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03/05/2007

A intimidade com a História nas páginas dos diários de Ronald Reagan

The New York Times
Motoko Rich
Os diários privados de Ronald Reagan, que já foram objeto de uma discussão envolvendo a possibilidade de alguns dos seus trechos serem apresentados como parte do julgamento de John M. Poindexter, o ex-assessor de Segurança Nacional, no contexto do escândalo Irã-Contras, estão sendo publicados neste mês para que o mundo todo os veja.

Cinco volumes de diários manuscritos em volumes com capa de couro marrom de 20 cm por 28 cm foram editados pelo historiador Douglas Brinkley para a produção de uma versão sintética. A editora HarperCollins publicará o livro "Reagan Diaries" ("Os Diários de Reagan"), de 784 páginas, em 22 de maio. Por US$ 35 os leitores poderão ter acesso a traços da personalidade do presidente e às medidas tomadas por Reagan com relação a acontecimentos mundiais.

"Engraçado - eu estava falando de paz, mas usava um colete à prova de balas", escreveu ele em 18 de novembro de 1981, após ter discursado no Clube Nacional de Imprensa e pedido a eliminação das armas nucleares de médio alcance na Europa.

Trechos do diário foram publicados na última terça-feira no website da "Vanity Fair", e também sairão na edição de junho da revista. A HarperCollins pagou uma cifra de sete dígitos pelos direitos de publicação em todo o mundo dos diários da Fundação e Biblioteca Presidencial Ronald Reagan, há dois anos. Uma edição completa será publicada em vários volumes dentro de um ou dois anos, afirma Tim Duggan, diretor-executivo da HarperCollins.

Fred Ryan, diretor da Biblioteca Reagan, diz que cerca de uma década atrás Reagan permitiu que a instituição publicasse os diários. "Eles contêm uma quantidade enorme de informações sobre a presidência, Ronald Reagan e os Estados Unidos da época", explica Ryan. "Achamos que agora seria um bom momento para divulgar este material".

Com trechos sintéticos que cobrem o período de oito anos da presidência Reagan, os diários abrangem desde detalhes prosaicos do seu dia a dia ("Devo estar melhorando - os meus cochilos estão ficando mais curtos", escreveu ele em 29 de abril de 1981, um mês após ser baleado por John W. Hinckley Jr.) até fatos minuciosos sobre o seu governo ("Mais reuniões com o Cong. Esses demos. estão conosco no orçamento e é interessante ouvir quem está por aqui há dez anos ou mais dizer que esta é a primeira vez que esteve no Salão Oval", escreveu ele em 6 de maio de 1981). Há também o impacto emocional devido a um dos fatos mais trágicos ocorridos durante a sua presidência ("Liguei para os pais dos dois fuzileiros - nada fácil. Um pai perguntou se estamos no Líbano por algum motivo que valha a vida do seu filho", escreveu o presidente em 6 de setembro de 1983).

E os leitores poderão ter uma sensação retroativa de acesso a informações sigilosas. Em 24 de outubro de 1983, na véspera da invasão norte-americana de Granada, Reagan escreveu: "Até o momento nem um pequeno vazamento sequer sobre o movimento de Granada. Este foi um segredo que realmente conseguimos preservar".

Quanto ao escândalo Irã-Contra, os trechos divulgados na terça-feira mostram o presidente negando saber de qualquer coisa. "Isso é uma ficção completa", disse ele em uma fita entregue à Comissão Tower, que o presidente designou para investigar o escândalo. Segundo um trecho do diário de 11 de fevereiro de 1987, a fita registrou o tenente-coronel Oliver North afirmando que se reuniria com o presidente em Camp David. North teria dito: "O presidente Reagan estava disposto a seguir em frente com as remessas de armamentos a fim de trazer os nossos reféns de volta, e eu queria que o Irã vencesse a guerra".

Fora do campo da política, Reagan emerge como um pai chateado com a petulância do filho, Ron, mas como um marido devoto. Quando Nancy estava fora, ele escreveu: "Como sempre estou solitário, e Rex também". Rex era o cão da família. UOL

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