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18/03/2007

Mercados emergentes: os 'bad boys' do investimento cresceram

The New York Times
Conrad De Aenlle
Os mercados emergentes têm uma reputação de serem os "bad boys" do investimento. Eles podem ser voláteis e autodestrutivos, mas há algo sedutor em sua qualidade inacabada, durona e no potencial de crescimento, algo que faz com que os investidores sempre voltem.

Mas muitos desses mercados demonstraram nas últimas semanas turbulentas que não são mais crianças. Eles evitaram mais quedas ou oscilações do que os mercados ocidentais, uma exibição de maturidade que seria inimaginável há uma década.

Se certos mercados -em locais como Cingapura, Hong Kong, Coréia do Sul, Brasil e Chile- evoluíram a ponto de estarem mais emergidos do que emergentes, isso pode torná-los mais atraentes, mesmo que menos empolgantes.

Especialistas em investimento internacional atribuem a recente estabilidade no que poderia ser chamado de mercados pós-emergentes ao nivelamento das condições econômicas promovidas pela expansão do comércio conhecida como globalização.

"Muitos desses países estão em boa forma econômica", disse Arjun Divecha, gerente do fundo GMO Emerging Market. "Eles possuem reservas imensas de moeda estrangeira e superávits comerciais. As taxas de juros são relativamente baixas, e o endividamento nacional e corporativo é pequeno."

Os governos em muitos países à beira do status de desenvolvido estão fazendo aquela que pode ser a melhor coisa para suas economias: nada ou muito menos.

"A intervenção diminuiu acentuadamente, e foi permitido que o capitalismo prevalecesse", disse Divecha.

Thomas Mengel, gerente do fundo Ivy International Core Equity, igualmente considera que "muitos desses países emergentes estão em uma posição financeira muito mais saudável do que antes".

À medida que os mercados continuam a amadurecer, a diferença em relação aos mercados ocidentais encolherá, aumentando os retornos, ele previu. "Ao longo dos próximos cinco anos, à medida que esses países continuarem se tornando mais resistentes, nós veremos mais expansão" na multiplicação dos ganhos, apesar de ter alertado que "a curto prazo, as coisas sempre podem mudar".

O que mudou no último mês é que as ações nos mercados pós-emergentes se tornaram mais baratas. Algumas poucas ações que Mengel disse considerar mais interessantes incluem a Samsung Electronics e o Kookmin Bank na Coréia do Sul.

Ele também destacou empresas em mercados que ainda precisam atingir o estágio pós-emergente, como o Sina, o portal de Internet chinês, e duas empresas de tecnologia indianas: Satyam e Infosys.

Outras beneficiárias do florescimento dos ex-mercados emergentes são as empresas ocidentais que estão realizando negócios aquecidos neles. Entre as favoritas de Mengel, estão a Vossloh, uma empresa alemã que está realizando um trabalho extenso no sistema ferroviário da China; a Nestlé, a produtora suíça de alimentos; e o conglomerado alemão Siemens.

Uma conseqüência dos mercados pós-emergentes para os administradores de portfólio é que eles permitem comparações entre empresas de destaque nestas economias e seus pares no Ocidente e Japão, disse Arjun Jayaraman, um gerente de fundo na Causeway Capital Management, uma firma especializada em mercados estrangeiros de ações.

Freqüentemente, disse, as empresas apresentam melhor aspecto em mercados recém-amadurecidos. Dois exemplos são a Samsung Electronics e outra empresa coreana, a Pohang Iron and Steel.

"A Posco e a Samsung são empresas de classe mundial", disse Jayaraman. "As ações da Samsung são menos valorizadas do que as da maioria das empresas japonesas, e ela é uma empresa melhor em muitos aspectos. É uma forma barata de obter exposição ao setor de tecnologia asiático."

A Samsung oferece um melhor valor do que a Sony, disse. O mesmo vale para a Posco quando comparada à Nippon Steel e à produtora de aço alemã ThyssenKrupp.

Mas as ações nos mercados pós-emergentes nem sempre são as melhores opções. Montadoras como Hyundai progrediram muito, segundo ele, mas ainda prefere a Toyota, uma empresa que ele diz produzir carros melhor do que a Sony produz aparelhos eletrônicos.

Qualquer um que sobreviveu à adolescência sabe que os problemas não desaparecem. Você só obtém uma série de problemas novos. Os mercados pós-emergentes e seus campeões corporativos podem se tornar menos suscetíveis a turbulências políticas e econômicas do mundo emergente, mas podem ficar mais vulneráveis às fraquezas econômicas mundiais e à pressão de novos rivais comerciais.

Ainda assim, sua recente resistência, valorizações modestas e forte curva de aprendizado sugerem que suportarão melhor do que antes quando ocorrerem os choques e decepções inevitáveis. George El Khouri Andolfato

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