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05/06/2007

Nos Jogos Pan-americanos, divirta-se com segurança

The New York Times
Larry Rohter

No Rio de Janeiro
A Copa do Mundo teve suas finais já há quase um ano e as próximas Olimpíadas estão ainda a um ano de distância e irão ocorrer do outro lado do mundo. Mas para os amantes do esporte ligados em competições internacionais há uma oportunidade agora em julho: os quadrienais Jogos Pan-Americanos vão acontecer no Rio de Janeiro, Brasil.

Dia 13 de julho, uma elaborada cerimônia de abertura no estádio de futebol do Maracanã, na proletária zona norte do Rio, contará com 7.000 bailarinos e será dirigida pelo coreógrafo Doug Jack - que já realizou espetáculos similares para as últimas quatro Olimpíadas.

Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem 
O estádio João Havelange foi construído para o evento, tem capacidade para 45 mil pessoas

Durante os 16 dias, mais de 5.500 atletas representando 42 países e colônias do hemisfério ocidental estarão competindo em mais de 30 esportes, que vão do basquete, boxe e natação ao hóquei de quadra, boliche e esgrima. Só a delegação dos Estados Unidos terá mais de 600 atletas, muitos dos quais portadores de ambições olímpicas, sendo que Porto Rico irá enviar uma delegação em separado, com 240 atletas. A competição irá terminar dia 29 de julho, também no Maracanã.

Abrigada entre montanhas verdejantes e um mar azul-celeste, o Rio sem dúvidas é uma cidade deslumbrante para os Jogos, e mais de U$ 1,5 bilhão foi investido na preparação da competição, o que inclui o novo estádio João Havelange, para 45.000 pessoas. Mas por mais hospitaleira que a cidade possa ser isso também pode trazer problemas para os visitantes, especialmente no que diz respeito à segurança.

Não é segredo que o Rio é uma cidade assolada pelo crime e bastante violenta, de forma crescente - bandos fortemente armados que controlam os guetos nos morros chamados de favelas tornam-se cada vez mais ousados em seus ataques e ameaças, até mesmo nos bairros mais elitistas da cidade.

As autoridades brasileiras procuraram diminuir as preocupações quanto à segurança e à possibilidade de ação terrorista durante os Jogos com a promessa de patrulhamento intensivo por unidades tanto da polícia quanto das forças armadas. Elas lembram que 1992, quando as Nações Unidas promoveram uma conferência global sobre meio ambiente no Rio, o encontro ocorreu sem incidentes, apesar das previsões de uma onda de criminalidade.

Para os Jogos Pan-Americanos, o Rio contornou a questão de segurança ao planejar a realização de dois terços das provas numa área não muito populosa, distante das regiões mais perigosas da cidade.

Mesmo assim, onde quer que você esteja no Rio vale a pena tomar cuidado e tomar certas precauções básicas quanto à segurança. Não ostente jóias nem câmeras caras ou equipamento de vídeo, principalmente na praia. Para os que não falam o português também é recomendável se locomover em grupos e não sozinho, de preferência na companhia de um guia local ou de um tradutor.

Um cuidado especial deve ser tomado em relação às competições de futebol e atletismo previstas para o estádio João Havelange. As vias de acesso ao estádio despontam como um problema em potencial, especialmente quando as competições terminarem à noite. O estádio fica próximo de uma via - a Linha Amarela - onde freqüentemente ocorrem assaltos e também tiroteios entre a polícia e as gangues, e outras rotas passam por bairros que muitos moradores do Rio preferem evitar à noite.

A locomoção pela cidade também promete ser mais complicada que o normal. A proposta inicial de candidatura do Rio de Janeiro incluía uma promessa de se melhorar o sobrecarregado tráfego municipal com uma grande reforma que incluiria duas novas linhas de metrô e um serviço de barcos que iria do centro da cidade até estações na zona oeste, próximas aos principais locais de competição.

Mas nenhum desses projetos chegou a decolar, em grande parte devido a disputas entre os governos municipal, estadual e federal, e até mesmo a criação de algumas novas linhas de ônibus foi descartada. Como o espaço para estacionamento também é escasso, os organizadores dos jogos estão fazendo tudo o que podem para desestimular o uso de carros particulares em direção aos locais de competição. Isso faz com que os ônibus e dispendiosos táxis sejam as formas mais viáveis de transporte.

