UOL Notícias Internacional
 

02/06/2007

Mais perguntas do que respostas em relação ao viajante com tuberculose

The New York Times
John Schwartz*
Enquanto o advogado de Atlanta com uma forma perigosa de tuberculose iniciava o tratamento em Denver, na sexta-feira, autoridades do governo e o paciente forneceram relatos altamente divergentes sobre seus 12 dias de viagem pelo exterior. Os relatos pareciam concordar apenas nas oportunidades perdidas para impedir o que se tornou um escândalo de saúde pública internacional.

O homem, Andrew Speaker, disse que as autoridades de saúde pública de Fulton County, Geórgia, lhe disseram que a viagem não seria arriscada. Mas tais autoridades disseram que ele foi alertado de forma clara sobre os riscos. Em entrevistas, autoridades de saúde pública do condado, estaduais e federais disseram que ele não deveria ter viajado e defenderam a forma como agiram no caso.

O apontar de dedos se estendeu até o Canadá, Grécia e Itália, onde as autoridades disseram que não receberam informação da presença de Speaker em seus países na época para poder agir. As autoridades italianas disseram que tiveram que tomar a iniciativa de telefonar para os Centros para Controle de Doenças, em Atlanta, para perguntar sobre se um homem com uma tuberculose extremamente resistente a medicação esteve em seu país.

A probabilidade de Speaker ter infectado outros passageiros é pequena, disseram especialistas em tuberculose, porque a doença não é tão contagiosa como uma gripe. De qualquer forma, Speaker não tossia e não parece possuir micróbio suficiente em seu escarro para espalhar a doença caso tossisse.

Mas o risco ainda assim era real e o caso bizarro - que, graças a um ciclo de notícias de 24 horas se tornou o drama de tuberculose mais famoso desde "La Boheme" -coloca em dúvida os preparativos para lidar com uma crise médica como uma pandemia de Influenza e mesmo ataques bioterroristas.

Na maior contradição dos relatos, Speaker disse na sexta-feira ao programa de TV "Good Morning America" que as autoridades de saúde do condado que se encontraram com ele só lhe desejaram boa viagem. Apesar de terem pedido para que não viajasse para seu casamento na Grécia por causa de sua tuberculose, ele lembrou, eles recuaram diante dos pedidos de seu pai, dizendo: "Bem, tínhamos que dizer isto para nos cobrirmos, mas ele não corre risco".

Steven R. Katowsky, diretor do Departamento de Saúde e Bem-Estar do Condado de Fulton, disse em uma entrevista que o condado não dispunha de poder para impedir Speaker, mas insistiu que não poderiam ter deixado seu alerta mais claro. "Nós dissemos que se ele viajasse colocaria as pessoas em risco", disse Katowsky.

As autoridades do condado disseram que Speaker mudou seus planos de viagem após o casamento. Mas em vez de cancelar suas reservas para o casamento e um mês de lua-de-mel, ele antecipou a data de partida, de 14 de maio para 12 de maio - o que fez com que não recebesse a carta do condado declarando ser "imperativo que você esteja ciente de que sua viagem contraria a orientação médica".

Katowsky disse: "Nós estamos falando sobre uma pessoa que tinha tanto a intenção quanto os meios para escapar da jurisdição".

*Lawrence K. Altman e Denise Grady, em Nova York; Brenda Goodman e Rachel Pomerance, em Atlanta; Gardiner Harris, em Washington; Niki Kitsantonis, em Atenas; Christopher Mason, em Toronto; e Elisabeth Rosenthal, em Roma, contribuíram com reportagem para este artigo George El Khouri Andolfato

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