UOL Notícias Internacional
 

15/03/2007

Painel israelense sobre a guerra do Líbano deve apresentar relatório interino em abril

The New York Times
Isabel Kershner

em Jerusalém
Um comitê designado pelo governo para examinar os erros cometidos por Israel durante a guerra do Líbano no verão passado anunciou que divulgará um relatório interino entre meados e final de abril, apontando a responsabilidade de autoridades graduadas, e fazendo com que aumentem as incertezas quanto ao futuro do sitiado primeiro-ministro Ehud Olmert e do seu governo.

O comitê, liderado por um juiz aposentado, Eliyahu Winograd, anunciou as suas intenções na última terça-feira, afirmando que o relatório deverá incluir "conclusões individuais referentes à responsabilidade pessoal do primeiro-ministro, do ministro da Defesa e do chefe do Estado-Maior do Exército".

Isso gerou uma onda de debates sobre a possibilidade de o governo não concluir o seu mandato, que deverá terminar daqui a três anos. O general Dan Halutz, o chefe do Estado-Maior durante a guerra, renunciou em janeiro.

Na Faixa de Gaza, após reuniões entre o presidente palestino, Mahmoud Abbas, do Fatah, e o primeiro-ministro, Ismail Haniya, do Hamas, cada um dos lados afirmou que o novo governo de união seria revelado até a quinta-feira (15/03) e que ele seria submetido a um voto de confiança no parlamento palestino no sábado. A mídia palestina anunciou que a questão complicada de determinar quem será o ministro do Interior, um cargo importante que controla diversos aparatos de segurança, foi resolvida.

Segundo as notícias da mídia o escolhido para o cargo é Hani Kawasmi, um funcionário público do Ministério do Interior que não pertence a nenhum dos dois partidos.

Ainda nesta quarta-feira (14/3), a Reuters anunciou que em um relatório extra-oficial especialistas da Organização Educacional, Científica e Cultural (Unesco) da Organização das Nações Unidas (ONU) solicitaram a Israel que suspendesse as escavações feitas perto do local mais sagrado para os muçulmanos em Jerusalém, e que só retomassem o trabalho sob supervisão internacional.

As escavações próximas a um sítio religioso que é sagrado tanto para muçulmanos quanto para judeus gerou protestos generalizados dos muçulmanos no mês passado. No entanto, segundo o relatório, as escavações para a construção de uma rua para pedestres foram realizadas segundo padrões profissionais.

Markk Regev, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, disse não ter lido o relatório, mas afirmou que o documento nega que Israel esteja colocando em risco o sítio sagrado para os muçulmanos.

"O relatório confirma fortemente aquilo que temos afirmado continuamente - que aquilo que Israel está fazendo é algo benigno", disse ele. "Se este é o caso, não existe razão para não darmos continuidade à obra". Porém, ele deixou em aberto a possibilidade de um processo intensificado de consultas.

O comitê Winograd não conta com o status legal de uma verdadeira comissão estadual de inquérito. Ele não investigará a responsabilidade legal das autoridades que são alvo de escrutínio e tampouco pedirá a renúncia desses funcionários. Mas o comitê é altamente respeitado quando se trata de criticar o desempenho das figuras políticas e militares de alto escalão durante o conflito de 34 dias, e conta com um peso similar ao de uma comissão estadual aos olhos da população.

"É uma questão de responsabilidade pública", afirma Shlomo Avineri, professor de ciência política da Universidade Hebraica de Jerusalém. "Se a linguagem for muito forte, a crítica criará uma dinâmica própria".

O relatório interino deverá se concentrar no preparo do exército para a guerra, e no processo decisório governamental que levou ao conflito. Também se questiona em Israel se foram traçados objetivos claros para a guerra, e o que foi alcançado, se é que se alcançou alguma coisa.

Após vários dias de guerra, Olmert justificou a campanha militar no Líbano que se seguiu ao seqüestro, em 12 de julho, de dois soldados israelenses e ao assassinato de outros três em uma operação dentro das fronteiras de Israel realizada pelo grupo militante xiita libanês Hezbollah. O Hezbollah respondeu à retaliação israelense bombardeando o norte de Israel com foguetes. "Quando mísseis forem lançados contra nossas residências e cidades, a nossa resposta será a guerra", disse Olmert ao parlamento em 17 de julho.

A mídia israelense anunciou que Olmert afirmou perante o painel Winograd que a decisão teórica, após a tentativa de seqüestro, de responder a qualquer futuro seqüestro perpetrado pelo Hezbollah com uma ampla campanha militar foi tomada quatro meses antes, em março de 2006. Essa versão foi contestada por autoridades políticas e militares que negaram conhecer planos anteriores nesse sentido. Os dois soldados seqüestrados não foram libertados.

Olmert lidera uma sólida coalizão governamental que conta com uma maioria firme no parlamento. Mas ele já está sendo alvo de investigações baseadas em suspeitas de conduta inadequada, e o seu índice de aprovação alcançou o nível mais baixo já registrado para um primeiro-ministro israelense.

O anúncio feito pelo comitê gerou especulações sobre a possibilidade de o Partido Kadima, de Olmert, se unir em torno de um líder caso ele renuncie, ou se fragmentar, com alguns dos seus membros retornando ao Likud. O líder do Likud, Benjamin Netanyahu, aparentemente espera que um número suficiente de membros do Kadima abandone o partido, permitindo que ele forme uma nova coalizão de governo em uma manobra parlamentar, sem que hajam eleições antecipadas. UOL

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