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29/05/2007

Produtores de biodiesel vêem oportunidade em Nova York

The New York Times
Ray Rivera

Em Nova York
Em uma faixa industrial de terra cercando Newtown Creek, dutos serpenteiam pelo terreno, conectando uma série de tanques de óleo beges.

Pela aparência externa, este pequeno trecho do Texas em Greenpoint,
Brooklyn, pode não parecer se enquadrar no plano do prefeito Michael R.
Bloomberg de um futuro mais verde, menos dependente de petróleo.

Mas este terminal de combustível em breve abrigará uma das maiores usinas produtoras de biodiesel no país. A dona do terminal, a Metro Fuel Oil Corporation, está aguardando a aprovação da cidade para produzir 415 milhões de litros de combustível por ano a partir de óleos vegetais. A produção representaria mais de 40% do biodiesel produzido no país no ano passado.

A usina de Greenpoint e uma usina menor proposta em Red Hook, Brooklyn, ambas marcadas para começar a operar no próximo ano, seriam as primeiras usinas de biodiesel na cidade, se somando a uma indústria concentrada no Sul e Meio-Oeste.

O crescimento e expansão para o leste da indústria são movidos pelos altos preços do petróleo e por programas de governo voltados a reduzir a poluição e a demanda por petróleo estrangeiro. Mas estas mudanças também estão criando preocupações de que o esforço por combustíveis alternativos, se não administrado cuidadosamente, poderá ter conseqüências indesejadas como desmatamento e alta dos preços dos alimentos devido à corrida para converter mais terra para produção de matéria-prima para combustíveis.

"Nós temos que selecionar as políticas corretas e as melhores tecnologias", disse Ron Pernick, co-fundador da Clean Edge, uma empresa de pesquisa e consultoria de Portland, Oregon, que promove tecnologias limpas. "Mas quando for feita corretamente, a mudança para o biocombustível tratará de várias questões, dos preços voláteis dos combustíveis fósseis à dependência da oferta estrangeira, mudança climática e criação de empregos."

A Metro, uma empresa de propriedade familiar que emprega cerca de 130 pessoas (35 mais serão contratadas quando tiver início a produção de biodiesel, disseram representantes), acrescentou o biodiesel à sua linha tradicional de petróleo há cerca de dois anos, o trazendo de caminhão de fora do Estado.

Com a alta dos preços do petróleo no ano passado, chegando a US$ 78 o barril, a demanda por combustíveis alternativos como o biodiesel aumentou.

"Simplesmente não há produto suficiente", disse Tom Torre, diretor operacional chefe da empresa. Ele e os donos da empresa, Paul J. e Gene V. Pullo, prevêem barcaças subindo o Rio East carregados de óleo de soja produzido em Maryland e na Pensilvânia. "Os fatores de custo estavam lá", disse Torre. "E pensamos: 'Sabe, poderíamos montar uma usina bem aqui na cidade'."

Os defensores do biodiesel dizem que ele é atrativo porque vem de fontes renováveis, como óleos de soja, palma e grãos e de gorduras animais. Ele emite menos gases responsáveis pelo efeito estufa, que são associados ao aumento das temperaturas globais, e menos partículas que o diesel convencional. Normalmente misturado com o diesel convencional, ele pode ser usado na maioria dos motores a diesel e fornalhas com pouco ou nenhum ajuste. O lado negativo é que costuma custar mais do que o diesel comum.

A Tri-State Biodiesel, a outra operadora de Nova York que deverá iniciar produção no próximo ano, planeja usar óleo usado de restaurantes como matéria-prima, disse Brent Baker, o executivo-chefe da empresa.

A empresa está aguardando as licenças estadual e municipal para iniciar a produção de 11 milhões de litros de biodiesel por ano em uma usina em Red Hook. Baker disse que dispõe de acordos com cerca de 400 restaurantes em Manhattan para coleta do óleo usado sem nenhum custo.

Antigamente refinarias de petróleo lotavam as margens de Newtown Creek em Greenpoint, expelindo fumaça e gases tóxicos até a última delas ser fechada nos anos 60. Foi deixado para trás um terreno e canal tão contaminados que processos relacionados à limpeza correm na Justiça até hoje.

