UOL Notícias Internacional
 

18/04/2007

Dólar desvalorizado leva China a depender menos de exportações aos EUA

The New York Times
Keith Bradsher

Em Guangzhou, China
Em estande após estande na principal feira de negócios da China nesta semana, o refrão dos executivos chineses era o mesmo: "O mercado americano não é tão crucial quanto costumava ser".

Em vez disso, os produtores chineses de tudo, de meias a veículos utilitários esporte, disseram que seus maiores crescimentos atualmente se encontram na Europa, África, Oriente Médio, América do Sul e em outros pontos na Ásia. Em outras palavras, praticamente em qualquer lugar fora os Estados Unidos.

É assim por toda a China. Com amplo apoio do governo em Pequim -incluindo uma enxurrada de missões comerciais para a África e assistência com feiras de negócios na Alemanha, Austrália ou em lugares entre elas- as empresas chinesas deverão expandir para os mercados de muitas das economias que crescem mais rapidamente no mundo. Em alguns casos, elas serão concorrentes diretas das empresas americanas.

Os representantes de negócios chineses naquela que ainda é conhecida como Feira de Cantão, o antigo nome desta cidade, disseram estar desencorajados com o crescimento mais fraco da economia americana, o crescente sentimento protecionista em Washington e a desvalorização do dólar frente a moeda chinesa, que torna mais caro para os americanos comprarem produtos chineses.

Apesar de a União Européia ter restringido certas importações, particularmente calçados, as barreiras comerciais americanas chamam mais atenção. "O governo americano ainda está tentando proteger seus próprios mercados, diferente da Europa, que é bastante livre", argumentou Huang Yasong, gerente de vendas internacionais do Hubao Group, uma fabricante de camisas masculinas que está se expandindo rapidamente no Leste Europeu e no Brasil.

Mesmo assim, as barreiras comerciais limitam um pequeno percentual do comércio. Um motivo mais poderoso é a força da demanda doméstica e as flutuações da moeda.

Da fato a valorização do euro levou as exportações da China para os países da União Européia a ultrapassarem as exportações chinesas para os Estados Unidos pela primeira vez em fevereiro.

A cotação das moedas certamente influenciou as finanças da Hangzhou Jilin Machinery Company, que produz chaves de fenda e outras ferramentas. Suas vendas americanas permanecem praticamente inalteradas, enquanto as vendas para África, Europa, Oriente Médio e especialmente Austrália estão crescendo.

Zhao Wei, o gerente de vendas da empresa, atribui grande parte da culpa à desvalorização do dólar frente ao yuan chinês. Autoridades em Pequim valorizaram a moeda em 2,1% frente ao dólar em julho de 2005 e a deixaram valorizar mais 5% de lá para cá.

"É um grande problema", disse Zhao.

As exportações da China para os Estados Unidos são imensas e estão crescendo, assim como o desequilíbrio comercial, que é significativamente maior do que o déficit da União Européia com a China. Este é o principal motivo para o comércio ser o foco da atenção do Congresso controlado pelos democratas, o que torna provável que os atritos comerciais entre os dois países persistirão e possivelmente se agravarão nos próximos meses.

A China ultrapassou o Canadá nos primeiros dois meses deste ano como maior exportador para os Estados Unidos. Segundo estatísticas divulgadas pela Organização Mundial do Comércio na última quinta-feira, a China também superou os Estados Unidos na segunda metade de 2006 para se tornar a segunda maior exportadora mundial de bens, atrás da Alemanha.

A China ainda é quase 25 vezes mais dependente de exportações para os Estados Unidos - como percentual de sua produção econômica total - do que os Estados Unidos de exportações para a China. Dado que a economia chinesa tem menos de um quarto do tamanho da economia americana, é ainda mais notável que as exportações chinesas para os Estados Unidos tenham um valor seis vezes maior do que as exportações americanas para a China.

As exportações americanas representaram cerca de quatro décimos de 1% da produção econômica nos primeiros dois meses deste ano, enquanto as exportações chinesas para os Estados Unidos foram iguais a quase 10% de toda a produção chinesa.

O governo e as empresas por toda a China estão cada vez mais vendo o risco de se tornarem dependentes demais de um único mercado. Logo, eles estão ampliando seus esforços para vender para outros países, particularmente aqueles fora do mundo industrializado. Por exemplo, a Great Wall Motor Company, uma fabricante de veículos utilitários esporte e sedãs, mais que quintuplicou suas exportações em dois anos, para 27.505 veículos no ano passado. Virtualmente todo o aumento veio de mercados ricos em petróleo, que estão crescendo rapidamente, como a Rússia e o Oriente Médio. "A Europa e a América do Norte não são nossos mercados principais", disse o presidente da empresa, Wei Jianjun.

E Franklin L. Lavin, o subsecretário de comércio exterior dos Estados Unidos, disse: "A China tem feito um esforço nos últimos anos para diversificar seus mercados de exportação". Ele notou que a participação chinesa nas importações americanas ainda está crescendo, mas em um ritmo mais lento.

A China também buscou ir além de produzir números imensos de camisetas e brinquedos para consumidores ocidentais prósperos. Ela agora produz uma grande variedade de bens industriais e equipamentos de transporte, como máquinas têxteis e caminhões pesados. Ela os exporta em quantidades cada vez maiores para os países em desenvolvimento, muitos dos quais estão lucrando com a alta dos preços das commodities e precisam da durabilidade rude, mas eficaz dos produtos chineses.

Uma crescente parcela dos bens chineses é enviada para o sul da Europa, com vendas particularmente fortes na Espanha e Itália, onde os compradores freqüentemente são menos ricos no que no norte da Europa - apesar de haver sinais de uma reação de trabalhadores e seus sindicatos. George El Khouri Andolfato

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