UOL Notícias Internacional
 

03/06/2007

Quatro homens são acusados de planejar a explosão dos terminais do aeroporto Kennedy e de linhas de combustível

The New York Times
William K. Rashbaum*

Em Nova York
Promotores federais no Brooklyn acusaram no sábado que um funcionário de carga aposentado do Aeroporto Internacional John F. Kennedy tramava com um ex-membro do Parlamento guianense e dois outros homens explodir terminais, tanques de combustível e a rede de distribuição de combustível que corre sob o complexo do aeroporto.

Três dos quatro homens, incluindo o ex-funcionário do aeroporto e o
ex-parlamentar, foram presos na sexta e sábado por agentes do FBI e
detetives da polícia, disseram as autoridades. O quarto homem está sendo procurado e as autoridades disseram que mais pessoas poderão ser indiciadas.

O funcionário do aeroporto, Russell Defreitas, 63 anos, por meio da
assistência do ex-membro do Parlamento, Abdul Kadir, estava buscando o apoio financeiro e a bênção do grupo terrorista trinitário Jamaat Al Muslimeen. O grupo esteve por trás de uma tentativa fracassada de golpe em Trinidad em 1990, disseram as autoridades.

Várias autoridades disseram que não houve ameaça direta ao aeroporto, que lida em média com 1.000 vôos por dia e 45 milhões de passageiros por ano, e que Defreitas, um cidadão americano nascido na Guiana, e os suspeitos de co-conspiração ainda não tinham recebido dinheiro nem explosivos.

Mas as autoridades disseram que Defreitas, que trabalhou por muito tempo no aeroporto de 1.995 hectares e desenvolveu um amplo conhecimento de seu desenho e vulnerabilidades, buscava um ataque que ele disse que, segundo conversas gravadas secretamente, resultaria na "destruição de todo o Kennedy", um ataque do qual apenas poucas pessoas sobreviveriam.

Além da imensa perda de vidas —"mesmo as torres gêmeas não chegariam perto", ele disse sobre a trama— o ataque devastaria a economia americana e desferiria um golpe simbólico contra um ícone nacional, o presidente John F. Kennedy.

"Sempre você atinge Kennedy, é a coisa mais dolorosa aos Estados Unidos", ele disse em uma das dezenas de conversas gravadas secretamente durante a investigação de 18 meses. "Atingir John F. Kennedy, uau... Eles amam John F. Kennedy como se fosse o cara (...) Se você atingir isto, todo o país lamentará. É como se matasse o homem duas vezes."

As autoridades disseram que Kadir, por outro lado, enfatizava que a meta era causar danos econômicos e parecia buscar minimizar a morte de homens e mulheres inocentes.

Mas um porta-voz da Buckeye Partners, a empresa que opera o sistema de
distribuição de combustível, disse que uma explosão na área de tanques de combustível do aeroporto não provocaria a ignição dos dutos.

"Não é como se o dutos fossem bananas de dinamite e a coisa toda explodiria", disse Roy Haase, um porta-voz da Buckeye. "Os dutos não explodem."

As conversas gravadas secretamente foram descritas na denúncia sem segredo de Justiça impetrada na sexta-feira no Tribunal Distrital Federal no Brooklyn, que acusa Defreitas, Kadir e dois outros homens, Kareem Ibrahim e Abdel Nur, de conspirarem para explodir o aeroporto, acusações que podem resultar em penas de prisão perpétua caso sejam condenados.

As acusações foram anunciadas em uma coletiva de imprensa no quartel-general do FBI em Nova York pelo chefe da divisão local do birô, Mark J. Mershon; o comissário de polícia da cidade, Raymond W. Kelly; Roslynn R. Mauskopf, o procurador-geral federal no Brooklyn, e outras autoridades.

Defreitas, que vive no Brooklyn, foi preso em um restaurante no Linden
Boulevard, no bairro, por volta das 22 horas de sexta-feira. Kadir e Ibrahim foram presos antes em Trinidad.

Kadir foi detido após embarcar em um vôo da Aeropostal, uma companhia aérea venezuelana, com destino a Caracas, uma autoridade informou no sábado sobre a prisão. O vôo entre Port of Spain e Caracas, que geralmente leva menos de uma hora, tinha decolado e foi avisado para retornar a Trinidad, disse a autoridade.

"A devastação que seria causada caso o plano fosse bem-sucedido é
inimaginável", disse Mauskopf. "A denúncia apresentada hoje dá uma idéia de como surgiu o plano, como se desenvolveu, como os planos têm elos internacionais, como este em particular se expandiu dos Estados Unidos, Brooklyn, Nova York, até o Queens, o Aeroporto JFK, e ao exterior até a Guiana e Trinidad.

As autoridades descreveram uma investigação que teve início em janeiro e incluiu um informante disfarçado do FBI, que foi apresentado a Defreitas no início do planejamento do ataque e que viajou para a Guiana e Trinidad com ele em um esforço para obter apoio ao plano, disseram as autoridades.

O informante gravou secretamente "várias" conversas, e uma autoridade disse que também havia "todo tipo de vigilância eletrônica" aos suspeitos.

Kelly disse que os dutos que transportam combustível ao aeroporto "são de fato o tubo de alimentação que nutre o comércio internacional" nos
aeroportos Kennedy e La Guardia. Ele disse que a polícia aumentou sua
vigilância do sistema de distribuição e depósitos e realizou um levantamento para avaliar suas vulnerabilidades.

Os suspeitos de conspiração enviaram quatro vezes Defreitas da Guiana ao aeroporto para tirar fotos e gravar vídeos em janeiro, disseram as
autoridades. Usando seu conhecimento do aeroporto, ele escolheu os alvos, identificou as rotas de fuga e avaliou a segurança.

Os homens também usaram a Internet para encontrar fotos por satélite do
terminal, disseram as autoridades.

Um policial minimizou a habilidade de Defreitas como terrorista, o chamando de "um trapalhão" e "não um terrorista de primeira".

Mas ele notou que os esforços dele para obter o apoio financeiro e bênção do Jamaat Al Muslimeen, que realizou um ataque mortal ao Parlamento de Trinidad durante uma tentativa fracassada de golpe nos anos 90, poderia ter tido conseqüências devastadoras.

"Eles não tinham o dinheiro e nem tinham as bombas, mas se não tivéssemos agido eles poderiam ter conseguido -eles poderiam ter obtido o envolvimento pleno do JAM e não sabemos como isto teria terminado", disse a autoridade.

Os três réus sob custódia foram denunciados na tarde de sábado.

*Cara Buckley e Simon Romero contribuíram com reportagem. George El Khouri Andolfato

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