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21/04/2007

Pentágono convida Kremlin a integrar sistemas de mísseis

The New York Times
Thom Shanker

Em Washington
O governo Bush está oferecendo à Rússia um novo pacote de incentivos para ceder em sua forte oposição às bases de mísseis de defesa americanas na Polônia e na República Tcheca, incluindo um convite para integração de alguns dos sistemas antimísseis americanos e russos, segundo altos funcionários do governo e oficiais das forças armadas.

O pacote inclui ofertas americanas de cooperação no desenvolvimento de tecnologia de defesa e compartilhamento de inteligência sobre ameaças comuns, assim como permissão para oficiais russos inspecionarem as futuras bases de mísseis.

As autoridades americanas disseram que as iniciativas foram propostas ao menos em parte a pedido dos aliados europeus, assim como refletem um reconhecimento por parte dos altos escalões do governo Bush de que não foi ágil em lidar com a Rússia - e com alguns aliados da Otan - em seu plano de implementação de mísseis de defesa e radares na Polônia e na República Tcheca.

As iniciativas incluem ofertas que são "mais profundas, mais específicas e concretas" do que quaisquer propostas anteriores de cooperação do governo Bush aos líderes do Kremlin, segundo um alto funcionário envolvido no planejamento das negociações com os russos. Em termos militares, a iniciativa americana para os russos em defesa antimísseis incluirá um convite "para uma integração fundamental de nossos sistemas", disse um alto oficial militar envolvido nas discussões. Este conceito de integração de alguns sistemas militares russos e americanos para uma defesa antimísseis comum seria de um grau inexistente em qualquer outra área das relações militares russo-americanas.

As ofertas de cooperação serão apresentadas às autoridades russas nas próximas semanas, em uma série de encontros de alto nível que estão sendo marcados por altos membros do governo americano, em particular o secretário de Defesa, Robert M. Gates, e a secretária de Estado, Condoleezza Rice. Se tais negociações correrem bem, elas prosseguirão ao longo do ano com o presidente Bush e o presidente Vladimir Putin.

Apesar de uma série de sessões e encontros bilaterais sob patrocínio da Otan para explicar o plano de defesa antimísseis americano, Putin e seu círculo interno expressaram um profundo ressentimento a respeito, manifestando sua raiva em comentários públicos cáusticos que preocuparam enormemente alguns dos principais aliados americanos na Europa.

O governo alemão, em particular, pediu aos americanos para elaborarem o tipo de iniciativa para cooperação e transparência na defesa antimísseis que será apresentada à Rússia. "O governo também ouviu queixas de outros aliados, incluindo a França, de que precisará se sair melhor na administração do relacionamento com a Rússia caso os Estados Unidos queiram apoio dos aliados para o esforço de defesa antimísseis", disse outro alto funcionário do governo envolvido no planejamento das iniciativas.

"Assim, Gates e depois Rice darão seu apoio a esta nova oferta", acrescentou o funcionário. "Nós não daremos à Rússia um veto sobre nosso programa, mas isto vai além de ser uma cooperação 'passiva', apresentando formas novas e ativas com que poderemos trabalhar juntos contra ameaças comuns."

Outro alto funcionário do governo, explicando o esforço acelerado para envolver a Rússia na questão, reconheceu: "Nós estamos um pouco atrasados no jogo. Nós devíamos ter apresentado estes argumentos, feito a defesa mais forte do caso antes das pessoas começarem a definir o debate para nós - em termos falsos".

A oferta incluiria um convite para um esforço conjunto aberto de "pesquisa e desenvolvimento técnico" de futuras defesas antimísseis que poderiam proteger os territórios dos Estados Unidos e da Rússia, assim como de seus aliados, disse um alto oficial militar.

Além disso, com a permissão dos governos polonês e tcheco, quaisquer bases americanas de defesa antimísseis em seus territórios estariam abertas para inspeção russa, semelhante às garantias que Washington e Moscou negociaram para inspecionar os silos de mísseis um do outro para assegurar o cumprimento dos tratados de controle de armas, disseram as autoridades.

"Nós estamos comprometidos a um nível máximo de transparência, não apenas para com nossos cidadãos, mas também para com nossos vizinhos", disse Karel Schwarzenberg, o ministro das Relações Exteriores tcheco, que esteve em Washington nesta semana para conversações com autoridades americanas sobre a defesa antimísseis.

