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21/03/2007

Astro em novo papel, Gore revisita velho palco

The New York Times
Mark Leibovich e Patrick Healy

Em Washington
Da última vez em que Al Gore apareceu publicamente dentro do Capitólio federal, ele estava certificando a vitória de George W. Bush no Colégio Eleitoral. Ele volta nesta quarta-feira (21/3), um perdedor de partir o coração transformado em ganhador do Oscar, candidato ao Nobel, uma eminência multimilionária da cultura pop que percorre o mundo.

Doug Mills/ The New York Times 
Al Gore diz que sua volta ao Capitólio é como a volta de um ex-alcoólatra ao bar do bairro

Para Gore, que chama a si mesmo de "político em recuperação", voltar ao Capitólio é semelhante a um ex-alcoólatra voltando ao bar do bairro. Ele fará, muito provavelmente, seu discurso favorito sobre como a "vontade política é um recurso renovável" e como combater o aquecimento global é "o maior desafio na história da humanidade". Ele confrontará um de seus detratores mais fervorosos, o senador James M. Inhofe, republicano de Oklahoma, que desdenha Gore como um alarmista.

Ele também abraçará velhos amigos, posará (ou não) para fotos de celulares e saudará a legião de discípulos da mudança climática que seguem o "Goracle" (Goráculo) como um sábio contemporâneo.

E, é claro, responderá perguntas sobre se planeja concorrer à presidência em 2008, às quais já respondeu que não milhões de vezes, mesmo que nunca de forma definitiva. Na terça-feira (20) em um hotel em Washington, onde Gore falou para um grupo de investidores institucionais, ele foi pressionado. "Concorra, Al, concorra", gritou um participante atrás do ex-vice-presidente enquanto seguia por um corredor, uma saudação que se tornou tão familiar quanto "oi".

Em quase todo lugar em que vai atualmente, Gore é recebido com a agitação associada a um estadista. Seu cabelo está penteado para trás de forma a acentuar sua nova face. No hotel, o sorriso permanente de Gore transformou seus olhos em fendas estreitas enquanto abria caminho até o salão de baile. Depois, ele aceitou sua habitual ovação em pé, saiu pela porta dos fundos e embarcou em um Lincoln Town Car, parecendo quase presidencial.

Em uma breve entrevista por telefone na noite de terça-feira, Gore disse estar ansioso para aparecer perante a Câmara e o Senado, apesar de já ter recusado convites no passado. Há, disse ele, "uma tradição não escrita" de que ex-presidentes e vice-presidentes testemunham apenas raramente perante o Congresso. Ele aceitou desta vez devido à conquista da Câmara e Senado pelos democratas e ao que chama de "uma nova determinação de lidar com este assunto", a mudança climática.

"A mãe natureza é uma testemunha poderosa e está enviando mensagens bastante poderosas que as pessoas estão ouvindo", disse Gore.

E repetiu que não tem planos de concorrer à presidência.

Não que isto impeça qualquer um de especular ou torcer. Apesar de Gore ter dito não ter intenção de concorrer à presidência, "eu não acho que ele tenha fechado tal porta", disse Laurie David, a produtora de "Uma Verdade Inconveniente", o documentário vencedor do Oscar sobre aquecimento global estrelado por Gore, "apesar disto poder ser apenas um desejo da minha parte".

A perspectiva de outra campanha de Gore fornece munição para os críticos atacarem seus motivos. "Ele sente que o aquecimento global é sua passagem para a Casa Branca", disse Inhofe, o líder da bancada republicana no Comitê de Meio Ambiente e Obras Públicas do Senado.

Gore é rápido em exibir exasperação diante da constante especulação sobre seu futuro político. Mas amigos também dizem que parte dele claramente a aprecia, mesmo que apenas para atrair atenção para sua cruzada de mudança climática.

Desde que apareceu na cerimônia de entrega do Oscar no mês passado, Gore já cruzou o Atlântico duas vezes em uma blitz de palestras, algumas que lhe renderam valores de seis dígitos. Em maio, ele promoverá seu novo livro, "The Assault on Reason" (o ataque à razão), rotulado na cópia promocional como "uma análise visionária de como a política do medo, sigilo, clientelismo e fé cega estão associados à degradação da esfera pública para criar um ambiente perigosamente hostil à razão".

Hassan Nemazee, um arrecadador de fundos para Gore em 2000 e um amigo deste e de sua esposa, Tipper, foi anfitrião de um jantar com eles no ano passado e lembrou de Gore ter expressado seu desdém pela "paspalhice da política" - as intermináveis arrecadações de fundos, o fingimento repetitivo, as tocaias entre agentes. "É difícil imaginar que um retorno à política os deixaria mais felizes do que estão agora", disse Nemazee. George El Khouri Andolfato

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