UOL Notícias Internacional
 

17/03/2007

Trocando de lugar com visitantes, prisioneiros fogem de prisão britânica

The New York Times
Alissa J. Rubin*

em Bagdá, Iraque
Dez prisioneiros em uma prisão militar britânica em Basra realizaram um plano de fuga audacioso nos últimos dias: eles trocaram de lugar com visitantes, disseram autoridades britânicas nesta sexta-feira (16).

Um 11º detido está desaparecido, mas ninguém parece tê-lo substituído, disseram as autoridades britânicas. A prisão fica nos arredores de Basra, em uma das bases britânicas na área.

A fuga veio à tona na quinta-feira, quando ficou evidente que "uma pessoa não era quem dizia ser", disse o porta-voz. Os militares começaram a investigar e descobriram que nove outros detidos também tinham sido substituídos. Os verdadeiros saíram andando pela porta, aparentemente após trocarem de roupa com seus substitutos voluntários, disseram oficiais britânicos.

As substituições foram cuidadosamente planejadas e os impostores "estavam extremamente bem preparados", disse o porta-voz, que falou sob a condição de anonimato. "Eles se pareciam", ele disse. "Eles sabiam as histórias das pessoas que estavam substituindo. Foi um esforço bastante sofisticado, cuidadosamente planejado."

Como nenhum dos presos que escaparam tinha sido indiciado por crime, os militares britânicos não deram quaisquer detalhes sobre seus casos ou sobre a instalação na qual estavam detidos, incluindo seu tamanho ou há quanto tempo os presos estavam lá.

Oficiais britânicos disseram que estão sendo rígidos o máximo possível dentro das diretrizes de direitos humanos da Convenção de Genebra, mas que quando os presos recebiam visitas, havia pouco monitoramento.

"Eles têm direito a um grande número de visitas e não temos direito de ficar próximos deles quando estão sendo visitados", disse o porta-voz. Ainda não houve decisão sobre como proceder com os impostores, mas provavelmente serão indiciados de terem auxiliado na fuga, disse o porta-voz militar.

"Eu temo que haja pessoas lá dentro que não deveriam estar", ele disse. "Nós estamos muito descontentes com tudo isto."

Milhares de iraquianos são mantidos em instalações americanas e britânicas no Iraque, aguardando determinação sobre se serão acusados de crimes. Alguns estão detidos há mais de dois anos.

Por todo o Iraque, 12 corpos foram encontrados na sexta-feira: nove na província de Diyala e três em Kirkuk, segundo informes da polícia local e do Ministério do Interior. Na quinta-feira, os corpos de cinco pessoas foram encontrados em Tikrit, incluindo duas mulheres e dois policiais. Todos foram mortos a tiros.

Um caminhão-tanque explodiu na noite de sexta-feira, perto de Ameriya al-Fallujah, nos arredores da cidade de Fallujah, a oeste de Bagdá, segundo o noticiário da TV por satélite Al Arabiya. A reportagem descreveu a explosão como um ataque terrorista e disse que três pessoas morreram e 79 ficaram feridas. Não foi possível verificar a notícia e havia poucos detalhes.

O Exército americano anunciou na sexta-feira que estava acelerando o envio de mais 2.600 soldados de uma unidade de aviação de combate ao Iraque. Eles fazem parte das tropas de apoio que o Pentágono disse serem necessárias para apoiar as tropas de combate adicionais que o presidente Bush enviou à região.

O secretário de Defesa, Robert M. Gates, aprovou o envio dos soldados, que fazem parte da brigada de aviação de combate da 3ª Divisão de Infantaria do Exército, 45 dias antes do planejado, o que significa que irão por volta de maio, oficiais disseram aos repórteres no Pentágono.

Dezenas de milhares de manifestantes se reuniram no vasto distrito de Sadr City, em Bagdá, para protestar contra ao posicionamento de tropas americanas ao bairro. Uma manifestação semelhante foi planejada para a cidade de Hilla, ao sul de Bagdá, mas foi impedida por um toque de recolher imposto pelo governo.

As objeções, que ocorrem após quase duas semanas nas quais simpatizantes do clérigo antiamericano Muqtada Al Sadr pareciam ter aprovado tacitamente o estabelecimento de centros de segurança para tropas iraquianas e americanas, parecem ter sido causadas por um ataque que feriu gravemente o prefeito de Sadr City, na quinta-feira.

Após as orações de sexta-feira, o dia de oração dos muçulmanos, as multidões de Sadr City cantaram: "Nós juramos por Deus que queimaremos suas bases se as instalarem" e carregavam bandeiras que diziam "Abaixo, abaixo os EUA".

Al Sadr enviou uma declaração aos seus seguidores pedindo para que protestassem contra a presença americana. "Estou certo que vocês os consideram como inimigos", dizia a declaração, que pedia aos seus seguidores que gritassem: "Não, não a América. Não, não a Israel. Não, não a Satã".

Mas o tom era bem menos furioso do que durante as outras vezes que Al Sadr convocou oposição às forças armadas. Em vez disso, a declaração parecia mais um esforço do clérigo para se distanciar do plano de segurança sem fazer qualquer esforço substancial para miná-lo.

Também na sexta-feira, Saddoun Humadi, um dos xiitas mais importantes do governo de Saddam Hussein, morreu na Jordânia, segundo o noticiário jordaniano. Humadi, um ex-primeiro-ministro e presidente do Parlamento iraquiano, foi preso pelos Estados Unidos após a guerra, mas foi libertado posteriormente e seguiu para a Jordânia.

*Michael R. Gordon, em Washington, e funcionários do "The New York Times" em Diyala, Kirkuk, Hilla e Bagdá contribuíram com reportagem George El Khouri Andolfato

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