UOL Notícias Internacional
 

10/04/2007

McDonald's permitirá maior sindicalização nas suas lanchonetes na China

The New York Times
David Barboza

em Xangai
Um ano apos as lojas Wal-Mart terem sindicalizado todas as suas unidades na China sob pressão do governo, o McDonald's está cooperando com o grande sindicato controlado pelo governo no sentido de permitir a criação de mais sindicatos nas 750 lanchonetes da rede que funcionam naquele país.

Reuters 
A rede McDonald's colabora com a criação de mais sindicatos nas 750 lojas da China

Um porta-voz do McDonald's disse nesta segunda-feira (9/4) que a companhia está trabalhando em conjunto com sindicalistas para ajudar a criar um sindicato nas suas lanchonetes no sul da província de Guangdong, uma das regiões mais ricas do país.

O anúncio foi feito quase duas semanas após um jornal estatal de Guangdong ter publicado que alguns restaurantes e lanchonetes das redes McDonald's, Kentucky Fried Chicken e Pizza Hut em Guangdong violavam a lei ao pagarem aos seus funcionários menos que o salário mínimo e negarem a alguns trabalhadores benefícios trabalhistas integrais.

Autoridades do McDonald's e da Yum Brands, que opera quase 2.000 restaurantes Kentucky Fried Chicken e Pizza Hut na China, alegam obedecer a lei. Mas os funcionários do McDonald's dizem agora que estão investigando as alegações.

As autoridades trabalhistas de Guangdong anunciaram rapidamente que será feita uma investigação do assunto, e o maior sindicato estatal do país, a Federação de Sindicatos do Comércio de Toda a China, acusou o McDonald's e a Yum de pagarem menos que o salário mínimo aos seus funcionários.

Um dos funcionários do sindicato, que não quis que o seu nome fosse publicado já que não tem autorização para falar com jornalistas, disse na segunda-feira, no entanto, que recentemente o McDonald's começou a procurar trabalhar em conjunto com sindicalistas, chegando até a difundir informações sobre sindicatos em algumas das suas lanchonetes chinesas.

Um porta-voz do McDonald's informou que a rede de fast-food já conta com sindicatos em algumas das suas unidades chinesas e que antes mesmo de surgirem reclamações quanto aos salários, a companhia já vinha cooperando com a Federação de Sindicatos do Comércio de Toda a China em Guangzhou, a capital da província de Guangdong.

"Desde novembro do ano passado, o McDonald's da China está engajado em discussões produtivas com autoridades sindicais da cidade de Guangzhou, tendo feito progressos no sentido de criar um braço sindical na empresa", anunciou a companhia em uma declaração divulgada na segunda-feira.

Uma autoridade da Yum Brands em Xangai não respondeu a um pedido de entrevista. A tentativa de criar sindicatos em corporações multinacionais na China é uma das mais recentes novidades em um país no qual o crescimento econômico é estonteante, mas onde os trabalhadores começam a reclamar mais ostensivamente das práticas trabalhistas injustas.

Embora os sindicatos atuem há muito tempo neste país, a maior parte deles nas companhias estatais, os especialistas afirmam que tais instituições são tradicionalmente frágeis na China. Em muitos casos, eles trabalham em sintonia com a diretoria das empresas, especialmente em se tratando de companhias estatais. Não se conhecem casos nos quais tais sindicatos desafiaram as diretorias das empresas ou negociaram melhores salários para os funcionários. Segundo os estudiosos, o fato mais freqüente foi a utilização dos sindicatos pelas gerências das empresas no intuito de coordenar as atividades dos funcionários.

Mas recentemente os líderes sindicais prometeram lutar pelos trabalhadores. E, no ano passado, o maior sindicato do país obteve uma grande vitória ao obrigar a Wall-Mart a permitir a atuação de sindicatos em todas as suas 62 lojas na China.

Agora, a Federação de Sindicatos do Comércio de Toda a China afirma que o seu objetivo até o final do ano é contar com sindicatos ativos em 70% das companhias de capital estrangeiro que operam aqui.

"Leis como a sindical e a trabalhista determinam que os trabalhadores têm o direito à sindicalização, e que ninguém pode interferir com esse direito", afirma Li Jianming, diretor do departamento de questões internacionais da Federação de Sindicatos do Comércio de Toda a China, em Pequim.

Uma indicação do poder crescente dos sindicatos na China é o papel destas instituições no auxílio à preparação de uma nova minuta de lei trabalhista que deverá ser aprovada ainda neste ano. A nova lei trabalhista poderia conferir aos sindicatos maior poder em um país no qual se denuncia que o abuso praticado nos locais de trabalho é prática generalizada.

Essa perspectiva está criando tensões entre, de um lado, as multinacionais norte-americanas e européias e, do outro, os líderes trabalhistas e ativistas sindicais chineses.

Os sindicalistas alegam que a China precisa de leis mais fortes para proteger os trabalhadores, especialmente os migrantes, que recebem baixos salários e muitas vezes trabalham sete dias por semana, raramente recebendo benefícios.

No entanto, advogados de várias grandes companhias estrangeiras dizem que as leis trabalhistas chinesas já são adequadas, mas que é difícil que sejam aplicadas, em parte devido às propinas, à corrupção e ao frágil sistema legal do país.

Mesmo sem uma nova lei trabalhista, redes de lojas e fábricas estrangeiras enfrentam pressões crescentes dos ativistas dos direitos trabalhistas e de órgãos da mídia chinesa e internacional, que investigam periodicamente as condições de trabalho na China e publicam as conclusões, muitas vezes causando embaraço às grandes companhias estrangeiras.

No ano passado, por exemplo, dois jornalistas expuseram precárias condições de trabalho em uma companhia de capital taiwanês que fabrica iPods na China. Os fornecedores da Wal-Mart têm sido alvos de incontáveis investigações. Ainda no ano passado, irrompeu uma revolta em uma fábrica de brinquedos que é fornecedora da Disney, do McDonald's, da Mattel e de outras grandes corporações, devido às péssimas condições de trabalho, segundo afirmam ativistas dos direitos trabalhistas.

No caso recente envolvendo o McDonald's, uma equipe de jornalistas chineses atuou secretamente, disfarçada de grupo de trabalhadores, a fim de entrar em vários restaurantes do McDonald's e da Yum Brands na província de Guangdong. O jornal anunciou que o McDonald's e a Kentucky Fried Chicken às vezes se recusam a assinar contratos com alguns trabalhadores, e que outros funcionários são obrigados a trabalhar em turnos de até dez horas. Segundo o jornal, alguns trabalhadores recebem apenas cerca de 52 centavos por hora, quando as autoridades trabalhistas da região exigem que os patrões que atuam na municipalidade paguem aproximadamente 95 centavos por hora. Na sua declaração, o McDonald's afirmou: "O McDonald's da China já adere estritamente às regulamentações nacionais e locais relevantes, e estamos consultando as autoridades apropriadas para apurar os fatos". UOL

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h09

    -0,57
    3,264
    Outras moedas
  • Bovespa

    16h16

    1,13
    63.941,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host