UOL Notícias Internacional
 

28/04/2007

Arábia Saudita prende 172 em batida antiterror

The New York Times
Michael Slackman

Em Riad, Arábia Saudita
Agentes de segurança sauditas disseram na sexta-feira (27/4) que tinham desbaratado um vasto círculo terrorista, prendendo 172 homens que planejavam explodir plantas de petróleo, atacar personalidades públicas e postos militares e invadir uma prisão para liberar suspeitos de terrorismo.

O vasto complô foi descoberto em um período de sete meses, enquanto uma pista levava a outra, e permitiu que as autoridades encontrassem um esconderijo de armas enterradas no deserto e mais de US$ 5,3 milhões (em torno de R$ 10,6 milhões) em dinheiro.

O governo referiu-se ao círculo como "grupo desviante", expressão freqüentemente usada para descrever a ideologia da Al Qaeda.

"Isso não aconteceu da noite para o dia", disse o general Mansour Al Turki, porta-voz do Ministério do Interior. "Isso faz você ver que os terroristas estão tentando restabelecer as atividades no reino. Ainda há uma guerra acontecendo."

As autoridades disseram que os suspeitos tinham treinado no exterior, na Somália, no Afeganistão e especialmente no Iraque. O caos no Iraque promove a ideologia radical entre os jovens da região e fornece o ambiente para os militantes treinarem, disseram autoridades e analistas locais.

"É o início do vazamento das operações de jihad do Iraque", disse Abdul Aziz Al Qassim, juiz saudita aposentado e ativista islâmico moderado. "Está claro que é um dos efeitos do que está acontecendo no Iraque, em termos de treinamento e em termos de aprendizado com a experiência iraquiana."

Uma declaração do Ministério do Interior disse que havia sete células espalhadas pelo país, na maior parte compostas de sauditas. Alguns suspeitos tinham começado o treinamento para usar armas e outros tinham sido enviados ao exterior para aprender a pilotar aviões, apesar de as autoridades não dizerem qual era especificamente o objetivo do treinamento de pilotos.

A declaração também disse que algumas armas tinham sido armazenadas próximas a alvos, e que um grupo estava em vias de iniciar seus ataques.

Nas imagens transmitidas pela televisão estatal, investigadores desenterravam armas no deserto, incluindo explosivos plásticos, pistolas e rifles embrulhados em plástico. "Um de seus principais projetos era desenvolver ataques suicidas contra figuras públicas, instalações de petróleo e bases militares, dentro e fora" do país, disse a declaração.

Em Washington, membros da inteligência americana disseram que parecia que os sauditas tinham suprimido um complô da Al Qaeda. Um membro da inteligência disse que o plano estava "muito além de aspirações", mas recusou-se a dizer o quão perto os militantes estavam de iniciar a operação.

Turki disse que a investigação era contínua na batalha do reino contra a ideologia entrincheirada que promove o terrorismo e tenta recrutar jovens. A declaração oficial repetidamente referia-se à "ideologia takfir", que efetivamente permite a um muçulmano declarar outro como apóstata, ou herege, e depois matá-lo.

"Nunca de fato dissemos que chegamos ao fim", disse Turki em entrevista. "Sempre confirmamos que os esforços das forças de segurança não são suficientes, a não ser que realmente lidem com a ideologia que está inspirando essas pessoas a se envolverem nessas atividades."

O governo saudita foi forçado a enfrentar o aumento do pensamento islâmico radical violento dentro de suas fronteiras, após os ataques de 11 de setembro, no qual 15 dos 19 seqüestradores eram sauditas.

O reino, contudo, tem sua própria história de violência e, em certo ponto - após a tomada da Grande Mesquita em Meca por militantes em 1979- encontrou segurança no apoio a algumas das vozes mais radicais de muçulmanos sunitas religiosos. Na época, as autoridades também se preocupavam com a revolução islâmica no Irã, que levou um governo xiita ao poder.

Nos últimos anos, entretanto, a ideologia promovida pela Al Qaeda pediu a remoção da família real, chamando-a de anti-islâmica. A segurança foi reforçada marcadamente após um ataque ao consulado americano em Jeddah e a explosão de um complexo habitacional para estrangeiros.

Nos últimos meses, houve uma tentativa fracassada de explosão de uma planta de petróleo, o assassinato de três cidadãos franceses e a decapitação de um oficial de segurança do Estado, ações que as autoridades ligam à luta contra a ideologia radical. As autoridades decidiram que não só dependerão das forças de segurança, mas tentarão "reeducar" os suspeitos de elos terroristas.

A abordagem gerou uma piada que corre por Riad, que diz que a melhor forma de arrumar um emprego e uma casa nova é entrar para a Al Qaeda - e depois arrepender-se para o governo. Turki disse que, quando as autoridades conseguem fazer os presos mudarem de idéia, estes se tornam informantes úteis.

"Se mudam de opinião, eles trabalham contra a ideologia, eles ajudam a polícia, contam coisas", disse ele. "Eles dizem como melhorar as ações para impedir a continuação da ideologia."

O caso anunciado na sexta-feira mostrou o tamanho do desafio o governo enfrenta. O número de pessoas era grande, as autoridades admitiram, e as prisões aconteceram apenas seis meses após outro grupo de 136 pessoas ser encarcerado em batida similar e acusado de planejar crimes similares, disse o general.

"O fato de esses jovens terem sido recrutados aponta para um enorme fracasso no combate à Al Qaeda", disse Faris bin Hizam, escritor especializado no grupo. "Combater a Al Qaeda envolve um lado de segurança e um lado ideológico. O lado de segurança tem sucesso, mas o outro lado de combater a Al Qaeda, o ideológico, não."

O anúncio do complô foi feito em uma sexta-feira, dia de prece e descanso, quando todos os escritórios estão fechados. O mais assustador para alguns foi a descrição do governo de uma das células: as autoridades disseram que era constituída de 61 homens, na maior parte sauditas, que viajaram com seu líder para o local mais sagrado ao islã, Meca, onde eles prometeram "ouvir, obedecer e executar suas ordens".

"A Al Qaeda não é mais uma estrutura organizada", disse Qassim, o juiz aposentado. "Tornou-se uma ideologia e um sistema de trabalho. Isso é a Al Qaeda hoje." Deborah Weinberg

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