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17/05/2007

Dados colocam em dúvida a sugestão de Giuliani de correlação entre aborto e adoção em NY

The New York Times
Katharine Q. Seelye

Nos primeiros dois debates presidenciais republicanos, Rudolph W. Giuliani tratou de sua posição sobre o aborto citando números que apontavam que os abortos diminuíram quando foi prefeito de Nova York, enquanto as adoções aumentaram.

Giuliani deixou implícito que teve sucesso em reduzir os abortos pelo menos em parte ao encorajar as adoções. "Nós devemos fazer o que fiz em Nova York, que é tentar reduzir os abortos o máximo possível tentando aumentar as adoções", ele disse durante o debate na noite da última terça-feira, acrescentando que o número de adoções na cidade aumentou 133% durante seus anos como prefeito, enquanto os abortos caíram 16%.

Uma revisão dos números dos anos de Giuliani como prefeito, de 1994 a 2001, mostra que apesar dos abortos terem diminuído e as adoções terem aumentado, as mudanças acompanhavam tendências nacionais.

Além disso, outros fatores provavelmente contribuíram para tais mudanças, colocando em dúvida a sugestão de Giuliani de correlação entre as duas tendências.

Em relação aos abortos, o número diminuiu 18% em Nova York durante o mandato de Giuliani, segundo o Instituto Guttmacher, que estuda políticas de saúde reprodutiva. Nacionalmente, o número caiu 13% durante o mesmo período.

Como prefeito, Giuliani manteve uma forte tradição de apoiar os direitos de aborto, incluindo o uso de dinheiro público para fornecer aborto para mulheres pobres, assim como serviços anticoncepcionais.

JoAnn M. Smith, presidente e executiva-chefe da Defensores do Planejamento Familiar do Estado de Nova York, atribuiu o declínio no aborto em Nova York principalmente à liderança de longa data do Estado no fornecimento e expansão de métodos e serviços anticoncepcionais por meio do Medicaid, o serviço público de saúde para pessoas de baixa renda e deficientes físicos.

"Se você deseja reduzir o número de abortos, é preciso assegurar que as
mulheres contarão com serviços preventivos, e o Estado de Nova York mantém um verdadeiro compromisso com isto", disse Smith. "Giuliani fazia parte da mistura em Nova York e grande parte da população do Estado está na cidade."

Randall K. O'Bannon, diretor de educação e pesquisa do Comitê Nacional de Direito à Vida, disse que o índice de opção pelo aborto entre as mulheres está caindo desde anos antes de Giuliani se tornar prefeito. Ele atribuiu o declínio a um aumento do ensino sobre o que o aborto acarreta e à decisão de um número maior de mulheres de "escolher a vida".
Quando Giuliani apresentou o aumento das adoções, ele se referia àquelas que usam agências municipais e envolvem as crianças que fazem parte do sistema de guarda provisória da cidade. Elas não incluíam as adoções privadas ou as feitas por nova-iorquinos em outros países.

Na época, o sistema de bem-estar do menor em Nova York estava atolado em uma extrema desorganização, com relatos de abusos graves e mortes amplamente noticiadas. Giuliani criou a Administração de Serviços à Criança e Adolescentes (ACS) em 1996 para tentar melhorar a resposta aos relatos de negligência e para transferir as crianças mais rapidamente de lares provisórios para lares adotivos permanentes.

Isto aumentou as adoções em pouco tempo, um aumento que resultou
principalmente da resposta de Giuliani à crise da guarda provisória. Pouco ou nada nos registros públicos sugere que tenha promovido a adoção como uma alternativa ao aborto.

Na época, uma lei aprovada durante o governo Clinton, a Lei de Adoção e
Famílias Seguras, oferecia grandes incentivos para os programas municipais de adoção.

Uma porta-voz da campanha de Giuliani, Maria Comella, disse que ele criou um clima favorável à adoção.

"Seja pela criação da ACS pelo prefeito, pela implementação da reforma no bem-estar social ou por uma série de outras iniciativas, elas todas
contribuíram para uma redução do aborto e aumento das adoções", disse
Comella. Ao ser perguntada se Giuliani estava ligando as duas, ela disse: "Quando você cria um ambiente que encoraja a adoção como uma opção, isto naturalmente leva a uma diminuição no número de abortos".

Quando Giuliani disse no primeiro debate que o número de adoções aumentou entre 65% e 70%, ele estava comparando os últimos seis anos de seu governo com os seis anos anteriores.

Ele revisou o número no segundo debate para 133%, comparando as adoções em todos os oito anos de seu governo com as dos oito anos anteriores.

Segundo dados da ACS, o número de adoções estava aumentando antes de Giuliani tomar posse e antes dele criar a agência. O pico ocorreu em 1997, com 4.000, e caiu para 2.700 no último ano de Giuliani como prefeito. George El Khouri Andolfato

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