UOL Notícias Internacional
 

26/04/2007

MLB busca uma estratégia para contratar jogadores cubanos

The New York Times
Michael S. Schmidt
Os dirigentes da Liga Norte-americana de Beisebol (MLB) estão se preparando discretamente para restabelecerem uma relação com Cuba caso os Estados Unidos suspendam o embargo comercial.

Fidel Castro, 80, vem apresentando sérios problemas de saúde nos últimos anos, e o seu irmão Raul é o presidente interino de Cuba, o que tem gerado especulações a respeito do futuro do país. Os dirigentes do beisebol começaram a discutir há um ano e meio formas de abordar a possibilidade de relações normais com Cuba.

A liga de beisebol está estudando uma estratégia para que os times contratem jogadores cubanos e para a criação de um sistema organizado de aquisição de talentos da ilha, segundo três dirigentes e um especialista em beisebol que foram ouvidos a respeito desses planos.

"Pode ser que não haja modificações significativas no nosso relacionamento com Cuba no curto prazo, mas isso não significa que não devemos pensar sobre essas coisas", disse em uma entrevista por telefone Joe Garagiola Jr., vice-presidente de operações de beisebol da MLB. "Temos pensado nessas possibilidades, e isso é provavelmente tudo o que posso dizer neste momento".

Garagiola, ex-gerente-geral do Arizona Diamondbacks, está coordenando as discussões sobre o beisebol de Cuba. O establishment do beisebol também está considerando transferir um time da liga secundária para Cuba e construir academias de treinamento similares àquelas com as quais contam quase todas as equipes da República Dominicana, segundo uma reportagem publicada no início deste mês pela revista "Fortune".

Nos últimos doze meses a MLB intensificou os seus esforços no sentido de se expandir internacionalmente. Em março de 2005, a MLB e o sindicato dos jogadores organizaram o primeiro World Baseball Classic, um torneio internacional de 16 equipes criado para promover o interesse pelo esporte. O beisebol deu início a iniciativas de expansão na Ásia e na África no último período entre as temporadas da América do Norte.

Mas Cuba, que fica a 145 quilômetros da costa da Flórida, conta com uma rica história de beisebol e é considerada uma futura fonte de jogadores, torcedores e rendas. Os primeiros jogadores cubanos chegaram aos Estados Unidos para jogar beisebol profissional no início do século passado. Em 1946, o Washington Senators criou um time da liga secundária em Cuba, e o Brooklyn Dodgers realizou treinamentos esporádicos de primavera nas décadas de 1930 e 1940.

Castro tomou o poder em 1959, e os Estados Unidos impuseram sanções sobre Cuba em 1961. Alguns jogadores cubanos que desde então chegaram à liga principal foram desertores, como o lançador Jose Contreras, do Chicago White Sox, Orlando Hernandez, do Mets e o seu meio-irmão Livan Hernandez, do Diamondbacks.

Ao todo, Cuba produziu 152 jogadores da liga principal, segundo o site www.baseball-reference.com, incluindo Minnie Minoso, Camilio Pascual, Luis Tiant, Tony Oliva e Tony Perez.

Fora dos Estados Unidos e do Canadá, somente Venezuela, Porto Rico e República Dominicana produziram um número maior de jogadores. O maior número de jogadores cubanos foi 30, em 1967, e houve nove no ano passado, segundo o website.

Em 1999, Baltimore disputou uma série de jogos com Cuba nos dois países, depois que o dono do Orioles, Peter Angelos, negociou com o governo Clinton para permitir a concretização dos delicados arranjos.

Mas as entidades que controlam o beisebol, de acordo com a lei dos Estados Unidos, proíbem os clubes de procurarem talentos em Cuba ou em qualquer país afetado por sanções. E como os caçadores de talento da MLB só têm permissão para observar os jogadores cubanos quando estes competem em torneios internacionais fora da ilha, pouco se sabe sobre o beisebol em Cuba. Ninguém sabe ao certo qual é o tamanho do banco de talentos, em que estágio de desenvolvimento se encontram as ligas juvenis e em que estado estão os campos e os equipamentos.

