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12/04/2007

China e Japão procuram atenuar profundas tensões diplomáticas

The New York Times
Norimitsu Onishi

em Tóquio
O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, deu início nesta quarta-feira (11/4) a uma visita de três dias ao Japão, naquilo que ambos os países descrevem como um passo a frente na reparação das relações diplomáticas.

Pouco após a chegada de Wen, ele e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, se reuniram e divulgaram uma declaração que promete, de forma geral, aumentar a cooperação nas áreas econômica, energética, ambiental e militar. "Os dois países apóiam o desenvolvimento pacífico mútuo, e fomentarão a confiança política entre ambos", afirmou a declaração.

Wen é a primeira autoridade chinesa de escalão tão elevado a visitar o Japão em quase sete anos. Abe foi a Pequim pouco depois de se tornar primeiro-ministro, no outono passado, tomando a primeira medida pública para dissipar as tensões entre essas nações que são rivais tradicionais.

As relações se deterioraram sob o governo do ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi, que prestou visitas anuais ao Templo Yasukumi, um memorial aos combatentes japoneses mortos, incluindo criminosos de guerra da Segunda Guerra Mundial.

A China respondeu à visita de Abe desencorajando a veiculação de programas de teor antinipônico na televisão e na Internet. Esses programas vinham estimulando sentimentos nacionalistas. Recentemente a China manifestou apenas uma crítica discreta ao fato de Abe ter negado que as forças armadas japonesas obrigaram diretamente mulheres estrangeiras a se tornarem escravas sexuais durante a guerra.

Mesmo assim, pouco progresso foi feito, tanto nos últimos meses quanto na quarta-feira, quanto a determinadas questões mais sensíveis: campos de gás e de petróleo que são objeto de disputa no Mar do Leste da China; visitas ao Templo Yasukuni e outros problemas relacionados à história; assim como a suspeita que cada um dos lados alimenta quanto às ambições militares do outro.

A declaração afirmou que a China e o Japão concordaram em "olhar para a história de forma franca e construir um belo futuro". Antes da visita, Wen advertiu Abe para que este não visitasse o Templo Yasukuni. Abe, que costumava visitar assiduamente o templo, suavizou a sua posição como primeiro-ministro, afirmando que não iria nem negar nem admitir ter visitado o local.

Mas a notícia de que Abe compareceu discretamente ao templo - estrategicamente vazada para a mídia japonesa no ano passado - poderá prejudicar as atuais iniciativas de reaproximação. E outros aniversários delicados, especialmente o 70º aniversário do Massacre de Nanquim, ocorrerão neste ano.

Na declaração havia também a seguinte passagem: "A China disse que o Japão deveria desempenhar um papel mais construtivo na comunidade internacional". Mas China e Japão têm observado cautelosamente a diplomacia mais assertiva de cada um.

A China se opôs à candidatura do Japão a uma cadeira no Conselho Permanente da ONU, e suspeita dos laços cada vez mais fortes dos japoneses com Estados Unidos e Austrália na área de segurança.

Já as autoridades japonesas criticam regularmente o aumento do orçamento militar da China e, alfinetando Pequim, falam em fortalecer os laços com nações asiáticas que também prezam valores como a democracia e os direitos humanos. UOL

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