Os detalhes sobre o novo pacote de convites à Rússia para cooperação na defesa antimísseis foram descritos por funcionários civis do governo e por oficiais militares, que disseram acreditar que a iniciativa foi um grande passo para acalmar as objeções russas aos planos americanos.

Em suas propostas de defesa antimísseis, o governo Bush pede à Polônia para que receba 10 interceptadores antimísseis em seu território e à República Tcheca para que receba um radar de rastreamento. Ambos os sistemas foram projetados para defender o território europeu de um ataque de mísseis pelo Irã, mas ameaçaram uma ruptura dos laços com Moscou e incomodaram alguns aliados da Otan.

Todavia, o governo Bush e as forças armadas estão demonstrando uma incomum unanimidade sobre o prosseguimento da defesa antimísseis, diferente dos amargos desentendimentos internos em torno da estratégia no Iraque e das regras para deter e interrogar os suspeitos de terrorismo.

A base para as futuras negociações de Gate e Rice com Rússia foi estabelecida ao longo das últimas semanas, em viagens intensas, mas discretas a Moscou e às capitais da Otan por um grupo de altos funcionários e oficiais. Entre eles estavam o subsecretário de Defesa para políticas, Eric Edelman; dois secretários assistentes de Estado, Daniel Fried e John Rood; o general Henry A. Obering III, diretor da Agência de Defesa Antimísseis, e seu vice, o general Patrick O'Reilly; e a embaixadora americana na Otan, Victoria Nuland.

As autoridades americanas não têm ilusões de que os novos incentivos garantirão o consentimento da Rússia para as bases antimísseis na Polônia na República Tcheca, já que a oposição do Kremlin às bases de mísseis está envolta em políticas domésticas assim como em sua visão da política de segurança nacional em Washington e em seus aliados da Otan.

Até o momento, as autoridades russas zombaram de qualquer sugestão de que as objeções de Moscou às bases antimísseis americanas em antigos Estados soviéticos seriam minimizadas por ofertas de cooperação.

"Quanto a uma possível cooperação em defesa antimísseis estratégica, falando francamente, eu não vejo razão para isto", disse Sergei B. Ivanov, o primeiro vice-primeiro-ministro que há serviu como ministro da Defesa da Rússia, em comentários citados pela agência de notícias "Interfax".

As autoridades americanas buscaram rebater a oposição russa apontando que o sistema limitado de defesa antimísseis previsto para a Europa -10 interceptadores cujas ogivas são projetadas para colidir com mísseis em aproximação e que nem mesmo carregam explosivos- não é numericamente uma ameaça à vasta força de foguetes estratégicos de Moscou.

O sistema proposto, disseram os americanos, é um prudente dissuasor contra um potencial ataque iraniano contra aliados americanos na Europa e contra as forças americanas baseadas lá.

As autoridades americanas reconheceram que parte da motivação russa para bloquear a defesa antimísseis americana é o temor de que os Estados Unidos, com o passar do tempo, possa desenvolver uma tecnologia inovadora capaz de algum dia neutralizar o arsenal estratégico russo.

O conceito de compartilhar tecnologia antimísseis com os russos não é novo. Na verdade, mesmo quando o presidente Ronald Reagan propôs seu grande plano para um escudo antimísseis sob o chamado programa Guerra nas Estrelas, ele prometeu que a nova tecnologia poderia ser compartilhada com o Kremlin para assegurar que a Rússia não tivesse nada a temer com as defesas americanas.

As propostas de defesa antimísseis para a Europa central também se tornaram um problema para as autoridades russas, que ainda amarguram a expansão dos Estados Unidos e da Otan para o leste após o colapso da União Soviética.

Mesmo entre algumas autoridades na Polônia e República Tcheca, o apoio às duas bases antimísseis está mais ligado ao interesse de manter os Estados Unidos mais próximos de suas capitais, contra uma futura ameaça russa, do que em dissuadir uma futura ameaça de mísseis iranianos.

As autoridades americanas não anunciaram o cronograma para as futuras negociações. Mas em Moscou, Igor Ivanov, o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, disse que Gates deverá participar de reuniões no Kremlin na segunda-feira e que Rice deverá visitar o país em maio. George El Khouri Andolfato

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