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17/03/2007

Tóquio rejeita acusações de escravidão sexual na Segunda Guerra Mundial

The New York Times
Norimitsu Onishi

em Tóquio
O governo do primeiro-ministro Shinzo Abe repetiu nesta sexta-feira (16/3) que não há prova de que os militares japoneses forçaram mulheres à escravidão sexual durante a Segunda Guerra Mundial.

Em uma declaração por escrito endossada pelo Gabinete, o governo se referiu a um estudo do início dos aos 90 e disse que "entre os materiais descobertos, não foi encontrado nada que mostrasse diretamente que os militares ou as autoridades teriam forçado" as mulheres, conhecidas 'eufemisticamente' como "mulheres de conforto".

A declaração foi feita em resposta a um pedido de um legislador da oposição, Kiyomi Tsujimoto, para que Abe explicasse os comentários nos quais negou que os militares coagiram mulheres por toda a Ásia a trabalharem como prostitutas para os soldados japoneses.

Os comentários causaram um furor em toda a Ásia assim como nos Estados Unidos, onde a Câmara dos Deputados está considerando uma resolução simbólica na qual pediria ao Japão para reconhecer e pedir desculpas de forma inequívoca pela escravidão sexual nos tempos de guerra.

O governo declarou que se limitará a declaração de 1993 na qual reconheceu e pediu desculpas pelos maus-tratos brutais às mulheres de conforto cometidos pelo Japão. Mas Abe, que está sob pressão da direita de seu Partido Liberal Democrático para rejeitar a admissão de responsabilidade do Estado da declaração de 1993, disse na semana passada que as mulheres foram coagidas por intermediários particulares.

A declaração de 1993 disse: "O estudo do governo revelou que em muitos casos elas foram recrutadas contra sua vontade, por meio de persuasão, coerção, etc., e que, às vezes, pessoal administrativo/militar participava diretamente dos recrutamentos".

Abe, cujos índices de aprovação despencaram desde que assumiu o governo em setembro passado, disse que o Japão não se desculpará mesmo se uma resolução for aprovada pela Câmara.

Em um encontro com repórteres na sexta-feira, o embaixador americano, J. Thomas Schieffer, disse esperar que o governo "não recuará" da declaração de 1993.

Schieffer descreveu como "testemunhas críveis" ex-mulheres de conforto que testemunharam recentemente no Congresso sobre terem sido coagidas à prostituição pelas autoridades japonesas. "Eu aceito a palavra das mulheres que testemunharam", disse. Ele acrescentou: "Eu acho que elas foram coagidas a praticarem prostituição. Isto significa que foram estupradas pelos militares japoneses naquele momento. Eu acho que aconteceu e acho que foi uma coisa lamentável, terrível, que aconteceu. Eu acho que os eventos falam por si só".

Um grupo de legisladores conservadores do Partido Liberal Democrático lidera esforços para atenuar a declaração de 1993 e planeja realizar uma nova investigação da questão das mulheres de conforto. Abe, um membro fundador de tal grupo nos anos 90, disse que o governo cooperará com a nova investigação fornecendo documentos. George El Khouri Andolfato

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