UOL Notícias Internacional
 

21/03/2007

Uma jornada que chegará ao fim e terminará com uma badalada

The New York Times
Michael Schwirtz

Em Moscou
Os sinos da Lowell House em Harvard - uma parte tão importante da tradição da universidade que possuem até mesmo sua própria sociedade de sineiros - logo retornarão ao mosteiro russo ao qual pertenciam antes de serem vendidos, há mais de 70 anos.

A Igreja Ortodoxa russa e a universidade anunciaram um acordo final nesta terça-feira (20/3) para transferência no próximo ano dos sinos ao Mosteiro Danilov, a residência do patriarca russo, após a conclusão do conjunto substituto para Harvard.

Sergei Kivrin/The New York Times 
Os sinos russos ganharam, com o passar dos anos, importância quase sagrada em Harvard

Os sinos se tornaram um símbolo do ressurgimento da Igreja Ortodoxa e seu esforço, assim como o da Rússia, de reclamar sua antiga glória. "Os sinos não são apenas testemunhas, mas vítimas da história", disse o patriarca, Aleksy 2º, durante a cerimônia de assinatura no mosteiro, que foi fundado no século 13. "Eles são símbolo da independência, grandeza e identidade de nosso povo."

Mas ao longo dos anos, os sinos - o mais antigo fundido há 325 anos - também ganharam uma importância quase sagrada em Harvard, onde se tornaram um elemento da identidade da Lowell e fonte de trotes, incluindo um aplicado em Franklin D. Roosevelt. (Ele foi levado a acreditar que os sinos seriam dedicados a ele.)

Após Stalin ter silenciado os sinos e os monges de Danilov terem sido mortos, um diplomata americano, Charles R. Crane, comprou os sinos do governo soviético e os doou para a universidade em 1930. Dezessete dos sinos estão na Lowell House e os demais, que também serão devolvidos, estão na Escola de Administração de Harvard.

A Igreja Ortodoxa tem buscado a devolução dos sinos desde que as autoridades soviéticas autorizaram a reabertura do Mosteiro Danilov em 1983. As negociações entre representantes da Igreja, do governo e de Harvard se intensificaram nos últimos anos, após a universidade ter concordado em estudar a cara e difícil tarefa de remover os sinos da torre da Lowell House, construída especificamente para abrigá-los.

Aleksy 2º disse estar feliz por seus convidados de Harvard terem podido "sentir este pedaço da alma russa". Mas falando metaforicamente mais adiante na cerimônia, ele disse que há "uma necessidade de devolver as pedras para o local de onde foram atiradas".

Sean T. Buffington, o reitor-adjunto de artes e cultura de Harvard que representou a universidade na cerimônia de assinatura, disse: "Há sempre tristeza quando você devolve algo que é tão importante a você". Mas, acrescentou, "nós estamos orgulhosos em devolvê-los".

No início desta semana, Buffington visitou a fundição em Voronezh, a cerca de 480 quilômetros de Moscou, para inspecionar a obra nos novos sinos de Harvard. Ele disse que ficou "assombrado com a beleza dos sinos substitutos", e disse que ultrapassa a dos originais.

Agora começa a difícil tarefa de remover os sinos da torre da Lowell House, onde badalavam aos domingos e em eventos como formaturas. O projeto para remoção dos sinos começará em meados de 2008, com a esperança de devolvê-los à Rússia até agosto daquele ano, disse Buffington.

Viktor F. Vekselberg, um proeminente empresário russo que também estava presente na cerimônia, concordou em financiar todo o projeto, apesar de ter se recusado a comentar seu custo. "Um símbolo espiritual não pode ser medido em termos de dinheiro", disse. George El Khouri Andolfato

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