo as tropas americanas dentro do Iraque.

A idéia de reposicionamento das forças americanas para minimizar as baixas americanas, desencorajar uma intervenção iraniana, síria ou turca e impedir que os curdos declarem independência não é nova. Ela foi defendida por Dov S. Zakheim, que serviu como superintendente do Pentágono sob o ex-secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld. Zakheim estimou que não mais que 75 mil soldados seriam necessários, em comparação aos aproximadamente 160 mil soldados que os Estados Unidos terão no Iraque quando as brigadas adicionais do plano de Bush forem enviadas.

Apesar de Hillary ter se recusado a estimar o tamanho da presença residual de tropas americanas, ela indicou que elas poderiam ficar baseadas no norte de Bagdá e no oeste da província de Anbar. "Seriam bem menos tropas", ela disse. "Mas o que podemos fazer é pegarmos uma linha ao norte de... entre Bagdá e Kirkuk, e basicamente posicionarmos nossas tropas naquela região, aquelas que permanecerão para nossa missão antiterrorismo, para a missão de apoio ao norte, para nossa capacidade de responder aos iranianos, para continuar fornecendo apoio, quando requisitado, aos iraquianos."

Hillary Clinton descreveu uma missão com sérias restrições. "Nós não faríamos patrulhas", explicou. "Nós não chutaríamos portas. Nós não tentaríamos nos inserir no meio das várias facções xiitas e sunitas. Eu não acho que esta é uma missão inteligente ou realizável para as forças americanas."

Uma dúvida levantada por especialistas em contra-insurreição é se uma missão militar mais limitada, como a defendida por Hillary, levaria a uma maior escalada da luta sectária, porque transferiria todo o fardo da proteção dos civis para as nascentes Forças de Segurança Iraquianas. Uma Avaliação Nacional de Inteligência apresentada em janeiro disse que tais forças seriam altamente pressionadas a assumir responsabilidades significativamente maiores nos próximos 12 a 18 meses.

"As capacidades da coalizão, incluindo suas forças, recursos e operações, continuam sendo um elemento essencial de estabilização no Iraque", notou a avaliação, se referindo às forças lideradas pelos Estados Unidos.

Hillary disse que a avaliação de inteligência foi baseada em uma "premissa falha", porque não levou em consideração o tipo de plano de "redistribuição gradual" que ela defende. Mas ela reconheceu que segundo sua estratégia, as tropas americanas permaneceriam espectadoras virtuais caso xiitas e sunitas decidam matar uns aos outros em ataques sectários. "Isto poderá ser inevitável", ela disse. "E certamente poderá ser a única forma de concentrar a atenção das partes."

Ao ser questionada sobre se os americanos suportariam ter tropas no Iraque que não fazem nada para impedir os ataques sectários no país, ela respondeu: "Olha, eu acho que o povo americano está cheio do Iraque. Eu acho que ele está em um ponto onde, independente de acharem que foi uma boa idéia ou não, ele já viu julgamentos incorretos e erros atrás de erros, de forma que sua postura é: 'O que isto nos traz? O que isto está fazendo por nós?'"

"Ninguém quer ficar sentado assistindo a assassinatos em massa", acrescentou Hillary. "Está acontecendo diariamente. Milhares de pessoas estão morrendo todo mês no Iraque. Nossa presença lá não está impedindo. E não há oportunidade potencial que eu possa imaginar na qual será capaz. Este é um problema iraquiano; nós não podemos salvar os iraquianos de si mesmos. Se tivéssemos adotado uma postura diferente quando entramos lá, se tivéssemos impedido os saques imediatamente, se tivéssemos afirmado nossa autoridade - mas é tudo se, se, se..." George El Khouri Andolfato

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