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05/04/2007

Enquanto aguarda Beckham, liga americana de futebol abre as portas

The New York Times
Jack Bell
Poucos duvidam de que 2007 seja "O Ano de Beckham" na Liga Principal de Futebol dos Estados Unidos (MLS, na sigla em inglês). Ao mesmo tempo em que a contratação de David Beckham pelo Los Angeles Galaxy passa a impressão de ser o assunto mais importante no universo do esporte, sua chegada aos Estados Unidos, em julho, será simplesmente o maior grande acontecimento para uma liga que dará início à sua 12ª temporada no próximo sábado.

John Marsh/Reuters 

Espera-se que Beckham brilhe como um incansável embaixador do futebol nos EUA


Embora o futebol ainda seja um ponto minúsculo no radar da maioria dos que torcem por esportes nos Estados Unidos, a MLS se firmou como uma figura sólida na paisagem desportiva, destinada a crescer em um país no qual o perfil demográfico e as preferências esportivas estão mudando.

"É razoável afirmar que nós, da administração da liga, jamais pretendemos que esta fosse a única história do nosso período de pré-temporada", disse o comissário Don Garber durante uma entrevista coletiva à imprensa, referindo-se à contratação de Beckham, 31, do Real Madrid.

"A história de Beckham adquiriu uma dinâmica própria. Mas não acreditamos que nenhum fator isolado fará do futebol um dos esportes dominantes neste país no curto prazo. Vários fatos distintos estão ocorrendo em um ritmo lento e constante. No decorrer dos últimos cinco, dez, 20 anos, não temos dúvida de que esta será uma liga dominante neste país. Não é uma questão de se, mas de quando".

Se antigamente a liga tinha apenas dois grupos (Anschutz Entertainment e Hunt Sports) controlando a maioria dos clubes, hoje existem dez proprietários para 13 times, com o acréscimo do Toronto FC (há novos proprietários em Kansas City e Washington). Após lutar pelo reconhecimento em estádios cavernosos nos quais as equipes conseguiam pouca ou nenhuma renda adicional, sete times jogam em estádios projetados para o futebol. Colorado e Toronto inaugurarão novos estádios para dar início à temporada.

A liga, que perdeu dois times antes da temporada de 2002, desde então recebeu constantemente novos clubes, sendo que o Toronto FC faz com que o número de times chegue a 13 neste ano, com a expectativa de crescimento para 16 até 2010. Nesta temporada, pela primeira vez, todos os jogos serão televisionados e a liga ganhará direitos de cobrar taxas das redes ABC, ESPN, Univision e Fox.

No campo, a MLS deu início a uma iniciativa chamada Game First, que terá com alvo questões tão mundanas quanto o comprimento padronizado da grama dos estádios. A MLS contratou um consultor de tempo integral na América do Sul que ajudará a descobrir talentos e instituirá um sistema de academia para jovens que permitirá que os times detenham os direitos sobre alguns jogadores que desenvolverem.

Mas uma abordagem comedida não se constitui em substituto para a onda de publicidade que acontecerá quando Beckham finalmente chegar.

A contratação de David Beckham se tornou possível quando os dirigentes da MLS aprovaram a Regra do Jogador Designado, que permite que cada equipe contrate um astro do futebol por um salário que supere o máximo estipulado pela liga, que é de US$ 300 mil anuais. A MLS, que ainda detém os contratos de todos os jogadores segundo o seu sistema de entidade única, pagará uma parcela de US$ 400 mil deste salário. O restante ficará a cargo do clube.

Beckham, que segundo os comentários ganhará cerca de US$ 5,5 milhões anuais, sem contar publicidades e incentivos, conferirá notoriedade à liga, mas o seu principal impacto é difícil de avaliar. É claro que ele terá que mostrar serviço em campo. Mas é mais provável que brilhe como um incansável embaixador desse esporte nos Estados Unidos.

A área metropolitana de Nova York não será mais o buraco negro da liga. O Red Bulls contratou o técnico Bruce Arena, ex-treinador da seleção nacional dos Estados Unidos, após a Copa do Mundo de 2006. O clube trouxe o veterano meio-campista Claudio Reyna para Nova Jersey como um dos seus principais jogadores, e readquiriu um velho e habilidoso artilheiro, Clint Mathis. Além disso, Arena substituiu o meio-campista Dave van den Bergh e contratou o goleiro Ronald Waterreus.

