UOL Notícias Internacional
 

01/06/2007

Chávez olha para seus críticos na imprensa e vê o inimigo

The New York Times
Simon Romero*

Em Caracas, Venezuela
"Soem o alarme nas colinas, favelas e cidades para defender nossa revolução deste novo ataque fascista", disse o presidente Hugo Chávez em um discurso em rede nacional de televisão nesta semana, enquanto seu governo estava sitiado por protestos estudantis devido à sua decisão de tirar do ar uma emissora de televisão dissidente. "Nós estamos esperando por vocês."

Com tais ameaças assustadoras de retribuição, Chávez parece preparado para endurecer o tratamento dado tanto aos manifestantes quanto a qualquer organização de mídia que se oponha a ele.

Os analistas dizem que tais declarações refletem uma boa leitura da política polarizada da Venezuela, que lhe permitiu resistir à forte oposição ao seu governo, como a greve geral que paralisou a economia em 2002. Os protestos na época foram ainda maiores e a queda das exportações de petróleo causaram caos econômico, mas Chávez saiu mais forte do que antes.

"Chávez não pode parecer fraco entre seu próprio povo ou será outro Allende", disse Steve Ellner, um cientista político da Universidade Oriente no leste da Venezuela, se referindo a Salvador Allende, o socialista chileno derrubado por um golpe em 1973.

"Allende era um cavalheiro, mas isto não o levou a lugar nenhum", disse Ellner. "Chávez está apelando à sua base com linguagem agressiva e uma recusa em fazer acordo com a oposição, que é retratada como o inimigo."

No domingo, o governo fechou a emissora dissidente, a Radio Caracas Television, ou RCTV, descrevendo a ação como uma decisão regulatória baseada no apoio da rede ao breve golpe em 2002.

Seus oponentes dizem que a decisão é evidência de que a definição de Chávez de inimigo foi ampliada para incluir os órgãos de notícias que criticam seu governo. Caso contrário, disseram detratores como Teodoro Petkoff, editor do pequeno jornal de oposição "Tal Cual", Chávez também teria decidido não renovar as licenças da Venevisión e da Televen, emissoras cuja cobertura igualmente apoiou o golpe de 48 horas em 2002. Tais emissoras se tornaram bem menos críticas de Chávez, enquanto a RCTV manteve suas críticas.

De fato, assistir televisão aqui nesta semana se tornou uma lição de como Chávez está ampliando seu controle além das instituições políticas, incluindo os meios de radiodifusão. É uma mudança acentuada em comparação aos primeiros anos de sua presidência, quando enfrentava fortes críticas da maioria das organizações de notícias, que eram de propriedade da elite endinheirada do país.

Com seguidores leais de Chávez controlando a Assembléia Nacional, a Suprema Corte e a burocracia federal, e com a RCTV fora do ar, a cobertura dos protestos por todas as emissoras de televisão, com exceção de um pequeno canal de notícias a cabo, o Globovisión, marchou em cadência ideológica com a cobertura do crescente império estatal de radiodifusão de Chávez.

Enquanto isso, ao mesmo tempo em que os simpatizantes de Chávez expressavam otimismo com o futuro das TVes, a nova rede de TV estatal criada para ocupar o sinal da RCTV, boletins na VTV, a principal emissora estatal, noticiavam aqui acusações vagas de que o governo Bush estava planejando assassinar Chávez.

A VTV também continuou transmitindo o "La Hojilla", um programa de opinião que ridiculariza os críticos do presidente. Altos funcionários do governo e legisladores pró-Chávez, em uma ilustração de quão polarizada permanece a Venezuela, continuam tratando os protestos estudantis como esforços de desestabilização.

"Eles foram às ruas em busca de mortes para terem justificativas", disse Iris Varela, membro da Assembléia Nacional, sobre os manifestantes.

Diante da crescente condenação internacional de organizações internacionais como a Human Rights Watch, Repórteres Sem Fronteiras e o Comitê de Proteção aos Jornalistas, que dizem que a decisão de fechar a RCTV foi um esforço para impedir a liberdade de expressão, o governo Chávez não tem demonstrado sinal de que reconsiderará sua decisão.

Analistas políticos disseram que isto pode ser explicado em parte pelo que chamaram de "poder de convocação" do presidente, ou sua capacidade de mobilizar seus simpatizantes em momentos de dificuldades.

*Jens Erik Gould contribuiu com reportagem George El Khouri Andolfato

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