UOL Notícias Internacional
 

27/03/2007

Detido em Guantánamo se declara culpado

The New York Times
William Glaberson

Em Guantánamo, Cuba
Na primeira condenação de um detido em Guantánamo por uma comissão militar, um australiano que foi treinado pela Al Qaeda se declarou culpado aqui, na segunda-feira, de fornecer apoio material a uma organização terrorista.

A decisão de acatar um acordo por parte do detido, David Hicks, foi a primeira segundo a nova lei de comissões militares aprovada pelo Congresso no ano passado, depois que a Suprema Corte derrubou o primeiro sistema do governo Bush para julgar os presos no campo americano em Guantánamo. A declaração de culpado certamente será vista por defensores do governo como uma afirmação de seus esforços para deter e julgar os suspeitos de terrorismo aqui.

A declaração de Hicks ocorreu após as 20 horas, após um dia extraordinário no tribunal vermelho, branco e azul daqui. Ela se seguiu a uma campanha incomum para obtenção de apoio na Austrália promovida pelo advogado de defesa militar de Hicks, o major Michael D. Mori, do Corpo de Marines dos Estados Unidos.

Previamente no dia, o juiz militar surpreendeu os presentes no tribunal com a decisão inesperada de que dois dos três advogados de Hicks não seriam autorizados a participar dos procedimentos, deixando apenas Mori na mesa da defesa.

Após várias sessões acrimoniosas nas quais Mori alegou que o juiz, o coronel Ralph H. Kohlmann dos Marines, era tendencioso, o juiz insistiu que era imparcial e para que as audiências fossem concluídas. Apesar de Hicks ter sido censurado, ele não apresentou nenhuma declaração.

Mas ao anoitecer, Kohlmann reconvocou a corte em sessão, dizendo que tinha sido abordado pelos advogados, que disseram que Hicks estava preparado para se declarar culpado.

Hicks, um homem atarracado de 31 anos em um uniforme de prisão marrom, foi escoltado por guardas até a mesa da defesa, e Mori disse que ele estava preparado para se declarar culpado de uma das duas acusações contra ele.

A acusação descrevia a estadia de Hicks em um campo de treinamento da Al Qaeda onde, ela diz, ele aprendeu técnicas de seqüestro e foi treinado em como lutar em um ambiente urbano. Os promotores disseram que Hicks nunca disparou contra americanos durante seu período no Afeganistão, em 2001, mas que participou de outras atividades, incluindo a coleta de inteligência na embaixada americana local.

Após a declaração, o juiz suspendeu o julgamento para novos procedimentos nesta semana, para que os advogados pudessem debater que atos específicos Hicks podem reconhecer e talvez acertar as questões de sentenciamento.

Hicks está detido aqui há mais de cinco anos. Advogados sugeriram que ele poderia cumprir o restante de qualquer sentença na Austrália. George El Khouri Andolfato

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