UOL Notícias Internacional
 

14/04/2007

Representante do Vaticano não comparecerá a cerimônia do Holocausto

The New York Times
Jennifer Medina*

Em Jerusalém
O embaixador do Vaticano em Israel disse que não irá à cerimônia oficial do Dia de Recordação do Holocausto, que ocorrerá no museu nacional daqui, neste domingo (15/3), em protesto pela descrição do papa Pio 12 pelo museu como um espectador praticamente passivo ao assassinato de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Em uma carta enviada na semana passada aos diretores do Yad Vashem, o museu e centro de pesquisa do Holocausto situado aqui, o embaixador, o arcebispo Antonio Franco, disse que não participará da cerimônia porque acredita que a descrição do papa Pio 12 ofende a Igreja Católica.

A legenda ao lado das duas fotos de Pio 12 na exposição diz que sua reação ao "assassinato de judeus durante o Holocausto é motivo de controvérsia", deixando implícito que ele não fez o suficiente.

"Quando judeus foram deportados de Roma para Auschwitz, o papa não interveio", diz o texto. "O papa manteve sua posição neutra ao longo de toda a guerra, com a exceção de apelos aos governantes da Hungria e Eslováquia perto de seu fim. Seu silêncio e a ausência de diretrizes obrigaram os homens da Igreja por toda a Europa a decidirem por conta própria como reagir."

Há muito debate histórico sobre Pio 12, acusado por alguns historiadores de não usar sua influência para impedir a morte de judeus. Mas o Vaticano se recusou a descartar a possibilidade de torná-lo um santo.

"Eu atenderei qualquer cerimônia pelas vítimas da Segunda Guerra Mundial, mas não me sinto à vontade no Yad Vashem quando o papa é apresentado desta forma", disse Franco em uma entrevista publicada na sexta-feira no "The Jerusalem Post", acrescentando que sua decisão é "pessoal".

A cerimônia conta com a presença de líderes israelenses, sobreviventes do Holocausto e muitos diplomatas no feriado nacional, que começa no domingo. "Qualquer um que segue a política israelense sabe que este é um evento nacional extremamente importante, assim como para judeus de todas as partes do mundo", disse Mark Regev, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense. "Nós achamos que é correta a presença de todas as autoridades que representam governos estrangeiros. Este é o protocolo correto."

Um funcionário do Vaticano, que falou sob a condição de anonimato por não estar autorizado a falar publicamente sobre o assunto, disse que o Vaticano está "acompanhando a situação".

Franco e outros líderes católicos se queixaram privativamente sobre o texto poucos meses após a abertura do museu em 2005, disseram representantes da Igreja e do museu. O Vaticano disse que não recebeu resposta formal, mas representantes do museu disseram que eles deixaram claro que estariam abertos a revisões caso fossem autorizados a estudar os arquivos da Igreja em busca de novas informações. "O Museu da História do Holocausto apresenta a verdade histórica sobre Pio 12 como é conhecida pelos estudiosos atualmente", disse Iris Rosenberg, uma porta-voz do museu. "É inaceitável o uso de pressão diplomática quando se lida com pesquisa histórica."

Separadamente, o Exército israelense disse na sexta-feira que suspendeu o comandante em Nablus, na Cisjordânia, após os noticiários israelenses terem mostrado um vídeo dele usando dois meninos palestinos para proteger veículos militares.

O uso dos meninos mostrado no vídeo, feito por um ativista de paz estrangeiro e postado no site do "Yediot Aharonot", um jornal israelense, foi uma aparente violação da lei internacional e de uma decisão de 2005 da Suprema Corte de Israel contra o uso de escudos humanos. O Exército disse que há uma investigação em andamento.

*Ian Fisher, em Roma, contribuiu com reportagem. George El Khouri Andolfato

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