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28/04/2007

CIA manteve líder da Al Qaeda em prisão secreta por meses

The New York Times
Mark Mazzetti e David S. Cloud

Em Washington
A CIA manteve um líder da Al Qaeda capturado em uma prisão secreta desde o ano passado e o transferiu na semana passada para a prisão militar americana em Guantánamo, Cuba, disseram funcionários do governo na sexta-feira.

Abd al Hadi al Iraqi, um curdo iraquiano que teria ingressado na Al Qaeda no final dos anos 90 e ascendido dentro do grupo até se tornar um importante assessor de Osama Bin Laden, é o primeiro suspeito de terrorismo que foi reconhecidamente mantido em prisões secretas da CIA desde que o presidente Bush anunciou a transferência dos 14 prisioneiros para Guantánamo, em setembro passado.

O Pentágono anunciou a transferência, dando poucos detalhes sobre sua prisão ou confinamento.

O caso de Al Iraqi sugere que a CIA pode ter adotado um novo modelo para lidar com os prisioneiros mantidos secretamente - uma prática que o governo Bush disse que poderá ser retomada e que o Congresso permitiu quando aprovou a Lei de Comissões Militares em 2006.

Diferente dos antigos detidos da CIA, incluindo um dos planejadores do 11 de Setembro, Khalid Shaikh Mohammed, que ficou mantido como prisioneiro pela agência por vários anos após sua captura no Paquistão, em 2003, Al Iraqi foi entregue ao Pentágono após poucos meses de interrogatório. Ele parece ter sido posto sob custódia da CIA poucas semanas após o governo Bush ter declarado o esvaziamento das prisões da central de inteligência.

No ano passado, Bush declarou que os interrogatórios da agência eram "um dos esforços de inteligência mais bem-sucedidos na história americana". Mas sua detenção secreta de suspeitos de terrorismo tem sido amplamente criticada por organizações de direitos humanos e governos estrangeiros como uma violação da lei internacional e por empregar métodos de interrogatório próximos de tortura.

Funcionários da inteligência disseram que, durante o interrogatório, Al Iraqi forneceu informações valiosas sobre a hierarquia e operações da Al Qaeda. Ele parece ter dado esta informação após ser submetido a métodos e interrogatório padrão aprovados pelo Departamento de Defesa - não os métodos mais duros que a CIA aguarda aprovação para usar.

Um debate no governo adiou a aprovação dos métodos propostos pela CIA.

Autoridades de inteligência e oficiais militares disseram que Al Iraqi foi capturado no ano passado a caminho do Iraque, para onde teria sido enviado por altos líderes da Al Qaeda no Paquistão para assumir um alto posto na Al Qaeda na Mesopotâmia. Tal grupo reivindica a responsabilidade por alguns dos ataques mais mortíferos no Iraque, incluindo um a bomba, no ano passado, contra a Mesquita Dourada de Samarra.

Em uma mensagem aos funcionários da agência na sexta-feira, o general Michael V. Hayden, o diretor da CIA, chamou a captura de "uma vitória significativa". Ele disse que agentes da CIA tiveram um "papel chave nos esforços para localizar" Al Iraqi. Apesar das autoridades americanas não terem dito onde e quando Al Iraqi foi capturado, elas disseram que não foi no Paquistão e nem no Irã, países nos quais ele atuou nos últimos anos.

Defensores de direitos humanos expressaram revolta diante da continuidade do programa de detenção secreta pelos Estados Unidos, e alguns se perguntaram por que a CIA alega precisar de métodos de interrogatório mais severos para extrair informação dos prisioneiros quando parece que Al Iraqi cedeu a informação com o uso das práticas de interrogatório do Pentágono.

"A CIA não parece estar contando esta história direito", disse John Sifton, do Human Rights Watch. "Se conseguem extrair boa inteligência sem o uso de técnicas abusivas, por que necessitam desesperadamente do uso de técnicas abusivas?" Mas ele disse que não há como saber se Iraqi sofreu maus-tratos, porque "não há monitores independentes capazes de vê-lo desde que foi preso".

Em sua mensagem na sexta-feira, o general Hayden disse que a agência sempre operou "de acordo com as leis e valores americanos".

As autoridades americanas há muito temiam os esforços da liderança da Al Qaeda no Paquistão para exercer controle sobre sua filial no Iraque, conhecida como Al Qaeda na Mesopotâmia. O envio de Al Iraqi para ajudar a dirigir a filial no Iraque gerou preocupação entre os oficiais militares americanos de que os elos entre os vários grupos da Al Qaeda estavam crescendo.

"Nós claramente estamos vendo elos de uma rede maior da Al Qaeda", disse o general David H. Petraeus, o mais alto comandante americano no Iraque, aos repórteres no Pentágono na quinta-feira.

Mas o relacionamento entre os combatentes da Al Qaeda no Iraque e a liderança parece ter aumentado e diminuído ao longo dos anos, freqüentemente em torno de desentendimentos táticos.

Em 2005, Ayman al Zawahri, o segundo em comando da Al Qaeda, escreveu uma carta a Abu Musab al Zarqawi, na época o mais alto agente da Al Qaeda no Iraque, pedindo para que se abstivesse de matar xiitas. Mas de lá para cá, especialistas em terrorismo disseram que viram a Al Qaeda na Mesopotâmia se tornar em grande parte independente do eixo da organização no Paquistão. George El Khouri Andolfato

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