UOL Notícias Internacional
 

08/05/2007

No MIT, engenheiros e arqueólogos estudam tecnologias de civilizações

The New York Times
John Noble Wilford

Em Cambridge, Massachusetts
Os conquistadores espanhóis vieram, viram e ficaram espantados. Eles nunca tinham visto na Europa algo parecido às pontes do Peru. Narradores da época escreveram que os espanhóis postaram-se com assombro e medo defronte às pontes de cordas de fibras vegetais trançadas suspensas sobre canyons profundos nos Andes, caminhos estreitos, dependurados e oscilantes, que davam a impressão de serem muito frágeis.

Mas as pontes suspensas eram elos de comunicação familiares e vitais no vasto império dos incas, assim como haviam sido durante centenas de anos antes da chegada dos espanhóis em 1532. Os nativos não haviam criado arcos de pedra ou veículos com rodas, mas eram hábeis na utilização de fibras naturais para a fabricação de tecidos, barcos e armas de arremesso - tendo chegado a fazer listas de estoques por meio de um sistema de nós anterior à criação de um alfabeto.

Assim, cordas feitas de fibras vegetais, algumas delas tão grossas quanto o torso de um homem, foram a solução tecnológica para o problema da construção de estradas em um terreno acidentado. Segundo certas estimativas, havia pelo menos 200 pontes suspensas do gênero sobre gargantas de rios no século 16. Uma das últimas dessas pontes, sobre o Rio Apurimac, inspirou o romance de Thornton Wilder, "The Bridge of San Luis Rey" ("A Ponte de São Luís Rei").

Embora os especialistas tenham estudado a importância do sistema de estradas incas para a criação e o controle do império pré-colombiano, John A. Ochsendorf, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), aqui em Cambridge, diz: "Os historiadores e os arqueólogos negligenciaram o papel das pontes".

A pesquisa de Ochsendorf sobre as pontes suspensas incas, que teve início quando ele era estudante de graduação na Universidade Cornell, ilustra a abordagem da arqueologia por uma universidade de engenharia, combinando ciência de materiais e experimentos com o tradicional trabalho de campo de observação e datação de artefatos. Outras universidades também fazem pesquisa com materiais arqueológicos, mas isso é há muito tempo uma especialidade no MIT.

Os estudantes daqui são apresentados à investigação multidisciplinar de antigas tecnologias aplicadas para a transformação de recursos naturais em marcos culturais, que variam desde cerâmica doméstica até grandes pirâmides. Em uma disciplina chamada "Materiais na Experiência Humana", os alunos estão fazendo uma ponte de fibra de 20 metros de comprimento no estilo peruano. No próximo sábado, eles pretendem estender a ponte sobre um lago artificial seco que fica entre dois prédios do campus.

Nos últimos anos, arqueólogos e cientistas do MIT juntaram forças para estudar antigos artefatos peruanos como peças de cerâmica, balsas e ligas metálicas; vidro egípcio e concreto romano; bem como a maneira como foram forjados sinos de bronze no México. Eles descobriram que equatorianos, viajando pelo mar, introduziram a metalurgia no oeste do México. Os alunos do MIT chegaram até a descobrir como os mexicanos acrescentaram pedaços da planta glória-da-manhã, que contém enxofre, durante o processamento da borracha natural para a fabricação de bolas elásticas.

"Os mexicanos descobriram a vulcanização 3.500 anos antes de Goodyear", afirma Dorothy Hosler, professora de arqueologia e tecnologia antiga do MIT. "Os espanhóis nunca tinham visto algo que quicasse como as bolas de borracha do México".

Heathr Lechtman, arqueóloga especializada em tecnologia antiga que ajudou a desenvolver o programa do MIT, diz: "Ao aprendermos como os objetos eram fabricados, de que eram feitos e como eram usados, enxergamos pessoas tomando decisões em diversos estágios, e as escolhas envolvem tanto engenharia quanto cultura".

Segundo ela, sob essa perspectiva, as escolhas nem sempre se baseiam apenas naquilo que funciona bem, mas são também norteadas por critérios ideológicos e estéticos. Na fabricação dos antigos sinos mexicanos, dava-se atenção ao tom das badaladas e à cor dos artefatos. Uma quantidade incomum de arsênico foi acrescentada ao cobre para fazer com que o bronze reluzisse como prata. "Se as pessoas usam materiais de formas diferentes em sociedades diferentes, isso nos informa algo a respeito dessas pessoas", explica Lechtman. UOL

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