UOL Notícias Internacional
 

01/05/2007

Relatório gera mais pedidos de renúncia do primeiro-ministro israelense

The New York Times
Isabel Kershner

Em Jerusalém
Um relatório oficial sobre os erros do governo israelense na guerra contra a Hezbollah no Líbano no último verão foi divulgado na segunda-feira (30/4), gerando um debate público sobre a capacidade de o primeiro-ministro Ehud Olmert manter-se no poder.

O apoio a Olmert está incerto desde a guerra, considerada um fracasso por muitos israelenses. Pesquisas de opinião atuais mostram seu índice de aprovação entre 2 e 3%.

As conclusões do relatório parcial dizem que Olmert "tomou uma decisão apressada" ao lançar a campanha por terra, mar e ar, em julho, contra os guerrilheiros da Hezbollah, e acusam-no de "uma séria falha no exercício do julgamento, da responsabilidade e da prudência", de acordo com a Reuters.

Segundo a agência de notícias, Olmert respondeu ao receber a cópia das conclusões: "Vamos definitivamente estudar seu material... e garantimos que em qualquer cenário futuro de ameaça contra Israel, as dificuldades e erros que vocês citaram serão corrigidos".

O relatório não pediu a Olmert que renunciasse, e uma alta autoridade disse no domingo que Olmert não pretende fazê-lo; segundo as agências de notícias, assessores de Olmert estavam dizendo o mesmo sobre suas intenções na segunda-feira.

Um porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse à Agence France-Presse na segunda-feira que o presidente Bush vê Olmert como "essencial" na busca pela paz no Oriente Médio. Mas políticos da oposição em Israel, tanto da esquerda quanto da direita, já pediram ao primeiro-ministro que renuncie. Um movimento de protesto formado recentemente, liderado por um ex-agente da segurança nacional, está organizando um comício Tel Aviv, na quinta-feira, com o slogan "O senhor fracassou, vá para casa".

A versão completa do relatório será divulgada em vários meses. Ele está sendo desenvolvido por um comitê nomeado pelo governo e chefiado por Eliyahu Winograd, juiz aposentado. Já se esperava que o resultado, muito antecipado, contivesse duras críticas ao processo de decisão que levou à guerra. Também eram esperadas repreensões ao desempenho do primeiro-ministro; o ministro da defesa, Amir Peretz; e o comandante do Estado Maior, general Dan Halutz. Halutz renunciou em janeiro, e Peretz disse que vai deixar o Ministério da Defesa no final de maio ou pouco depois.

No final de semana, a mídia israelense citou vazamentos do relatório indicando sua conclusão de que os três haviam fracassado em suas funções.

A guerra ocorreu após o seqüestro de dois soldados israelenses pela Hezbollah, em uma operação que cruzou a fronteira no dia 12 de junho. O conflito durou 34 dias e levou a vida de 160 israelenses - 119 soldados e 41 civis, de acordo com as autoridades. Estima-se que cerca de 1.000 libaneses, na maioria civis, morreram na guerra. Israel não conseguiu garantir a liberação dos soldados, nem destruir a Hezbollah.

O relatório parcial trata do período que vai até a guerra e seus primeiros dias, até o dia 17 de julho, quando Olmert fez um discurso no Parlamento declarando que Israel estava em guerra. O relatório completo do Comitê Winograd, que trata do resto da guerra, deve ser entregue neste verão.

Christine Hauser contribuiu para este artigo de Nova York Deborah Weinberg

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