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27/05/2007

Retirada de tropas dos EUA deve aumentar conflito no Iraque

The New York Times
Michael R. Gordon e Alissa J. Rubin

Em Washington
A disputa em Washington em torno do financiamento da guerra ofuscou um debate mais importante sobre como poderia ser o futuro do Iraque sem as tropas de combate americanas.

De forma mais simples: quão ruim a situação ficaria?

O "New York Times" entrevistou mais de 40 políticos e cidadãos iraquianos e consultou recentes pesquisas de opinião no Iraque. Os pontos de vista de uma grande variedade de altos oficiais militares, especialistas em inteligência americanos, políticos e analistas independentes que voltaram recentemente do Iraque também foram solicitados.

O veredicto um tanto surpreendente da maioria dos iraquianos é claro. Apesar de toda aversão pela ocupação americana, muitos deles temem que uma retirada súbita poderia levar a uma violenta reação em cadeia que colocaria em risco as ocasionais tentativas de diálogo político e colocaria o governo iraquiano em risco de colapso.

"Muitas milícias e grupos terroristas estão apenas aguardando a partida dos americanos", disse Salim Abdullah, porta-voz da Frente de Acordo Iraquiana, o maior grupo árabe sunita no Parlamento.

"Isto não significa que a presença de tropas americanas em Bagdá seja nossa opção favorita", ele disse. "As pessoas nas ruas dizem que os Estados Unidos são parte do caos aqui e que poderiam tê-las deixado melhores e mais seguras. Ainda assim, precisamos da América para tornar o país mais estável e não deixar o Iraque com um problema que eles mesmos causaram."

Altos comandantes americanos no Iraque têm uma posição semelhante. Se as forças americanas forem reduzidas tão cedo, disseram os oficiais militares, o nascente exército iraquiano e as forças policiais não resistirão contra a crescente onda de ataques a bomba suicidas de grupos rebeldes como a Al Qaeda na Mesopotâmia.

Uma posição profundamente divergente predomina no Congresso, onde os legisladores pressionam, sem sucesso, pela imposição de um prazo para a retirada das tropas americanas e metas obrigatórias para reforma política iraquiana.

"Esta é a pressão", disse o senador Carl Levin, democrata de Michigan, que é presidente do Comitê de Serviços Armados. "Eles precisam olhar para o abismo. E este é o abismo: eles querem uma guerra civil ou querem uma nação?"

Uma recente análise de como os iraquianos vêem a guerra, feita por um especialista americano, Anthony H. Cordesman, do Centro para Estudos Internacionais e Estratégicos, notou que a maioria dos iraquianos não vê as tropas americanas como aliadas nem libertadoras, mas ainda assim temem uma retirada repentina.

Cerca de 64% dos moradores de Bagdá que foram entrevistados no final de fevereiro e no início de março acreditam que as forças americanas devem permanecer até que a segurança seja restaurada, até que o governo iraquiano esteja mais forte ou até que as forças iraquianas possam operar de forma independente.

Apenas 36% acreditam que as tropas americanas devem partir agora, segundo dados da pesquisa, que foi encomendada pela "ABC News" e por várias organizações de notícias americanas e européias. Tradução: George El Khouri Andolfato

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