UOL Notícias Internacional
 

22/03/2007

Enviado da ONU pede independência para o Kosovo antes de debate na organização

The New York Times
Nicholas Wood

Em Liubiana, Eslovênia
O enviado da Organização das Nações Unidas encarregado das conversações sobre o futuro do Kosovo, indo além das suas declarações passadas, recomendou que seja concedida a "independência" da região em relação à Sérvia. "Essa é a única opção para um Kosovo politicamente estável e economicamente viável", escreveu o diplomata, Martti Ahtisaari, ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Ahtisaari, o principal negociador da ONU para a questão do Kosovo durante os últimos 13 meses, já havia recomendado que a região passasse a contar com os principais símbolos, bens e instituições que caracterizam um Estado soberano - uma bandeira, um exército e o direito de tentar se filiar a instituições internacionais.

Mas em ocasiões anteriores ele evitou cuidadosamente a palavra "independência", que os funcionários da ONU consideram demasiadamente incendiária para a Sérvia e os seus aliados para que seja utilizada em um processo de negociação.

A carta de Ahtisaari provavelmente fará subir a temperatura do debate diplomático travado no Conselho de Segurança da ONU, que deverá começar a discutir os detalhes da proposta na próxima segunda-feira.

A nova linguagem de Ahtisaari pressiona as nações ocidentais do conselho para que acatem a sua diplomacia. A Rússia se opõe ao plano de Ahtisaari e na semana passada pediu novas negociações e um outro negociador. Moscou sugeriu que poderia vetar as propostas atuais. Os diplomatas ocidentais dizem que esperam apresentar uma resolução nesta primavera sobre a adoção de propostas de Ahtisaari, que é ex-presidente da Finlândia.

Negociações que se arrastaram por um ano entre a liderança de etnia albanesa do Kosovo e autoridades do governo sérvio terminaram no início deste mês sem nenhum acordo.

Na carta de quatro páginas de Ahtisaari ele argumenta que o atual governo do Kosovo exercido pelas Nações Unidas não é sustentável. Segundo um funcionário da ONU familiarizado com o documento, a carta exclui a possibilidade de a Sérvia voltar a governar a região.

"Ao se levar cuidadosamente em consideração a história recente do Kosovo, as realidades atuais do Kosovo, e também as negociações com as partes envolvidas, cheguei à conclusão de que a única opção viável para o Kosovo é a independência, que seria supervisionada pela comunidade internacional", escreveu Ahtisaari.

Trechos da carta foram publicados pela primeira vez pelo jornal diário francês "Le Monde", na última terça-feira. O Kosovo é administrado pelas Nações Unidas desde junho de 1999, depois que uma campanha de bombardeios liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) obrigou as forças de segurança da Iugoslávia, dominadas pelos sérvios, a se retirarem da província.

Calcula-se que até 10 mil pessoas, em sua maioria de etnia albanesa, morreram em um conflito entre insurgentes de etnia albanesa e as forças iugoslavas entre 1997 e 1999. Os indivíduos de etnia albanesa representam a grande maioria da população do Kosovo.

Ahtisaari argumentou que, sem a soberania integral, a província, uma das regiões mais pobres da Europa, seria incapaz de estabelecer laços mais estreitos com a União Européia, que é tida como um dos principais incentivos para a mudança econômica e política na região.

"Ao contrário de muitos dos seus vizinhos nos Balcãs Ocidentais, o Kosovo é também incapaz de participar de qualquer processo significativo para o ingresso na União Européia - que se constitui em um poderoso motor para o desenvolvimento econômico na região", diz a carta. UOL

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