O Red Bulls decidiu construir um estádio, que provavelmente ficará pronto em um período de 15 meses a dois anos. O time tem um novo (apesar de
provisório) centro de treinamento no norte de Nova Jersey e parece finalmente contar com um plano para o sucesso.

Na terça-feira o Fire, que joga em uma área que tem uma grande população mexicana, procurou agradar a torcida ao anunciar a contratação do jovial atacante mexicano Cuauhtemoc Blanco, 34, que joga no Club America e não deve chegar a Chicago até julho. Mais de 5.000 torcedores compareceram na noite de segunda-feira à cerimônia de apresentação informal de Blanco no estádio do Fire, em Bridgeview, no Estado de Illinois.

O D.C. United, um dos clubes de maior sucesso da liga, vendeu o passe de dois jovens norte-americanos promissores - Freddy Adu, para o Real Salt Lake, e Alecko Eskandarian, para o Toronto F.C. O clube continua a se voltar para o sul em busca de jogadores, tendo contratado os brasileiros Luciano Emilio e Fred, que farão parte de um grupo que inclui Jaime Moreno, da Bolívia, e os argentinos Christian Gomez (o jogador mais valioso da liga no ano passado) e Facundo Erpen.

Além disso, há o Canadá. Desde o fim da Liga Norte-Americana de Futebol, o esporte amargou algumas perdas devastadoras ao norte da fronteira (por exemplo, Owen Hargreaves cresceu no Canadá, joga para um clube na Alemanha e internacionalmente para a Inglaterra). Houve desolação em terras canadenses, bem como a criação das Ligas Unidas do Futebol. Isso mudará neste ano quando o Toronto F.C. começar a jogar em um estádio à margem do Lago Ontário.

Tendo como técnico Mo Johnston, o Toronto tem se mostrado agressivo, contratando o estadunidense Conor Casey (que voltou da Alemanha), o galês Carl Robinson e o meio-campista irlandês Ronnie O'Brien em uma negociação com o FC Dallas. O Toronto encerrou a venda de ingressos para a temporada em 14 mil.

No oeste, o Galaxy se vê na estranha situação de ter a sua agenda lotada com jogos para a exibição de Beckham. Cobi Jones, o único jogador que está no mesmo clube desde a criação da liga, se aposentará após a temporada. Landon Donovan deverá brilhar jogando com Beckham.

O Houston, o campeão da liga, fez poucas mudanças na equipe desde a última temporada, e retorna com um núcleo robusto que inclui Brian Ching, Dwayne DeRosario, Paul Dalglish, Brad Davis e Brian Mullan.

O Chivas USA e o Real Salt Lake dão início à sua terceira temporada. O Chivas disputou decisões no ano passado, mas perdeu o seu técnico, Bob Bradley, para a seleção nacional dos Estados Unidos. O clube adquiriu o temperamental meio-campista Amado Guevara, do Red Bulls, mas ficará sem Jonathan Bornstein, o estreante de 2006, que começou a temporada com uma contusão no joelho. O Real Salt Lake, que em breve dará início às obras de um novo estádio, adquiriu Freddy Adu para administrar o seu meio-campo.

Após anos de jogos interessantes, mas que não foram realmente significantes, contra clubes estrangeiros (All-Stars versus Chelsea; D.C. United versus Barcelona), a MLS inaugurará a Super Liga.

Modelada modestamente segundo a Liga Européia dos Campeões, a Super Liga colocará quatro times da primeira divisão do México (Chivas Guadalajara, Pachuca, Club America e Monarcas Morelia) e quatro da MLS (Houston, D.C United, F.C. Dallas e Los Angeles) para se enfrentarem em um campeonato em julho e agosto.

Além disso, os clubes da MLS estão novamente procurando um lugar na Copa Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro, no Japão, com a sua participação na Copa dos Campeões da Concacaf (a Confederação responsável pelo futebol das Américas do Norte e Central e do Caribe). O United jogou no México na noite da última terça-feira, tendo perdido para o Chivas Guadalajara por 3 a 2, e o Houston enfrentará o Pachuca na quinta-feira na segunda etapa da sua série de semifinais. Até o momento, os resultados não têm sido muito favoráveis ao MLS, mas o objetivo é participar, fincar a bandeira e ganhar experiência. UOL

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