Os produtores de biodiesel dizem que seus métodos de produção são bem mais limpos e seguros. O processo de refino é isento de emissões, geralmente misturando óleo vegetal bruto com um álcool industrial como o metanol e um catalisador, geralmente hidróxido de sódio, para causar uma transformação química. Os subprodutos incluem um pouco de metanol, que pode ser reutilizado, e glicerina, que pode ser vendida para uso na fabricação de sabão e outros produtos.

Apesar do processo não ser inteiramente benigno - o metanol é explosivo - o Conselho Nacional de Biodiesel, uma entidade setorial, busca tranqüilizar o temor de vazamentos explicando que o biodiesel não é mais tóxico que o sal de cozinha e se biodegrada mais rapidamente que o açúcar.

Gerald A. Esposito, gerente distrital da Conselho Comunitário 1, do qual faz parte Greenpoint, disse sobre a usina planejada para lá: "O conselho ainda não tomou uma decisão, mas eu estou um tanto empolgado a respeito". "Ela traz empregos e, pelo que entendi, não há odor; se ocorrer qualquer vazamento, não será de grande importância", disse.

Com os planos para as usinas em Nova York em curso e outras surgindo ou sendo planejadas em Nova Jersey, no Estado de Washington e em outros lugares, a produção de biodiesel poderá chegar a 6,4 bilhões de litros no próximo ano, em comparação aos 945 milhões de litros em 2006, segundo o Conselho Nacional de Biodiesel.

Apesar de o biodiesel ser usado principalmente no transporte, Paul Nazzarro, um consultor do conselho, considera o aquecimento doméstico como o próximo setor de grande crescimento, particularmente no Nordeste, onde o óleo para aquecimento vem perdendo consumidores para o gás natural há décadas.

Ainda assim, Torre e Baker dizem que a criação de um mercado em Nova York será um desafio, acentuado pela diferença de preço e falta da familiaridade com o produto. E os carros a diesel não atendem aos padrões de emissão do Estado de Nova York.

O plano de sustentabilidade ambiental de Bloomberg, revelado no mês passado, poderá ajudar a desenvolver o mercado, disseram as autoridades da cidade. Chamado de PlaNYC, ele inclui uma série de medidas, incluindo o uso de combustíveis alternativos como o biodiesel.

"Ao introduzir coisas em Nova York, ou as fazendo nós mesmos ou dando incentivos, nós também criamos um mercado", disse Daniel L. Doctoroff, vice-prefeito para desenvolvimento econômico e reconstrução. "Quando você cria um mercado, o preço cai, e à medida que o preço cai mais pessoas usam o produto, de forma que você cria um ciclo virtuoso."

O Estado já exige conteúdo de biodiesel em pelo menos 2% do combustível usado em todos seus prédios e caminhões. E no ano passado os legisladores em Albany aprovaram um incentivo fiscal que paga às pessoas até 20 centavos por galão (3,785 litros) se misturarem biodiesel ao óleo de aquecimento doméstico em suas fornalhas.

Mas à medida que cresce o mercado para o biodiesel, alguns analistas do setor dizem que há revezes potenciais. Ambientalistas alertam que florestas estão sendo derrubadas, como está acontecendo no Brasil, Indonésia e Malásia, para abertura de terras para plantações visando a produção do óleo de palma usado no biodiesel e cana-de-açúcar usada no etanol.

Alguns também temem que os produtores rurais possam dedicar mais terra para matérias-primas para combustíveis e menos para alimentos para pessoas e gado, elevando o preço da carne e de produtos agrícolas.

Janet Larsen, diretora de pesquisa do Earth Policy Institute, um grupo ambiental, disse que quantidade de grãos necessária para encher um tanque de 95 litros de um utilitário esporte com etanol alimentaria uma pessoa por um ano. "Transformar plantações de alimentos em plantações de combustível não faz sentido, economicamente e para o meio ambiente", disse ela.

Baker, o executivo da Tri-State Biodiesel, disse que as preocupações acentuam a necessidade de veículos mais eficientes em consumo de combustível e mais pesquisa de recursos como algas, que produzem mais óleo por hectare do que a soja.

"Eu acho que qualquer um que olhar para a questão da sustentabilidade ouvirá repetidas vezes que não há bala de prata", disse Baker. "Nós precisamos ser mais eficientes, nós temos que usar menos e produzir mais combustíveis renováveis em menos hectares." George El Khouri Andolfato

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