A maior parte dos melhores hotéis do Rio de Janeiro está em bairros como Ipanema e Copacabana, distante da maioria dos eventos. Mas uma maneira de poupar tempo e os gastos na viagem é ficar num hotel na confortável região da Barra da Tijuca, que cresce rapidamente e é o bairro mais próximo da maioria das competições. Muitos hotéis foram construídos por lá nos últimos anos, incluindo um Sheraton, e no final de maio alguns deles ainda tinham quartos disponíveis para alguns dias de julho.

Reservas podem ser feitas, é claro, através de um agente de viagens no Brasil ou no exterior. Mas o site oficial dos jogos, www.rio2007.org.br, também proporciona esse serviço, junto com mapas e outras informações úteis.

As autoridades municipais tentam aplacar as preocupações quanto a engarrafamentos ou escassez de ônibus durante as duas semanas de competição - argumentam que julho é o auge do período de inverno no Brasil e sustentam que muitos cariocas, como os nativos da cidade são conhecidos, estarão fora da cidade, reduzindo, dessa forma, a demanda no sistema de transportes.

Além disso, segundo as autoridades haverá faixas expressas nas vias para facilitar o acesso aos eventos. Por outro lado, os céticos dizem que as férias de inverno historicamente geram a chegada à cidade de muitos visitantes, em busca de passeios e eventos culturais.

Quanto aos ingressos, cerca de dois milhões podem ser comprados no site dos Jogos, que tem versões em inglês, espanhol e português. Os preços variam de 10 a 120 reais, entre U$ 5 a U$ 60 com o dólar valendo 2 reais, dependendo do esporte e da localização dos assentos (para as cerimônias de abertura e encerramento chegarão a custar 150 e 250 reais); as compras devem ser feitas com cartões de crédito Visa. Para restringir a ação dos cambistas, cada pessoa só poderá comprar até seis ingressos por jogo ou sessão.

Segundo os organizadores, os ingressos também estarão à venda em bilheterias do Rio a partir de 1o de julho. Um número limitado de passes diários também deverá estar à disposição nessas cabines, permitindo aos torcedores o ingresso em vários eventos num mesmo dia por 20 reais.

Os ingressos mais disputados, claro, serão aqueles para os esportes mais populares entre os brasileiros, que devem ocupar a maior parte dos assentos. Sendo assim prepare-se para desembolsar muito dinheiro se quiser ver os principais jogos de futebol - todas as partidas do esporte serão jogadas ou no Maracanã, palco da final da Copa do Mundo de 1950, ou no estádio João Havelange - e os principais jogos de basquete e vôlei.

Mas os admiradores do futebol que também quiserem ver as quatro principais equipes profissionais do Rio durante os Jogos Pan-Americanos terão que sair da cidade. Essas equipes têm jogadores espetaculares que contribuíram para as cinco conquistas brasileiras de copas do mundo, um recorde. O mais notável é Romário, estrela da copa vencida nos Estados Unidos. Mas os times locais foram proibidos de sediar partidas durante os Jogos Pan-Americanos, para não dispersar a atenção em relação à competição.

Já com o beisebol a história é diferente. Como os brasileiros não conhecem o esporte, as partidas serão disputadas num estádio temporário que tem menos de 5.000 lugares. Mas o nível da competição deverá ser elevado, com a participação de fortes equipes da República Dominicana, Venezuela, Porto Rico, México e principalmente de Cuba, em busca da medalha de ouro e do direito de se dizer o melhor do hemisfério, que vem junto com o prêmio.

O mês de julho tecnicamente indica que é inverno no Brasil, mas a promessa é de clima ameno. Nos últimos anos, em julho e agosto no Rio de Janeiro ocorreram temperaturas elevadas fora da época (com as máximas entre 21 e 26 graus), e em alguns dias da estação as famosas praias da cidade ficaram lotadas. Isso quer dizer que há boa possibilidade de outra opção recreativa para os turistas, se seu time for eliminado ou estiver de folga na competição. Marcelo Godoy

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