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11/04/2007

4 oficiais sérvios condenados pela morte de muçulmanos bósnios

The New York Times
Nicholas Wood

Em Liubliana, Eslovênia
Um tribunal de crimes de guerra sérvio condenou nesta terça-feira (10/4) quatro ex-oficiais paramilitares pelo assassinato, em julho de 1995, de seis muçulmanos bósnios de Srebrenica, onde milhares de muçulmanos foram mortos na mesma semana.

A decisão marcou a primeira vez que alguém foi condenado em um tribunal sérvio por crimes que grupos de direitos humanos associam ao massacre em Srebrenica, na Bósnia.

O julgamento, que teve início em Belgrado há 15 meses, foi provocado por um vídeo que veio à tona em junho de 2005, mostrando seguranças sérvios, membros de uma unidade conhecida como Escorpiões, tirando seis prisioneiros muçulmanos de um caminhão perto da aldeia bósnia de Trnovo e os executando.

A juíza, Gordana Bozilovic-Petrovic, disse que os assassinos agiram contra civis indefesos, "exibindo seu poder e não demonstrando remorso". Mas ela também disse que não há evidência ligando as mortes ao massacre de quase 8 mil homens e meninos muçulmanos em Srebrenica, a 145 quilômetros de distância.

A juíza impôs uma sentença de 20 anos a Slobodan Medic, o comandante da unidade, e ao seu assistente, Branislav Medic. O único réu que se declarou culpado, Pera Petrasavic, foi sentenciado a 13 anos, e outro, Aleksander Medic, recebeu uma pena de cinco anos. Um quinto réu, Aleksander Vukov, foi absolvido.

O vídeo foi exibido pela primeira vez em junho de 2005, durante o julgamento do ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic no Tribunal Internacional para a Ex-Iugoslávia, em Haia, Holanda. A gravação foi considerada uma divisora de águas dentro da Sérvia, porque colocava os sérvios comuns diante da primeira evidência concreta do envolvimento de suas forças de segurança na morte de bósnios. Até então, a maioria dos sérvios não acreditava que o massacre tinha ocorrido.

Mas uma importante advogada de direitos humanos sérvia e parentes dos mortos disseram que ficaram decepcionados com o veredicto e acusaram a juíza de tentar distanciar as mortes em Trnovo do massacre. "Tanto do ponto de vista moral quanto factual, isto não é justiça", disse Natasa Kandic, a advogada de direitos humanos que primeiro descobriu a gravação e passou aos promotores em Haia.

Kandic, a diretora do principal grupo de direitos humanos da Sérvia, o Centro de Direito Humanitário, notou que sempre que as forças de segurança sérvias são acusadas de crimes de guerra - seja na Croácia, Bósnia ou Kosovo - o governo refuta as acusações de que o Estado foi de alguma forma responsável.

Ela disse que a juíza pareceu seguir a mesma linha de pensamento. "É uma pena. O vídeo mudou a sociedade sérvia e o julgamento poderia ter tido um papel semelhante", ela disse.

O vídeo mostra a unidade viajando de uma parte da Croácia sob controle sérvio para a Bósnia. Antes de partirem, cada membro é abençoado por um padre ortodoxo sérvio.

A gravação mostra o que aconteceu aos seis prisioneiros. Eles são ordenados a saltarem da traseira do caminhão com as mãos algemadas para trás e forçados a se deitarem em uma vala enquanto os Escorpiões os xingam. Os prisioneiros são levados até uma clareira onde os quatro mais jovens são baleados, um por um, pelas costas. Os dois homens mais velhos são ordenados a arrastarem os corpos até um prédio próximo onde eles também são baleados.

A juíza disse que não estava claro que as vítimas vieram de Srebrenica, rejeitando os argumentos dos promotores de que foram trazidos de lá após ter sido tomada por forças sérvias e entregues aos Escorpiões.

A absolvição de Vukov - que a juíza disse ter ocorrido por insuficiência de provas - e a sentença de Aleksander Medic também consternaram os parentes das vítimas. Os dois homens não aparecem atirando nos prisioneiros, mas foram vistos com eles pouco antes de morrerem. Os condenados têm direito a apelação em um prazo de 30 dias.

O tribunal de Haia condenou os membros das forças de segurança sérvias de participarem no massacre de Srebrenica, mas não há mais nenhum caso perante tribunais sérvios. Safeta Muhic foi uma dos cerca de 30 parentes das vítimas presentes para ouvir o veredicto. O irmão dela, Safet Fejze, tinha 16 anos quando foi morto; ela disse que soube do que aconteceu com ele apenas quando o vídeo foi exibido.

Se referindo à sentença de Aleksander Medic, ela disse em uma entrevista por telefone: "Eu não entendo como é possível alguém ser solto após apenas cinco anos". George El Khouri Andolfato

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