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03/04/2007

Muitos diagnósticos de depressão podem estar errados, diz estudo

The New York Times
Benedict Carey
Cerca de uma entre quatro pessoas que aparentam estar deprimidas estão na verdade enfrentando as conseqüências mentais normais de um recente golpe emocional, como uma separação matrimonial, a perda de um emprego ou o colapso de um investimento, sugere um novo estudo. Para evitar diagnósticos desnecessários e estigma, a definição padrão de depressão deve ser redefinida para excluir especificamente tais casos, argumentam os autores.

O estudo, publicado na "The Archives of General Psychiatry", é baseado em um levantamento de dados de mais de 8 mil americanos; ele não analisou o número de pessoas que foram diagnosticadas erroneamente.

Psiquiatras e outros médicos que levantam históricos médicos cuidadosos o fazem para precisamente descartar tais adversidades na vida, assim como os efeitos de males físicos, antes de fazer um diagnóstico de depressão.

Mas o manual de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria não exclui especificamente pessoas que estão experimentando sentimentos profundos, mas normais, de tristeza, a menos que estejam abaladas pela morte de um ente querido. E um crescente número de distritos escolares e clínicas de saúde usam testes simples de depressão, que não levam o contexto em consideração, disseram os autores.

"Um número cada vez maior de pessoas está apresentando os sintomas presentes nestas listas de conferência, e não há como saber se estamos encontrando respostas normais de tristeza ou depressão real", disse Jerome C. Wakefield, um professor de trabalhos sociais da Universidade de Nova York e principal autor do estudo.

Seus co-autores foram Mark F. Schmitz, da Universidade Temple; Allan V.
Horwitz, da Universidade Rutgers; e o dr. Michael B. First, um psiquiatra da Universidade de Colúmbia que editou a atual versão do manual de diagnóstico da associação de psiquiatria.

As conclusões do estudo sugerem que estimativas anteriores do número de americanos que sofreram depressão pelo menos uma vez durante suas vidas - mais de 30 milhões - está cerca de 25% acima do correto.

O dr. Darrel Regier, diretor de pesquisa da Associação Americana de Psiquiatria, disse: "Eu acho que a preocupação que este estudo levanta é real e que precisamos ser muito cuidadosos em não exagerar o diagnóstico de uma resposta normal, homeostática, a uma perda e chamá-la de desordem". Mas ele acrescentou que as listas de conferência de depressão realmente ajudam a identificar pessoas que precisam de tratamento.

Os pesquisadores analisaram as respostas de 8.098 adultos a perguntas feitas entre 1990 e 1992. As perguntas eram baseadas nos critérios de diagnóstico para problemas de humor e perguntavam às pessoas que informaram um período de tristeza se elas se lembravam de qualquer evento que poderia tê-lo causado, como a morte de um ente querido ou um divórcio.

O manual de diagnóstico faz uma distinção entre uma aflição severa que provoca uma depressão duradoura, o que é raro, e o pesar normal, que parece depressão, mas geralmente começa a perder força após poucas semanas ou meses.

Os pesquisadores encontraram 56 pessoas na pesquisa que sofreram desta reação normal após a morte de alguém próximo. Outras 174 pessoas enfrentavam níveis normais de estresse após um tipo diferente de golpe, como o fim de um relacionamento ou a perda do emprego - um grupo que se enquadraria no diagnóstico de depressão sob a atual definição.

Os pesquisadores então compararam as respostas dos dois grupos às perguntas sobre nove tipos de sintomas de depressão, incluindo perda de apetite, distúrbios no sono e pensamentos sobre suicídio. A única diferença significativa, eles encontraram, foi que aqueles lamentando uma morte apresentavam o dobro da probabilidade de ter pensamentos sobre morte ou suicídio do que aqueles enfrentando outro tipo de perda.

"O perfil que você obtém para estes dois grupos é muito, muito parecido", disse o dr. Wakefield, a ponto de não justificar a exclusão de um grupo e não a do outro no diagnóstico de depressão.

Os autores não elaboraram conclusões sobre as implicações do estudo para o tratamento. Os médicos freqüentemente tratam mesmo reações normais de pesar caso os pacientes estejam sofrendo. Mas tais pacientes não devem ser identificados como tendo depressão, concluem os autores. George El Khouri Andolfato

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