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05/06/2007

Pesquisa acrescenta nuance à discussão sobre sexo adolescente

The New York Times
Nicholas Bakalar
As garotas que têm sexo em idade precoce correm um risco ligeiramente maior do que suas colegas de sentir-se deprimidas, segundo um novo estudo. Mas sua auto-estima só é prejudicada se o sexo ocorrer fora de um relacionamento romântico. Para os meninos, o sexo em idade precoce não aumenta a depressão ou diminui a auto-estima.

"Eu suspeitava que pudesse haver efeitos negativos do sexo precoce entre alguns grupos", disse a autora do estudo, Ann M. Meier, professora-assistente de sociologia na Universidade de Minnesota. "E foi o que descobri, mas somente em circunstâncias muito específicas."

Segundo os autores, as conclusões podem ser importantes para o artigo sobre educação sexual contido na lei de reforma da assistência social de 1996. Os programas que são financiados através dessa legislação devem ensinar, entre outros elementos de abstinência, que "a atividade sexual fora do contexto do casamento tende a causar efeitos psicológicos e físicos danosos".

Este estudo, que foi publicado na edição de maio de "The American Journal of Sociology", encontrou evidências mistas sobre essa alegação. A idade média em que as adolescentes têm sua primeira experiência sexual diminuiu constantemente durante a década de 1990, segundo informações de apoio do trabalho, e hoje quase a metade das adolescentes americanas relata que tiveram sexo antes de concluir o colégio.

Usando dados de um estudo de âmbito nacional, Meier selecionou 8.563 adolescentes da 7ª à 12ª séries que não haviam tido sexo no momento da primeira entrevista. Elas foram entrevistadas novamente um a dois anos depois, respondendo a perguntas sobre sua saúde emocional e mental, o histórico e a educação familiar e relacionamentos sociais e românticos. Elas também responderam a questionários sobre depressão e auto-estima. Na época da segunda entrevista, 1.265 das adolescentes haviam tido sua primeira experiência sexual.

A idade média da iniciação sexual varia conforme a etnia, de 15,2 anos a 17,5, com as garotas de origem africana tendo sexo mais cedo e as asiáticas, mais tarde. A renda familiar menor também era um fator de sexo em idade mais precoce.

Meier dividiu o grupo que havia tido sexo entre as que tiveram sexo em idade menor que a de outras adolescentes, as que tiveram sexo na idade média e as que tiveram sexo mais tarde que a média. O estudo só considerou relações heterossexuais, e a escala de depressão, que media somente sintomas depressivos, não se destinava a diagnosticar a depressão clínica.

A iniciação sexual foi associada a uma diminuição da auto-estima, mas somente entre as garotas mais jovens que a média e que não tinham uma relação romântica. As garotas que tiveram sexo na idade média ou depois não apresentavam maior tendência a sintomas depressivos, comparadas com as que não tiveram sexo.

Houve um aumento significativo nos sintomas depressivos entre as garotas que estavam em relacionamentos curtos que terminaram, e o fato de ter tido a iniciação sexual nessa relação aumentava as notas na escala de depressão, em comparação com as garotas em relações semelhantes que terminaram sem sexo.

Meier sugeriu que não é tanto a idade cronológica que importa para determinar se o sexo foi psicologicamente prejudicial, e sim o desvio da idade socialmente normal.

Laura Lindberg, uma socióloga e pesquisadora do Instituto Guttmacher que não participou do estudo, achou isso especialmente interessante. "Acho que é um bom estudo", disse Lindberg. "Estou surpresa em ver como precisamos admitir que o comportamento sexual adolescente ocorre em um contexto social." "Uma das principais descobertas", ela continuou, "é que são as normas da idade e não a idade real que importa, e essas normas variam dependendo do grupo social em que se vive."

Meier disse que havia efeitos negativos conhecidos do sexo precoce, como gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. "Mas de modo geral há muito poucos efeitos na saúde mental, sejam negativos ou positivos", ela disse.

Meier reconhece que o estudo depende de relatos pessoais, que podem resultar em dados imprecisos, embora a técnica de entrevista usada, com base em computador, seja considerada altamente confiável. Além disso, não foi possível controlar todas as variáveis, e as mudanças na saúde mental poderiam ser causadas por fatores não relacionados à atividade sexual.

Meier também advertiu contra a generalização dos resultados para populações não incluídas no estudo. Por exemplo, o estudo não cobriu as garotas que tiveram sexo antes da primeira entrevista, um grupo mais jovem cujos resultados poderiam ter sido diferentes. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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