UOL Notícias Internacional
 

26/05/2007

Casa Branca estaria planejando grande redução de tropas no Iraque em 2008

The New York Times
David E. Sanger, em Washington

E David S. Cloud, em Bagdá
O governo Bush está desenvolvendo o que é descrito como planos para redução pela metade das forças de combate americanas no Iraque no próximo ano, segundo altos funcionários do governo no meio de um debate interno.

É o primeiro indício de que a crescente pressão política está forçando a Casa Branca a voltar sua atenção para o que acontecerá após o término do atual aumento de tropas.

Os planos pedem por uma redução nas forças para cerca de 100 mil soldados em meados da eleição presidencial de 2008, assim como também reduziriam a missão estabelecida pelo presidente Bush para as forças armadas americanas, quando ordenou em janeiro que reconquistassem o controle de Bagdá e da província de Anbar.

A missão passaria então a ser de treinamento dos soldados iraquianos e de combate à Al Qaeda na Mesopotâmia, removendo os americanos de muitos dos esforços de combate à insurreição dentro de Bagdá.

Ainda assim, não há indicação de que Bush está preparando um pedido de término antecipado do atual aumento de tropas, e um motivo para os altos funcionários estarem falando sobre estratégia de longo prazo pode ser para conter a pressão dos membros do Congresso, incluindo alguns republicanos, que estão exigindo por uma redução mais rápida das tropas.

Os funcionários se recusaram a ser citados por estarem envolvidos em deliberações internas que esperam que durarão vários meses.

Eles disseram que os defensores da redução de tropas e da missão no próximo ano parecem incluir o secretário de Defesa, Robert M. Gates, e a secretária de Estado, Condoleezza Rice. Com eles estão generais no Pentágono e de outras partes que há muito se mostram céticos de que o governo iraquiano aproveitará a oportunidade criada pelo aumento de tropas para obter uma acomodação política genuína.

Até o momento, os planos são uma criação exclusiva de Washington e foram desenvolvidos sem o envolvimento dos altos comandantes no Iraque, os generais David H. Petraeus e Raymond T. Odierno, ambos defensores entusiastas do aumento de tropas.

Estes generais e outros comandantes deixaram claro que estão atuando com um prazo relativamente mais longo do que as autoridades em Washington, que estão ansiosas para retiradas significativas antes que Bush deixe a presidência em janeiro de 2009.

Em uma entrevista em Bagdá na quinta-feira, Odierno, o segundo na hierarquia militar americana no Iraque, disse que qualquer retirada de tropas americanas não seria aconselhável até dezembro, "no mínimo". Mesmo então, ele disse, redistribuições seriam realizadas lentamente, para evitar o risco de perda dos ganhos na segurança.

Odierno, que tem defendido uma prorrogação do aumento de tropas até o próximo ano, notou que as unidades estão posicionadas e disponíveis para prosseguir em tal esforço até abril de 2008.

Mas as idéias que estão sendo discutidas, do Conselho de Segurança Nacional ao Pentágono, prevêem um início das reduções muito antes disso. A última vez que a quantidade de soldados americanos no Iraque se aproximou de 100 mil foi em janeiro de 2004, quando caiu brevemente para cerca de 108 mil.

Uma das idéias, disseram os funcionários, seria a redução das atuais 20 brigadas de combate americanas para cerca de 10, que seria completada entre meados de 2008 e o fim do ano.

Vários funcionários do governo disseram esperar que se tal redução estiver em curso em meio à campanha presidencial, isto deslocaria o debate sobre se as forças americanas devem ser retiradas até um prazo específico - a atual discussão que está consumindo Washington- para que tipo de presença de longo prazo os Estados Unidos devem ter no Iraque.

"Isto deriva do reconhecimento de que o atual nível de forças não é sustentável no Iraque, não é sustentável na região, e será cada vez mais insustentável aqui em casa", disse um funcionário do governo que participou das discussões a portas fechadas.

Mas outras autoridades em Washington alertaram que qualquer retirada poderá levar a um novo aumento da violência. O vice-presidente Dick Cheney e outros argumentam que mesmo o início de uma retirada poderia encorajar elementos da Al Qaeda e das milícias xiitas que recentemente parecem estar se escondendo.

Ausente em grande parte da atual discussão é a conversa sobre o sucesso da democracia no Iraque, disseram os funcionários, ou mesmo a aprovação de medidas para reconciliação que, em janeiro, Bush disse que o aumento das tropas ajudaria a concretizar. Em entrevistas, muitos altos funcionários do governo e oficiais militares disseram duvidar que tais ganhos políticos, mesmo se obtidos, reduziriam significativamente a violência.

Os funcionários alertaram que nenhum plano firme surgiu das discussões. Mas disseram que as propostas que estão sendo desenvolvidas no momento prevêem uma presença americana bem menor, mas de prazo mais longo, centrada em três ou quatro bases grandes espalhadas pelo Iraque. Bush disse a recentes visitantes à Casa Branca que estava buscando um modelo semelhante à presença americana na Coréia do Sul. George El Khouri Andolfato

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