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15/04/2007

Coréia do Norte não cumpre prazo importante para desarmamento nuclear

The New York Times
David E. Sanger

Em Washington
O primeiro prazo para a Coréia do Norte fechar e lacrar sua principal instalação para produção de combustível para armas nucleares expirou no sábado, sem nenhuma ação aparente dos norte-coreanos para cumprir seus compromissos, enquanto a China pedia a furiosos membros do governo Bush para demonstrarem paciência.

A inação deixa o presidente Bush vulnerável a ataques dos linhas-duras de seu próprio partido, que argumentam que foi um erro devolver US$ 25 milhões em fundos congelados aos norte-coreanos —grande parte supostamente oriundo da venda ilícita de moeda falsa e mísseis— e que duvidam que os norte-coreanos deixarão de produzir combustível para bomba assim como abrir mão de suas armas existentes.

A Casa Branca se manteve em silêncio sobre o prazo não cumprido, mas o principal negociador americano que está lidando com a Coréia do Norte, Christopher R. Hill, disse aos repórteres em Pequim: "Nós não temos muito impulso no momento. Com certeza".

Hill viajou na última semana para o Japão, Coréia do Sul e, mais recentemente, para a China, onde as autoridades chinesas lhe pediram para dar um pouco mais de tempo para os norte-coreanos cumprirem o acordo. Mas em Washington, funcionários do governo disseram não saber se os chineses dispõem de algum indício independente de que a Coréia do Norte cumprirá o acordo, ou se os norte-coreanos estão apenas tentando ganhar tempo.

Autoridades norte-coreanas disseram à delegação americana em visita ao país no início da semana que dariam início ao processo de fechamento do seu reator em Yongbyon, onde por anos produziram plutônio a partir de combustível nuclear usado, assim que os US$ 25 milhões fossem devolvidos. O processo demorou mais do que as autoridades americanas esperavam, em parte porque os mecanismos legais para a devolução do dinheiro se mostraram enormemente complicados, levando o governo Bush a desistir de sua exigência de que todos os recursos ilícitos fossem usados para algum tipo de propósito humanitário.

Mas o acordo assinado por Hill com a Coréia do Norte em 13 de fevereiro —em negociações que também incluíram China, Rússia, Japão e Coréia do Sul— dava aos norte-coreanos 60 dias para a desativação e lacramento de sua principal instalação em Yongbyon, para convidarem os inspetores internacionais a voltarem ao país e o fornecimento de um relatório preliminar sobre quanto plutônio foi produzido. Aparentemente o país não deu nenhum destes passos até sábado.

Durante uma visita à Coréia do Norte nesta semana pelo governador do Novo México, Bill Richardson, que está buscando a indicação democrata à presidência, autoridades em Pyongyang disseram que cumpririam suas obrigações em um prazo de 30 dias após receberem o dinheiro que estava depositado em contas do Banco Delta Asia, em Macau. Investigadores do Tesouro dos Estados Unidos e de agências de inteligência americanas analisaram os registros das contas congeladas, mapearam as atividades bancárias de empresas estatais, de mercadores de armas e de líderes que cercam o presidente Kim Jong-il.

"Esta foi a primeira coisa que fizemos que chamou a atenção dos norte-coreanos", disse um alto funcionário da Casa Branca em uma entrevista nesta semana, se recusando a especular como o governo reagiria caso os norte-coreanos não cumprissem o primeiro prazo para o fechamento de suas instalações.

Na verdade, alguns funcionários do governo reconheceram que possuem poucas opções. Com o dinheiro liberado para devolução, as contas de Macau não mais podem ser usadas para pressão diplomática. Isto deixa o governo mais dependente do que nunca de pressão da China, a principal fornecedora de energia e ajuda à Coréia do Norte, para forçar os norte-coreanos a cumprirem o acordo.

Nicholas Eberstadt, um pesquisador do Instituto Empresarial Americano, disse que a devolução do dinheiro à Coréia do Norte "complica a lógica da Iniciativa de Segurança contra a Proliferação", o plano do governo para impedir os países de comercializarem armas ilicitamente, por permitir aos norte-coreanos a recuperação dos lucros de tais atividades.

"Também vai contra a resolução do Conselho de Segurança (da ONU)" aprovada a pedido de Washington após o teste nuclear da Coréia do Norte em 9 de outubro, ele disse. O teste foi uma espécie de fiasco, uma explosão subquiloton, mas o suficiente para promover a aprovação por unanimidade de uma resolução que impõe novas sanções econômicas à Coréia do Norte.

Agora, disse Eberstadt, "os norte-coreanos podem forçar o governo Bush a contínuas reversões humilhantes de sua política".

Mas funcionários do governo contestam tal posição, argumentando que Bush nunca reverteu sua política. Eles argumentam que ele apenas esperou pelo momento certo para fechar um acordo, após o teste nuclear ter enfurecido os líderes chineses o suficiente para tirá-los da posição de árbitros neutros nas negociações e colocá-los como fonte de pressão sobre a Coréia do Norte. Os norte-coreanos chegaram ao acordo, eles argumentam, porque tanto a China quanto a Coréia do Sul cortaram a ajuda.

Em declarações públicas, tanto a secretária de Estado, Condoleezza Rice, quanto o conselheiro de segurança nacional, Stephen J. Hadley, defenderam o acordo como mais eficaz do que o acordo assinado entre a Coréia do Norte e o presidente Bill Clinton em 1994, congelando a instalação de Yongbyon.

"O que você está ouvindo", disse um alto funcionário, "são as queixas de muitas pessoas que simplesmente não acham que deveríamos estar negociando com os norte-coreanos".

Mas entre aqueles que têm objeções estão ex-membros do governo Bush que acreditam que o presidente está tão ávido por um triunfo diplomático que abriu mão de seus princípios —e está perpetuando o governo de Kim. O ex-embaixador de Bush na ONU, John R. Bolton, expressou recentemente a esperança de que os norte-coreanos violariam o acordo de 13 de fevereiro e dariam a Bush uma desculpa para renunciar o acordo.

"Um sinal de estarmos em apuros será se o governo chamar isto de 'violação' ou usará palavras como 'não cumprimento'", disse Bolton recentemente, antecipando que a Coréia do Norte não cumpriria o prazo de sábado.

Presumindo que a Coréia do Norte permita a entrada de inspetores internacionais e lacre a instalação de Yongbyon e a vizinha de reprocessamento nuclear, onde o combustível nuclear usado é transformado em plutônio para armas, ela então teria que passar para a parte mais difícil do acordo, que exige que os norte-coreanos "desativem" as instalações nucleares, um termo que o acordo não define.

No final, ela teria que prestar contas e abrir mão de todas as suas armas nucleares, um arsenal que as agências de inteligência americanas acreditam ter crescido de combustível suficiente para uma ou duas armas, quando Bush assumiu o governo, para algo entre meia dúzia ou uma dúzia de armas. Tradução: George El Khouri Andolfato

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