UOL Notícias Internacional
 

22/03/2007

China enfrenta dilema em políticas demográficas e de aposentadoria

The New York Times
Howard W. French

Em Xangai, China
Quando Chen Rui chegou aos 50, idade de aposentadoria para muitas mulheres aqui, a contadora imediatamente fez o que milhões de pessoas de sua geração passaram a fazer: procurou um novo emprego.

Enquanto a segunda carreira é comum no Ocidente e freqüentemente uma chance de satisfazer ambições antigas, para largos números de chineses urbanos, como a viúva Chen, conseguir mais uma ou duas décadas de trabalho pago é uma questão de sobrevivência.

Neste sentido, Chen não está sozinha.

 Ryan Pyle/The New York Times 
Chen é mãe de uma única filha, um legado da forte política de controle populacional

A proporção de idosos está crescendo mais rápido na China do que em qualquer outro grande país, e o número de aposentados deve dobrar entre 2005 e 2015, quando possivelmente atingirá 200 milhões. Em meados do século, de acordo com projeções da ONU, aproximadamente 430 milhões de pessoas - cerca de um terço da população - estarão aposentadas.

Esse aumento imporá enormes demandas nas finanças do país e pode ameaçar a base da economia chinesa, que prosperou por décadas com a mão-de-obra barata de centenas de milhões de jovens trabalhadores de baixa escolaridade vindos do campo. Mudanças na estrutura da população estão ocorrendo junto com mudanças na estrutura da família chinesa. A política populacional da China de apenas um filho, que começou nos anos 80, significa que, a partir da atual geração de jovens adultos, os casais terão a tarefa difícil de cuidar de quatro pais durante a velhice.

Pela mesma moeda, a razão entre trabalhadores e aposentados vai cair de cerca de seis para um atualmente para cerca de dois para um até 2040.

Sob o atual sistema, a idade de aposentadoria para trabalhadores de colarinho azul urbanos é de 50 para mulheres e 55 para homens, enquanto profissionais de maior gabarito e funcionários do governo aposentam-se com 55 e 60, respectivamente. Obviamente elevar a idade de aposentadoria aliviaria uma substancial pressão do sistema. Mas não há planos para essa medida, que criaria outra ordem de problemas para o governo, segundo especialistas.

No ano passado, por exemplo, 4,13 milhões de jovens chineses graduaram-se das universidades, e 30% deles ainda estão desempregados. O desemprego também é alto entre os que não têm terceiro grau. Prolongar o emprego dos mais velhos agravaria essa situação, possivelmente com conseqüências voláteis.

Romper a promessa da vida toda e abruptamente estender a idade de aposentadoria criaria outra grande classe de descontentes. Assim, o governo não conseguiu chegar a um consenso sobre como lidar com o problema, o que está deixando pessoas como Chen em uma situação cada vez mais difícil.

Como a maior parte das mulheres de sua idade, Chen é mãe de uma única filha, um legado da forte política de controle populacional do país. Isso significa que, com uma pobre pensão do governo e apenas uma filha para ajudá-la, ela terá que cuidar de si mesma em sua velhice.

"Estou economizando dinheiro para o dote da minha filha e para mim mesma, quando ficar velha", disse Chen, que agora trabalha em uma pequena empresa, com vários homens. "Minha filha prometeu cuidar de mim depois que se casar, mas eu não quero ser um peso para um jovem casal. De qualquer forma, não é fácil para dois jovens tomarem conta de quatro pais velhos."

A situação que a China se encontra gera uma questão freqüente: Será que o país consegue ficar rico antes de ficar velho? Cada vez mais, especialistas aqui dizem que a resposta, que também tem enormes implicações para a economia global, parece duvidosa.

Em sua corrida para modernizar-se, a China reconstruiu sua economia, abrindo-se para o investimento estrangeiro, privatizando indústrias estatais e expandindo muito a educação universitária -70.000 engenheiros são formados por ano, por exemplo.

Com as amplas reformas pró-mercado da China desde os anos 90, milhões de trabalhadores foram demitidos de estatais deficitárias. As pensões do Estado para esses trabalhadores, junto com as mais recentes obrigações sob o sistema de aposentadoria mais novo, voltado para o mercado, chegam a mais de US$ 1,5 trilhão (em torno de R$ 3 trilhões), de acordo com o Banco Mundial.

"Acho que a maior parte das pessoas não entendeu como a situação vai ficar difícil", disse Li Shaoguang, diretora do Instituto de Segurança Social da Escola de Administração Pública na Universidade de Renmin da China, em Pequim. "Já temos consciência que a percentagem de idosos em nossa população é grande, e está crescendo rapidamente. Então, para agregar mais pessoas ao sistema e cobrir os atuais aposentados, o governo está tentando incluir mais trabalhadores migrantes ao sistema. Isso pode aliviar as pressões agora, mas também significa que teremos pressões maiores a enfrentar quando os migrantes ficarem velhos." Deborah Weinberg

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