UOL Notícias Internacional
 

28/03/2007

Estudos sobre câncer de mama pedem por maior uso de ressonância magnética

The New York Times
Denise Grady
Dois relatórios que serão publicados nesta quarta-feira (28) pedem por um maior uso de exames de ressonância magnética (RM) em mulheres com câncer de mama ou que corram risco de desenvolvê-lo. As recomendações não se aplicam à maioria das mulheres saudáveis, que possuem apenas um risco médio de desenvolver a doença.

Suzanne DeChillo/The New York Times) 
A dra. Elizabeth Morris diz que a interpretação do médico é fundamental nessa nova análise

Mesmo assim, a nova orientação poderá adicionar um milhão ou mais de mulheres por ano àquelas que precisam de RM - uma demanda que os radiologistas não estão equipados para atender, disseram pesquisadores. Os exames exigem equipamento e software especiais, radiologistas treinados para ler os resultados e costumam não estar disponíveis fora das grandes cidades.

Uma RM de mama custa entre US$ 1 mil e US$ 2 mil, às vezes mais -10 vezes o custo da mamografia - de forma que um milhão a mais de exames por ano custaria pelo menos US$ 1 bilhão. Às vezes ele é coberto pelo plano de saúde e pelo Medicare (o serviço público de saúde americano para idosos e inválidos), às vezes não, dependendo do motivo para o exame.

Um relatório é um conjunto de novas diretrizes para uso de RM em mulheres com alto risco de câncer de mama, o outro é um estudo do "The New England Journal of Medicine" mostrando que em mulheres recém-diagnosticadas com câncer em uma mama, a RM pode encontrar tumores na outra mama que os mamogramas não detectam.

Mas a RM apresenta inconveniências. Ela é sensível demais - muito mais do que a mamografia - e revela todo tipo de nódulos suspeitos na mama, levando a muitos exames repetidos e biópsias para coisas que revelam ser benignas. Para mulheres que apresentam probabilidade de possuir tumores escondidos, a perspectiva de tais falsos positivos pode ser aceitável. Mas o risco de biópsias desnecessárias e exames adicionais não é considerado razoável para mulheres com risco apenas médio de câncer de mama, o principal motivo para a RM não ser recomendada para elas.

As novas diretrizes são da Sociedade Americana de Câncer e recomendam exame de RM de mama em mulheres com saúde, mas com alto risco de câncer de mama. As diretrizes, que serão publicadas na revista da sociedade, "CA: A Cancer Journal for Clinicians", recomendam exames de RM e mamogramas uma vez por ano, a partir dos 30 anos, para mulheres com alto risco.

Alto risco é definido como 20% a 25% ou mais de risco de desenvolvimento de câncer de mama ao longo da vida. (O risco médio durante a vida para as mulheres nos Estados Unidos é entre 12% e 13%).

O grupo de alto risco inclui mulheres propensas a câncer de mama por apresentarem teste positivo para certas mutações genéticas, BRCA1 ou BRCA2, ou aquelas cujas mães, irmãs ou filhas apresentam tais mutações, mesmo se a mulher não tiver se submetido a teste. Tais mutações não são comuns -elas causam menos de 10% de todos os cânceres de mama- mas aumentam muito o risco da mulher, de 36% a 85%.

Mulheres com mutações ainda mais raras, em genes chamados TP53 ou PTEN, também são aconselhadas a fazerem o exame, assim como mulheres submetidas a tratamento com radiação no peito entre os 10 e 30 anos, para problemas como mal de Hodgkin.

Outras com alto risco incluem mulheres de famílias nas quais o câncer de mama é comum, especialmente entre parentes próximos, mesmo que nenhuma mutação genética tenha sido identificada. As mulheres e médicos podem estimar suas chances usando várias calculadoras de risco online que consideram o histórico médico tanto da mulher quanto de sua família. Uma calculadora simples está disponível no endereço http://www.cancer.gov/bcrisktool/.

Mas calculadoras diferentes podem oferecer resultados bastante diferentes e as mulheres podem precisar da ajuda de seus médicos para interpretar os resultados, disse a doutora Elizabeth Morris, membro da comissão de peritos que estabeleceu as diretrizes e diretora de RM de mama do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Manhattan. "O simples imaginar de quem deve passar por ele será a coisa mais difícil", disse Morris. "Grande parte de tal ônus caberá ao médico. Muitas mulheres pensarão que correm alto risco, mas não correm."

A sociedade de câncer disse que para mulheres com certas condições, não há informação suficiente para recomendar ou não o exame de RM e que tais mulheres e seus médicos terão que decidir. O grupo incerto inclui mulheres com tecido muito denso na mama nos mamogramas e mulheres que tiveram câncer de mama no passado, carcinomas in situ ou hiperplasia atípica. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,13
    3,270
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,51
    63.760,94
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host