UOL Notícias Internacional
 

18/05/2007

Partido Trabalhista escolhe Brown para suceder Blair

The New York Times
Alan Cowell

Em Londres
Iniciando uma nova era na política britânica, o Partido Trabalhista do governo confirmou nesta quinta-feira (17/5) que Gordon Brown, o chanceler do Erário, despontou como único candidato a assumir a liderança do partido e conseqüentemente suceder o primeiro-ministro Tony Blair quando deixar o cargo em junho.

Dylan Martinez/Reuters 
A indicação de Gordon Brown para substituir Blair desagradou a oposição, que pede eleição

Isto significa que Brown assumirá como primeiro-ministro no próximo mês sem uma disputa formal dentro do Partido Trabalhista ou em uma eleição nacional. "Eu liderarei um novo governo com novas prioridades", declarou Brown, prometendo manter o forte laço do Reino Unido com os Estados Unidos e buscar restaurar a confiança dos britânicos em seus líderes.

Mas a indicação de Brown pelo Partido Trabalhista sem uma disputa formal incomodou alguns líderes da oposição, que pediam pela realização imediata de uma eleição geral. "O país certamente deveria julgar se ele deve se tornar o político mais poderoso do país", disse sir Menzies Campbell, líder dos pequenos liberais democratas de oposição.

Em um primeiro turno do processo de seleção de candidatos na quinta-feira, Brown obteve o endosso de 313 dos 353 legisladores trabalhistas, o que torna matematicamente impossível para qualquer desafiante atingir os 12,5% dos legisladores do partido necessários para uma candidatura.

"Eu aceito formalmente a indicação, a responsabilidade que ela traz e a oportunidade de servir à população do Reino Unido", disse Brown, 56 anos, em um encontro com simpatizantes e jornalistas em Londres.

Ele descreveu seu grande apoio entre os legisladores como uma importante exibição de unidade no Partido Trabalhista sob sua liderança. Ele se disse "realmente deferente" e, refletindo o ceticismo dos britânicos em relação aos seus políticos, ele declarou: "Eu vou lutar para conquistar sua confiança - para conquistar sua confiança não apenas em política externa, mas em nossas escolas, nossos hospitais, nossos serviços públicos e na resposta às suas preocupações".

O resultado poupou Brown de uma disputa formal pela liderança que envolveria uma campanha pelos votos de um colégio eleitoral composto por legisladores, os 200 mil membros do Partido Trabalhista e membros de organizações afiliadas, como os sindicatos trabalhistas. Mas também criou um intervalo desconfortável, com Blair prometendo permanecer até 27 de junho ao mesmo tempo em que Brown já foi coroado como seu sucessor.

David Cameron, o líder da oposição conservadora, disse que o Reino Unido se encontra em uma "situação ridícula" de ter "um governo temporário".

Geralmente, as transições políticas britânicas ocorrem em questão de horas após os resultados eleitorais: o perdedor deixa a cadeira de poder no Nº10 de Downing Street e o sucessor assume seu lugar. Com Blair em Washington na quinta-feira para um encontro com o presidente Bush, Brown foi perguntado sobre os futuros laços do Reino Unido com a Casa Branca. Sem citar Bush, Brown disse: "O relacionamento entre o primeiro-ministro britânico e um presidente americano deve ser forte e aguardo ansiosamente para desenvolver tal relacionamento com o presidente dos Estados Unidos".

A viagem de Blair a Washington faz parte de uma longa e cuidadosamente roteirizada despedida que lhe permitirá liderar a delegação britânica nos encontros de cúpula europeu e do Grupo dos 8 antes de deixar o cargo. Brown disse na quinta-feira não ser contrário a passar o período de transição relativamente longo percorrendo o Reino Unido para se encontrar com as pessoas. "Eu sempre disse que Tony Blair deve ter o direito -devido ao serviço que prestou a este país- de fazer seu anúncio e fazer as coisas no tempo que desejar", disse Brown.

Mas Andrew Mackinlay, um membro do Partido Trabalhista que apoiou Brown, disse que "não é do interesse do Reino Unido que alguém que está se aposentando conduza o país". "É simplesmente errado que o homem que terá que lidar com as conseqüências do encontro de cúpula da União Européia não seja aquele que tomará as decisões", disse.

Brown disse que passará as semanas antes de assumir o cargo viajando pelo Reino Unido para se reunir com as pessoas e explicar seus planos, enquanto o Partido Trabalhista vota pela substituição de John Prescott, o vice-primeiro-ministro, que planeja renunciar com Blair.

Cinco dos seis candidatos são atuais ou ex-membros do governo Blair: Hilary Benn, Hazel Blears, Peter Hain, Harriet Harman e Alan Johnson. O sexto, Jon Cruddas, é um legislador trabalhista. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host