UOL Notícias Internacional
 

16/03/2007

Hamas se alia ao Fatah, mas ajuda ainda é dúvida

The New York Times
Steven Erlanger*

em Jerusalém
O governo palestino liderado pelo Hamas, boicotado pelo Ocidente desde sua eleição há mais de um ano devido ao apoio do Hamas ao terrorismo, anunciou nesta quinta-feira (15/3) uma coalizão de unidade com o mais moderado movimento Fatah, na esperança de colocar fim ao boicote.

Mas o documento político que guia o novo governo não cumpre as três exigências da comunidade internacional - reconhecer Israel, rejeitar a violência e aceitar os antigos acordos entre israelenses e palestinos - e Israel anunciou que, conseqüentemente, não lidará com o novo governo ou qualquer um de seus ministros, seja do Hamas ou não. Espera-se que os Estados Unidos façam o mesmo, mas a União Européia enfrentará um feroz debate interno sobre se manterá seu isolamento dos palestinos.

Miri Eisin, uma porta-voz do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que este continuará a "manter um diálogo com o presidente eleito palestino", Mahmoud Abbas, do Fatah, conhecido como Abu Mazen, "que aceita os três princípios".

Outras autoridades se queixaram de que Abbas fracassou em cumprir sua promessa a Olmert, feita na semana passada, de que um soldado israelense capturado, o cabo Gilad Shalit, seria libertado antes de o novo governo ser formado. "Se Abu Mazen pudesse libertar Shalit ele o faria, mas não pode", disse uma autoridade israelense. "Isto levanta novas dúvidas sobre sua capacidade de cumprir (sua palavra)", o que significa que as discussões de Olmert com ele serão limitadas, disse a autoridade, "à melhoria da qualidade de vida palestina".

O novo governo, ainda liderado pelo primeiro-ministro Ismail Haniya e dominado pelo Hamas, possui algumas figuras moderadas do Fatah e de partidos independentes, incluindo o ministro das Finanças, Salam Fayyad. Ele foi recebido com alívio pelos palestinos comuns, que esperam que o novo governo seja capaz de pagar seus salários e de colocar fim ao conflito interno.

A luta diplomática sobre a canalização ou não de ajuda por intermédio de Fayyad está apenas começando. A atual presidência alemã da União Européia provavelmente apoiará Israel, assim como o Reino Unido.

O ministro francês das relações exteriores, Philippe Douste-Blazy, disse em Paris que o novo governo palestino "poderá abrir uma nova página nas relações com a comunidade internacional". Mas ele também pediu pela libertação imediata de Shalit e pelo fim "de todas as formas de violência contra Israel e seus cidadãos".

O chefe de política externa da União Européia, Javier Solana, disse que a União Européia aguardará para ver a lista do governo que será aprovada pelo Legislativo palestino, esperada para sábado, e o documento político que o rege.

Um porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, disse de forma semelhante que Washington "aguardará até que o governo seja empossado e termos um entendimento de qual será sua plataforma antes de apresentarmos qualquer julgamento final a respeito".

O documento foi lentamente negociado com base em uma declaração de unidade elaborada pelos prisioneiros palestinos nas prisões de Israel e acertado no início de fevereiro, em um encontro em Meca, patrocinado pelos sauditas.

Abbas argumenta que ele cumpre implicitamente as exigências internacionais, pois como chefe da Organização pela Libertação da Palestina, de qualquer forma ele é o único negociador legítimo dos palestinos.

O documento menciona Israel apenas como um ocupador de terras palestinas. Ele não reconhece o direito de existência de Israel e não aceita explicitamente os antigos acordos entre israelenses e palestinos, mas diz que acordos, incluindo os internacionais, serão "respeitados".

E não repudia a violência. Pelo contrário, ele "afirma que a resistência é um direito legítimo do povo palestino". Diz que "suspender a resistência depende do fim da ocupação e da obtenção da liberdade, do retorno e independência", uma referência aos "direitos dos refugiados palestinos de voltar para suas terras e propriedades". As autoridades israelenses chamaram isto de "um passo para trás" em relação ao acordo em Meca.

O documento pede por uma prorrogação do cessar-fogo repetidamente violado entre Israel e os palestinos e por mais discussões sobre como organizar as muitas - e freqüentemente concorrentes - forças de segurança palestinas.

Uma das muitas metas do governo de unidade é colocar fim à luta interna que estourou entre o Hamas e o Fatah nos últimos meses. Em Gaza, um assessor de Abbas, Nabil Abu Rudeineh, disse que as principais metas do governo são "a segurança interna e o fim do sofrimento dos palestinos", obtendo ajuda do exterior para novamente pagar os salários e pôr fim aos confrontos internos. Haniya disse que a principal meta é a "segurança interna".

Em Gaza, Mustafa El Sawaf, um analista político próximo do Hamas, notou a continuidade dos choques entre o Hamas e o Fatah e disse: "É possível dizer que não há consenso palestino sobre o programa. Eu dou seis meses para este governo".

*Taghreed El-Khodary, em Gaza, e Khaled Abu Aker, em Ramallah, contribuíram com reportagem George El Khouri Andolfato

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