Cuba tem uma liga nacional de 16 times que atuam em uma temporada de 90 jogos de novembro a abril. Acredita-se que atletas como o segundo jogador de base Yulieski Gourriel, que fascinou os caçadores de talentos no World Baseball Classic do ano passado, tenham talento suficiente para jogar na MLB. Mas o nível médio daquela competição foi considerado como próximo da categoria dos jogos da Classe AA nos Estados Unidos, que está dois estágios abaixo da MLB. Cuba se saiu bem nas competições internacionais, incluindo o World Baseball Classic.

O país foi às finais do evento, mas acabou perdendo para o Japão. "Todos aqui se perguntam qual a quantidade de talentos que realmente existe por lá", afirma Lou Melendez, vice-presidente de operação e administração internacionais de beisebol da MLB, que é responsável pela fiscalização das academias de beisebol de outros países. "Não creio que Cuba seja tão forte quanto a República Dominicana, mas ninguém sabe ao certo. Existe um banco de talentos na ilha, mas simplesmente não conhecemos o tamanho deste banco".

Os dirigentes do beisebol mantiveram contatos com executivos, professores universitários e jogadores nascidos em Cuba para aprenderem mais sobre as características desse esporte, e da vida, na ilha.

Discussões entre o establishment do beisebol e o Departamento de Estado poderão ocorrer em breve, mas um porta-voz do departamento se recusou a fazer comentários sobre uma situação diplomática hipotética como as relações dos Estados Unidos com uma Cuba pós-Castro.

Roberto Gonzalez Echevarria, professor de literatura da Universidade Yale e autor do livro "The Pride of Havana: A History of Cuban Baseball" ("O Orgulho de Havana: Uma História do Beisebol Cubano"), disse que estava assessorando informalmente Garagiola e que tem a impressão de que os dirigentes do beisebol norte-americano desejam trabalhar com Cuba. Gonzalez Echevarria nasceu em Cuba.

"Joe disse que eles desejam respeitar os ditames liga, mas no momento que os times da MLB tiverem permissão para contratar jogadores cubanos, todos vão querer sair", disse Gonzalez Echevarria. "Será que os jogadores prefeririam jogar em um país pobre ou na liga secundária dos Estados Unidos na esperança de alcançar a MLB?".

Um gerente importante da MLB, que deu entrevista sob a condição de que o seu nome não fosse divulgado porque não deseja revelar as intenções do seu time com relação a Cuba, disse que o seu clube tem planos quanto aos jogadores da ilha, mas que acatará todas as regras impostas pela liga de beisebol.

"O que acontecerá se Cuba se tornar livre dependerá das regras que a MLB estabelecer", disse o gerente. "Estamos de olho na situação, mas nada podemos fazer até que as regras sejam modificadas. Trataríamos Cuba como qualquer outro país latino-americano e procuraríamos construir instalações de treinamento lá".

Um outro gerente, que pediu que o seu nome não fosse identificado pelo mesmo motivo, afirmou que a MLB não deixará que os times "simplesmente corram até Cuba e contratem o maior número possível de jogadores". Segundo ele, é preciso que se imponha um sistema organizado para a aquisição de jogadores.

Por ora, o futuro de Cuba é incerto. Castro passou por uma cirurgia de emergência no intestino no ano passado e cedeu as responsabilidades de liderança ao seu irmão. O presidente Hugo Chávez da Venezuela disse recentemente que Castro, um amigo e aliado próximo, está "quase totalmente recuperado" da sua enfermidade e que "reassumiu grande parte das suas tarefas", embora não formalmente.

Gonzalez Echevarria descreveu a situação envolvendo as relações com Cuba como "extremamente complicadas". "A maneira de lidar com uma Cuba pós-Castro é um processo, e não algo súbito", disse ele. "A situação mudará gradualmente. O beisebol precisa ser flexível para lidar com isso". UOL

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host