UOL Notícias Internacional
 

16/04/2007

Nos EUA, mães de bebês abrem empresas de fotografia

The New York Times
Hannah Fairfield

The New York Times
Depois que Dakotah, a filha de Nasha Cuevas, nasceu em 2003, a mãe quis capturar cada momento da vida da bebê em filme. Um ano e milhares de fotografias depois, Cuevas decidiu que era hora de investir em uma câmera digital de última geração com a qual ela sonhava havia muito tempo.

As fotos eram magníficas —tão detalhadas que nelas Cuevas era capaz de contar os longos cílios de Dakotah. Em breve as mulheres que integram o seu grupo de mães em Fort Myers, na Flórida, estavam pedindo a ela que tirasse fotos dos seus filhos.

"Descobri que poderia de fato ser paga para fazer aquilo que adorava fotografar bebês e recém-nascidos", explica ela. Assim, quando a sua filha fez 18 meses, nasceu a empresa Natasha Cuevas Photography.



À medida que os preços das câmeras digitais do tipo Single Reflex Lens (SLR) se tornam mais acessíveis, mais pessoas —em sua maioria mulheres, segundo a Professional Photographers of America— abrem a própria empresa de fotografia. Essas empresas muitas vezes começam como negócios de meio expediente, e outras como um trabalho de tempo integral.

As vendas de câmeras digitais, especialmente as SLRs de ponta, dispararam. As câmeras de alta resolução com mais de seis megapixels se constituem no segmento que cresce mais rapidamente no setor de câmeras fotográficas, tendo saltado de 21% do mercado em 2005 para 36% em 2006, segundo a Associação dos Consumidores de Produtos Eletrônicos dos Estados Unidos.

Quase todos os consumidores já possuem câmeras digitais, mas as novas SLRs, com sistemas rápidos de foco automático, menor peso e preços mais baratos do que os modelos do ano anterior, revelam-se objetos de desejo demasiadamente tentadores.

E esses consumidores podem utilizar o potencial para ganhar dinheiro com este novo negócio para justificarem as compras. Adquirir um nome para o negócio parece ser algo simples; muitas mulheres simplesmente acrescentam o nome "fotografia" aos próprios nomes. Muitas não necessitam de um estúdio, já que a maioria das fotos é tirada em condições de luz natural em ambiente aberto, ou na casa do cliente.

O marketing é feito com freqüência de boca em boca. Quando Jodie Otte (da J. Otte Photography) abriu o seu negócio de tempo integral há dois anos, ela imprimia cartões pessoais de negócio após cada sessão de fotos, sabendo que os seus clientes os distribuiriam caso os cartões trouxessem as fotos dos seus filhos.

Outras mulheres criaram "festas de retratos", nas quais várias famílias se reúnem e a fotógrafa iniciante tira fotos das crianças brincando. Caso os pais apreciem os resultados, eles dizem aos amigos e informam outros grupos, e assim o telefone da fotógrafa começa a tocar.

A ascensão dessas novas firmas fotográficas também está ajudando outros negócios. A BluDomain, a companhia que elabora modelos de websites especialmente para fotógrafos, cria 100 novos sites por mês para clientes. Por US$ 800, um novo fotógrafo é capaz de contar com o seu próprio site, totalmente editável e dotado de galerias de edição e de vídeos.

Laura Brophy (da Laura Brophy Photography) abriu o seu negócio de meio expediente em Canandaigua, no Estado de Nova York, com uma Canon EOS 20D e um website da BigBlackBag.com, que custa-lhe US$ 25 mensais. Agora, com o aumento das encomendas de fotos de formandos do segundo grau, graças especialmente aos amigos do seu filho adolescente que divulgou a notícia no MySpace.com, ela está se mudando neste mês para um site BluDomain, de melhor qualidade.

Embora não haja estatísticas disponíveis sobre essas empresas dos profissionais novatos da fotografia, Dana Groveds, diretora de marketing e comunicação da Professional Photographers of America, diz que a indústria vem se expandindo rapidamente nos últimos anos.

Como as despesas podem ser muito baixas —limitadas a alguns cartões pessoais e a muita conversa nos playgrounds— e como muitas novas fotógrafas possuem ou um trabalho de tempo integral ou um marido que tenha um emprego, elas podem se dar ao luxo de cobrar menos que os fotógrafos profissionais. Os profissionais, que garantem oferecer uma melhor qualidade devido a sua experiência e aos equipamentos de estúdio, podem cobrar de US$ 50 a várias centenas de dólares por uma fotografia de 20cm por 25 cm.

Alguns grandes estúdios e fotógrafos da velha guarda sentem-se preteridos. Esse suposto preconceito é evidente em vários grupos de discussão sobre fotografia, nos quais a sigla em inglês "MWAC" significa "Mãe Com uma Câmera".

"É o profissional estabelecido dos estúdios que está assustado com o fato de as mães estarem tirando boas fotos e cobrando US$ 10 por uma cópia de 20cm por 25cm", explica Kirk Voclain, fotografo de um estúdio na Louisiana que é proprietário do Pro4uM, uma grupo de discussões de fotógrafos profissionais no qual ocorrem batalhas entre a velha guarda e as mães que são novas no negócio.

"Muitos negócios do tipo 'Mãe com uma Câmera' fracassam porque elas tentam fazer a coisa de forma superficial", afirma Brophy, que tem uma filha em idade pré-escolar e dois adolescentes, e que trabalha com diretor de relações externas da Escola Warner da Universidade de Rochester, além de administrar a sua firma de fotografia nos finais de semana. "Além disso, as mulheres enfrentam um problema empresarial quando têm que pedir ao marido para comprarem uma câmera nova".

Ao contrário de algumas mulheres que mantêm uma relação informal com o lado empresarial da fotografia, Brophy possui um plano de marketing e reinvestiu todos os seus rendimentos em lentes, luzes, fundos para o seu estúdio doméstico, brochuras e o seu novo website BluDomain. Ela também está de olho em uma nova Canon.

À medida que novas câmeras digitais surgem no mercado, com preços menores e mais recursos do que os modelos do ano anterior, as novas fotógrafas não conseguem deixar de desejar as versões mais novas. Mesmo assim, muitas delas não perdem tempo em advertir que o olho do fotógrafo é muito mais importante do que a câmera, e que a capacidade de usar a tecnologia e de responder à luz é o que faz com que surja uma imagem.

É por isso que elas riem quando alguns proprietários de sofisticadas SLRs colocam as suas câmeras no automático e depois reclamam de que as fotografias não trazem nada de extraordinário, embora contem com uma resolução muito alta.

"Uma boa fotografia diz mais respeito ao fotógrafo do que à câmera", afirma Dawson, que acaba de abrir o seu negócio em Boston. "Trata-se de proporcionar conforto aos outros e de encontrar emoção nas suas faces. A câmera é apenas um instrumento". UOL

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    15h49

    -0,58
    3,126
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h59

    -0,40
    75.302,52
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host