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27/04/2007

"Primeiro cônjuge" no Eliseu?

The New York Times
Elaine Sciolino

Em Paris
Não importa quem vencer a presidência da França no dia 6 de maio, a vida no grande palácio presidencial do Eliseu está destinada a mudar. Não há futuro para o papel de parceira dedicada preenchido na última década por Bernadette Chirac. Como primeira dama, ela presidiu obras de caridade, promoveu jantares e serviu como autoridade local na cidade campestre de Correze. Os dois candidatos presidenciais são membros de casais não convencionais.

Ségolène Royal, candidata do Partido Socialista, não é casada com o pai de seus quatro filhos, François Hollande. Mais do que isso, são rivais políticos. Como presidente do Partido Socialista, ele mesmo quase foi candidato, e diz que tentará concorrer em 2012, se Royal perder desta vez. "Certamente, sem dúvida. Também é uma competição entre nós", disse ele na quarta-feira (25/4), em uma entrevista em um trem de Paris a Nantes.

Ele acrescentou que, mesmo que Royal vencesse as eleições, não ia se unir a ela no Eliseu para seu mandato de cinco anos. "Não serei eu o eleito", disse ele. "Se Ségolène Royal vencer, minha situação não mudará. Ségolène Royal terá uma grande responsabilidade e terá que decidir qual é a melhor forma de exercê-la - inclusive onde vai morar."

Isso não é "Bill e Hillary" em 1992, quando Bill Clinton disse ao povo americano que estava levando "dois pelo preço de um", prometendo que Hillary Clinton seria uma parceira em tempo integral na política e talvez até participasse do gabinete em sua presidência.

"Na França, você não precisa de dois, precisa de um", disse Hollande. "Meu papel não é ser co-candidato com Ségolène Royal. A candidata precisa ser livre e responsável. Meu papel é ajudá-la - mas como secretário do partido, não em minha capacidade privada."

Ceciília Sarkozy, esposa de 49 anos do líder nas pesquisas e candidato conservador Nicolas Sarkozy, esteve praticamente ausente durante a campanha. Perguntada como via sua vida em 10 anos, ela respondeu: "Nos EUA, correndo no Central Park." "Não me vejo como primeira dama", disse ela em um programa de televisão francês popular. "Isso me entedia. Não sou politicamente correta."

Certamente, houve outros momentos na história de 49 anos da Quinta República nos quais cônjuges presidenciais - e até presidentes- não apreciavam a vida no Eliseu.

Os presidentes Georges Pompidou, Valery Giscard d'Estaing e François Mitterrand e seus cônjuges mantiveram suas residências privadas e raramente passavam a noite no Eliseu. Quando a esposa de Giscard d'Estaing, Anne-Aymone, foi perguntada no início o que mais queria fazer como primeira dama, ela respondeu: "Não ser mais primeira dama."

Mas o papel está mudando de um pilar sofrido de apoio a um símbolo da independência, enquanto a vida privada dos políticos vai começando a fazer parte da política na França.

Hollande pode já ter sofrido o suficiente. Ele é o homem esquecido da política presidencial francesa, o que poderia ter sido candidato. Em vez disso, foi condenado a um papel coadjuvante menor: cruzar o país promovendo Royal.

O relacionamento Royal-Hollande é, no mínimo, complicado. Os dois estão juntos desde que se conheceram, no final dos anos 70, como alunos da École Nationale d'Administration, que forma a elite política francesa. Como membros do Parlamento, eles têm escritórios interligados por uma porta comum.

Seu relacionamento não está claro. Repetidamente durante a campanha, Royal se disse uma "mulher livre". Em uma entrevista no ano passado, ela declarou claramente: "Não somos um casal."

Na quarta-feira (25/4), quando perguntaram a Hollande se eram um casal, ele disse: "Não cabe a nós confirmar ou negar. Nossas vidas pertencem a nós." Royal negou rumores de que ela e Hollande estavam vivendo separados, dizendo em um livro de entrevistas publicado em março: "Sim, ainda estamos juntos e sim, ainda moramos juntos."

Diferentemente de Hollande, Cecília Sarkozy manteve distância da trilha da campanha, apesar de ter trabalhado ao seu lado durante grande parte do mandato de Nicolas Sarkozy no gabinete, administrando sua agenda, sua estratégia e até sua dieta.

No primeiro turno das eleições, entretanto, Cecília Sarkozy reapareceu subitamente, acompanhando o marido ao posto de votação. Nicolas Sarkozy disse em entrevista recente ao "Le Figaro" que pretendia morar no Eliseu se fosse eleito. Perguntado se sua mulher faria o papel de primeira dama, ele evitou responder.

"Você elege um candidato, não uma família", disse ele. "Se for eleito, minha mulher terá um papel. Isso é óbvio. Fui repreendido durante anos por expor minha família. Agora me perguntam por que não a exponho."

Nas últimas duas semanas, a mídia francesa levantou a questão se Cecília Sarkozy tinha saído de casa, como fez em 2005, quando aparentemente saiu com um executivo de relações públicas, retornando com enorme publicidade.

"Uma mulher deixando o casamento tem conseqüências muito mais sérias, tanto físicas quanto psicológicas, do que um caso extraconjugal", escreveu Daniel Schneidermann, colunista da mídia do jornal de esquerda Liberation, na semana passada.

Ele se referia ao caso da filha de Mitterrand, Mazarine, nascida fora do matrimônio e cuja existência foi escondida por mais de uma década.

O colunista exortou seus colegas jornalistas a romperem o código de silêncio e perguntarem o que "qualquer colega americano consideraria normal: 'Sr. Sarkozy, há rumores que sua esposa saiu de casa. O que pode nos dizer sobre isso?'"

Perguntado se os Sarkozy não estavam mais morando juntos, Franck Louvrier, porta-voz de Nicolas Sarkozy, recusou-se a comentar, dizendo em mensagem de e-mail: "Isso é uma questão particular. Deborah Weinberg

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