UOL Notícias Internacional
 

12/04/2007

Após 4 anos, a diferença entre política e prática no Iraque é grande

The New York Times
David E. Sanger

Em Washington
Quatro anos após a queda de Bagdá, a Casa Branca está novamente lutando para resolver um velho problema: quem está encarregado de executar as políticas no Iraque?

Novamente o presidente Bush e seus principais assessores estão à procura de um coordenador de alto nível capaz de conduzir as estratégias militares, políticas e de reconstrução que nunca operaram em sincronia, seja em Washington ou em Bagdá.

Novamente, Bush está publicamente declarando que seu governo optou por uma estratégia pela vitória - desta vez, um aumento no número de tropas que supostamente abriria espaço político para os sunitas e xiitas viverem e governarem juntos - mesmo enquanto seus principais assessores reconhecem que a Casa Branca nunca conseguiu executar isto direito.

"Nós estamos tentando aprender com nossa experiência", disse Stephen J. Hadley, o conselheiro de segurança nacional, em uma entrevista nesta quarta-feira (11/4). Confirmando um relatório que foi primeiro divulgado pelo "The Washington Post", Hadley disse ter sondado comandantes militares reformados para avaliar o interesse deles em um cargo no qual responderiam diretamente ao presidente Bush.

"Uma das coisas que ouvimos de republicanos e democratas é que precisamos dar um passo além em Washington e ter um único ponto focal, alguém que possa trabalhar 24 horas/7 dias por semana no lado de Washington para execução da estratégia que implementarmos para os próximos 22 meses", até o fim do mandato de Bush.

Hadley assumiu seu cargo no início de 2005, após quatro anos como vice-conselheiro de segurança nacional, e disse desde o início que o calcanhar de Aquiles do governo era seu fracasso em executar suas políticas.

Agora, disse Hadley, ele decidiu que "apesar de termos planos, prazos e gráficos, o que precisamos é de alguém com muita força dentro do governo que possa fazer as coisas acontecerem". Tal autoridade, disse Hadley, lidaria diariamente com o novo embaixador americano no Iraque, Ryan C. Crocker, e o novo comandante, o general David H. Petraeus, e então "ligaria para qualquer secretário do Gabinete para fazer com que os problemas sejam resolvidos rapidamente".

Hadley disse que ainda não levou os principais candidatos à Casa Branca para entrevistas formais. Mas o que está procurando é por alguém disposto a assumir, ao final de um governo cansado da guerra, um dos cargos mais ingratos em Washington: supervisionar a política no Iraque e no Afeganistão, onde o governo descobriu que mudar governos foi muito mais fácil do que mudar hábitos.

É revelador o fato de Hadley e Bush ainda estarem lidando com este problema. Há quatro anos, ambos esperavam que até 2007, o Iraque seria essencialmente uma operação de limpeza, envolvendo uma força americana comparativamente pequena. Em vez disso, a atual força de 145 mil soldados está aumentando para 160 mil.

Para ambos, decidir quem em Washington deveria assumir as rédeas da estratégia para o Iraque está longe de ser uma nova tarefa. Foi em agosto de 2003, cinco meses após a invasão americana, que Bush ordenou a formação de um Grupo para a Estabilização do Iraque para dirigir as coisas da Casa Branca. Tal ação refletia o primeiro reconhecimento por parte da Casa Branca de que o Pentágono de Donald H. Rumsfeld estava mais interessado em depor ditadores do que em construir países.

Quando tal grupo foi formado, Rumsfeld fuzilou de que já era hora do Conselho de Segurança Nacional realizar seu trabalho tradicional - a unificação das ações de um governo cujas agências freqüentemente passavam grande parte do dia brigando umas com as outras. Tal abordagem funcionou, por algum tempo.

Mas então a insurreição no Iraque cresceu formidavelmente, os esforços de reconstrução desaceleraram, os Departamentos de Estado e Defesa voltaram aos tapas burocráticos e a Casa Branca nunca conseguiu tratar de todo o problema, tanto em Bagdá quanto em Washington.

Isso ficou evidente no início deste ano, quando a secretária de Estado, Condoleezza Rice, e o novo secretário de Defesa, Robert M. Gates, discutiram abertamente em torno da questão de quem deveria fornecer pessoal para as novas Equipes Provinciais de Reconstrução que foram encarregadas de tentar, novamente, reconstruir o Iraque.

Mas esta era apenas uma pequena parte do problema. Quando o Grupo de Estudos do Iraque entregou suas recomendações em dezembro para a mudança da estratégia, ele citou "uma falta de coordenação por parte da administração sênior em Washington", declarando que o "estabelecimento de foco, prioridade e implementação habilidosa estão em falta".

A iniciativa de Hadley conquistou na quarta-feira o apoio de Gates, que passou grande parte dos últimos quatro meses demonstrando que é o anti-Rumsfeld.

Em uma coletiva de imprensa, Gates ofereceu um endosso público à idéia de dar poder a alguém na Casa Branca para melhor executar as prioridades do presidente. "Esta pessoa não está 'conduzindo a guerra'", disse Gates. "Este termo 'czar' é, eu acho, um tanto tolo." Em vez disso, ele disse, "isto é o que Steve Hadley faria se Steve Hadley tivesse tempo, mas ele não dispõe de tempo para fazer isto em tempo integral".

Parte do novo cargo é assegurar, nas palavras de Gates, que quando Crocker ou Petraeus "pedirem algo para o governo e não receberem, ou seu andamento estiver muito lento pela burocracia, que alguém tenha poderes dados pelo presidente para telefonar para um secretário do Gabinete e dizer: 'O presidente gostaria de saber por que ainda não foi entregue o que foi pedido'".

Como David J. Rothkopf, que escreveu uma história do Conselho de Segurança Nacional intitulada "Running the World" (Public Affairs, 2005), notou na quarta-feira, "é algo difícil para o Conselho de Segurança Nacional fazer porque é uma tarefa quase impossível".

"Este é um problema de sunitas e xiitas, e não de republicanos e democratas ou de rivalidade hierárquica ou burocrática", ele disse. "Os sunitas começaram a enfrentar os xiitas milhares de anos antes de hegarmos a Plymouth Rock e é difícil criar um novo executor especial para lidar com isto."

Mas a esta altura no governo Bush, disseram funcionários do governo, sua única esperança é agüentar a sobretensão e lidar com ela. Assim, quando Meghan L. O'Sullivan, uma vice-conselheira de segurança nacional para Iraque e Afeganistão, disse a Hadley há poucos meses que estava pronta para deixar o cargo, a Casa Branca aproveitou o momento para abrir um posto quase equivalente em poder ao de Hadley.

Para uma Casa Branca que invadiu o Iraque na esperança de que ele se tornaria um modelo para o Oriente Médio, este parece ser outro passo para longe das missões ideológicas e na direção dos aspectos básicos do resgate de sua problemática experiência de construção de país. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    1,02
    3,178
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,90
    67.976,80
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host