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05/05/2007

´Grey's Anatomy': A nova mulher moderna, ambiciosa e frágil

The New York Times
Alessandra Stanley
É hora de jogar o jogo da culpa.

Tudo o que há de errado com "Grey's Anatomy" e sua futura série spin-off (uma série de tv criada a partir de outra série que já existe) é culpa de "Ally McBeal".

Mary Tyler Moore e Marlo Thomas foram os protótipos iniciais da garota de carreira adorável, mas excêntrica. A série de sucesso de David E. Kelley sobre uma advogada profundamente neurótica chamada Ally McBeal marcou o momento da virada na involução dos papéis femininos no humor na televisão - o momento em que competente, mas excêntrica se transformou em maluca.

O episódio de duas horas de "Grey's Anatomy", que irá ao ar na próxima quinta-feira nos Estados Unidos, pela ABC (no Brasil, a série é exibida às segundas, 22h, na Sony), no qual Addison (Kate Walsh) tem um colapso emocional e foge do Seattle Grace Hospital rumo a uma clínica de bem-estar em Los Angeles, serve como prelúdio para uma nova série ainda sem título, centrada em Addison e sua nova vida no Sul da Califórnia. Também sugere que a série spin-off está condenada a ser ainda mais tola e mais obcecada com sexo do que a original. E isto é um feito, considerando que "Grey's Anatomy" conseguiu arrumar cenas de sexo para uma vítima desfigurada, grávida e com amnésia.

Sexo não é o problema da nova série; é a subjugação. Addison procura por sua velha amiga cujo casamento perfeito acabou e se vê envolvida com duas outras profissionais respeitáveis, maduras: uma especialista em fertilidade e uma psiquiatra. Todas as três mulheres foram abandonadas, anseiam por sexo e são propensas a demonstrações públicas de desafeto.

Em "Grey's Anatomy" pelo menos duas personagens femininas, Christina (Sandra Oh) e a dra. Bailey (Chandra Wilson) têm confiança, grande ego e capacidade de guardarem suas dores para si mesmas grande parte do tempo. As protagonistas da nova série são frágeis e deploráveis, o que é um desequilíbrio preocupante. A série da HBO "Sex and the City" tratou de forma leve a insegurança feminina e permitiu que suas heroínas frívolas saíssem por cima. Aqui, mesmo as mulheres mais bem-sucedidas ficam para trás na vida.

Não importaria, já que a série é assumidamente uma fantasia escapista exagerada para as mulheres, exceto por ser perturbador que mesmo nas fantasias escapistas, as heroínas de hoje sejam fracas, carentes e dotadas de um excessivo impulso sexual de serem apreciadas pelas mulheres e desejadas pelos homens.

Walsh, uma mulher bela, alta e elegante, se parece bastante com Catherine Deneuve a ponto de tal semelhança ter servido como uma subtrama em um episódio. Addison apareceu no hospital como uma vilã serenamente divertida que intimidava a heroína da série, Meredith (Ellen Pompeo). Com o tempo e reviravoltas da trama, a personagem dela evoluiu para uma colega mais apreciável, mais falante e igual à sempre confusa e em dúvida Meredith - e, é claro, Ally McBeal.

No episódio de quinta-feira, Addison achou ter ouvido vozes imaginárias no elevador, fez comentários sexuais impróprios para um estranho e estava em geral carente de um homem; ela quase desmaiou quando um colega belo e lascivo a beijou na escada.

Shonda Rhimes, a criadora de "Grey's Anatomy", também foi a criadora da série spin-off. De alguma forma, mesmo nas mãos de mulheres, uma série sobre médicas encontra humor e consolo em seus apuros. Autodepreciação foi substituída por autodifamação.

As pessoas se queixam de que os astros de hip-hop usam letras obscenas e videoclipes indecentes para rebaixar as mulheres. Às vezes até a mais burguesa das séries femininas de televisão faz o mesmo. George El Khouri Andolfato

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